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terça-feira, 15 de maio de 2012

Economistas sugerem formas mais baratas de salvar o mundo

Economistas proeminentes enumeraram as formas mais adequadas e de melhor relação custo-benefício para solucionar muitos dos problemas aparentemente insuperáveis do mundo, revelou um “think-tank” (centro de estudos) dinamarquês na segunda-feira, pedindo uma mudança nas prioridades globais.

“Pode não soar atraente, mas solucionar problemas como diarreia, vermes e desnutrição terá melhores efeitos para a maioria dos pobres do mundo do que outras intervenções mais imponentes”, disse em um comunicado Bjoern Lomborg, que preside o Centro do Consenso de Copenhague.

Seu “think-tank” apresentou nesta segunda-feira os resultados de seu terceiro Consenso de Copenhague global, no qual pediu que economistas proeminentes que trabalham com os 10 principais problemas temáticos do mundo a fim propusessem os melhores investimentos para solucionar estes problemas.

Um painel de especialistas, que incluiu quatro ganhadores do prêmio Nobel, analisou as propostas e classificou aquelas que acreditam que teriam o maior impacto e “onde podemos obter o melhor retorno do nosso dinheiro”, disse Lomborg à AFP.

Pediu-se aos economistas do Consenso de Copenhague para sugerir como o mundo deveria gastar melhor US$ 75 bilhões em um período de quatro anos, quantia que Lomborg disse ser apenas 15% superior ao que se gasta hoje no mundo com ajuda global.

A desnutrição ocupou o topo das 10 propostas e o painel de especialistas sugeriu um gasto anual de US$ 3 bilhões para solucionar o problema que afeta mais de 100 milhões de crianças no mundo todo, reforçando que “cada dólar gasto na redução da desnutrição crônica tem mais de US$ 30 de retorno”.

Isto se deve a que uma melhor nutrição melhora as funções cognitivas e também a educação do indivíduo e os prospectos de renda, afirmaram.

Os economistas também propuseram investir US$ 1 bilhão ao ano em sistemas de alerta remotos para desastres naturais, que Lomborg disse ser uma forma muito melhor de se gastar o dinheiro do que destinar mais recursos na limpeza subsequente à catástrofe.

Bjoern Lomborg, que ficou famoso com o livro “O Ambientalista Cético”, de 2001, argumentou que a lista é necessária uma vez que tomadores de decisão e organizações humanitárias costumam permitir que emoções irracionais determinem quanto dinheiro vão gastar para enfrentar a pobreza, a redução da biodiversidade ou desastres naturais.

Ele afirmou que o foco na criação de reservas naturais e em fazer grandes áreas de florestas em contraponto ao desenvolvimento era “uma boa ideia, mas o problema é que nem sempre ocorre”.

Ao invés disso, os economistas do Conselho de Copenhague propuseram investir pesado em pesquisa e desenvolvimento agrícola para tornar a produção de alimentos mais eficiente, o que segundo eles reduziria a fome no mundo e também protegeria a biodiversidade “ao reduzir a necessidade de que áreas de florestas virem terras agricultáveis”.

Lomborg, que refuta duramente o rótulo de negacionista das mudanças climáticas, às vezes atribuído a ele, também criticou o forte enfoque no controle das emissões de dióxido de carbono na luta conta o aquecimento global.

“Há formas mais inteligentes de enfrentá-las, como por exemplo, investindo em pesquisa e desenvolvimento sobre energia verde ou estudando a geoengenharia”, afirmou,

“Trata-se, realmente, em focar naquilo que funciona ao invés de se concentrar naquilo que faz com que nos sintamos bem”, resumiu, acrescentando que especialmente à luz da crise econômica, “ficou muito claro que nós precisamos gastar nosso dinheiro da melhor forma possível”.
Fonte: Portal iG

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