segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Promotor diz que Hospital das Clínicas não tinha plano para incêndio

O promotor Reynaldo Mapelli Júnior disse ontem que o Hospital das Clínicas, autarquia vinculada ao governo José Serra (PSDB), não tinha um plano de emergência para enfrentar incidentes como o incêndio da noite de Natal, que só não acabou em tragédia graças ao "heroísmo de profissionais".

Para ele, ao invés de seguir um plano de desocupação previamente estabelecido, do qual deveria prever como e para onde os pacientes deveriam ser conduzidos, a desocupação foi feita de improviso.

"[O incêndio] Desnudou uma falha que, felizmente, por um ato de heroísmo das pessoas que estavam lá, não gerou uma tragédia maior", disse ele, que participa do Grupo de Atuação Especial da Saúde Pública e que, ontem, esteve reunido com a superintendência do HC.

Mapelli Júnior disse ainda que o episódio do HC também demonstrou que São Paulo não tem um planejamento para grandes emergências. O Estado não teria como atender, por exemplo, as vítimas do acidente da TAM em Congonhas, se elas tivessem sobrevivido.

Um exemplo disso, afirma o promotor, é que até ontem (27) o HC não havia definido para onde mandar seus pacientes. Isso só deve ocorrer hoje (28).

Mapelli Júnior e a promotora Anna Trotta Yaryd investigam o incidente e acompanham os pacientes. Também querem saber se houve negligência da direção do hospital.

Um exemplo é o adiamento da obra de reforma da subestação de energia do subsolo do Prédio dos Ambulatórios, onde começou o incêndio. Conforme a Folha revelou ontem, a obra estava prevista desde 2005, mas não foi realizada.

Outra dúvida é saber se o hospital tem alvará de funcionamento expedido pelo Corpo de Bombeiros. Há dois dias a Folha procura a corporação, mas não obtém resposta.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A Prevenção como Parte do Negócio

Por: Cosmo Palasio*
Por toda parte vemos muitas pessoas falando sobre os mais diversos assuntos e do outro lado uma grande quantidade de expectadores tentando ao menos entender um pouco sobre aquilo.
Esta cena me parece ser um bom retrato das relações entre boa parte das empresas que prestam serviços e os responsáveis de algumas empresas.
Estas mesmas coisas também levam a este grande descrédito que vemos em boa parte do “chão de fabricas” – onde as pessoas volta e meia são chamadas a contribuirem com novos processos mas raramente entendem ao menos para que serve aquilo.
Boa parte disso nasce e sobrevive da imensa distancia entre conhecimento e prática, o vão que há entre os que detem conhecimento e aqueles que executam. Isso custa muito dinheiro e geralmente dá poucos resultados além de gerar aborrecimentos e conflitos e desvio de força de trabalho.
A grande verdade e que aquilo que teria como finalidade otimizar e racionalizar quando mal aplicado só aumenta o volume de trabalho e os problemas. Por detrás de algumas destas propostas de trabalho encontramos algo que nos faz lembrar da idéia da água em pó – grande solução que para ser usada e se obter um copo de água basta que seja diluído o conteúdo do saquinho em um copo de água. O pacote é maravilhoso, a idéia de modernidade fascina mas o resultado em si....deixa um pouco a desejar.
Durante décadas acompanhamos experiência neste sentido e com este perfil em muitos lugares. A chegada do “novo” parecia cegar algumas pessoas e muito disso acabou dando mais trabalho do que resultados.
Na área de Segurança e Medicina do Trabalho isso não é diferente.
No entanto, o resultado pode ser bem mais problemático e incorrigível. Os resultados de tais aventuras ferem, mutilam e matam pessoas. O uso de uma boa e nova idéia para ser usada apenas como pano que vai cobrir velhos sistemas acaba não sendo mais do que uma capa nova para um mesmo velho livro. Gasta-se muito dinheiro para dar aparência quando na verdade apenas parte deste dinheiro e decisão gerencial poderiam dar resultados bem mais interessantes e porque não dizer – verdadeiros.
O Brasil é um pais conhecido pela sua criatividade. Os profissionais brasileiros são visto em todo mundo como pessoas capazes de enfrentar amplos desafios e transformar realidades. E não poderia ser diferente já que ao longo de toda nossa história aprendemos a trabalhar a partir de cenários bastante complexos que tem como pano de fundo uma serie de dificuldades que raramente são encontrados em outros paises. A instabilidade de quase tudo que temos por aqui fez com que aprendêssemos a trabalhar sempre corrigindo rotas e adequando os sistemas. Pouca gente se dá conta disso e menos ainda são aqueles que tem noção do quanto isso vale.
Somos capazes por isso e outros fatores mais de encontrarmos nossas próprias soluções e o que nos falta as vezes e coragem de saber dizer não a aquilo que todo modismo indica como tendência. Obvio que podemos e devemos aprender com tudo que nos e proposto mas sem duvida não podemos deixar de lado a capacidade de interpretar o que temos a nossa frente levando em conta a nossa realidade.
Quando falamos em Segurança e Saúde no Trabalho não podemos pensar em qualquer coisa que não leve em conta a cultura e condição social de nosso povo. Imaginar que o trabalhador brasileiro tenha as mesmas reações e ações de um trabalhador europeu é um erro primário, até porque os cenários são amplamente distintos. Assim também é um grande equivoco supor que modelos prontos ou copiados de gestão terão sucesso por aqui. Podem até ter efeito de marketing e nada mais do que isso.
Portanto, muitos dos problemas em relação ao assunto começam muito distantes dos locais onde os acidentes continuam acontecendo: Começam na verdade na falta de critérios que levem em conta sistemas capazes de serem absorvidos e praticados pelos executantes. Na verdade os grandes despreparados para a prevenção não só sofrem acidentes mas aqueles que desenham modelos de trabalho onde muitas condições que deveriam ser essenciais jamais são levadas em conta.
O assunto é complexo – porque esbarra nas cúpulas e estruturas e os resultados dos problemas acabam sendo engolidos nestes mesmos espaços. No entanto a legislação brasileira vem se tornando estreita nesta direção e em pouco tempo as organizações terão que decidir entre manter o quadro atual ou enfrenta-lo pois os custos da insegurança serão bastante significativos.
Na direção das ações regressivas o que hoje é pago pacificamente pela previdência retorna como custo para as empresas.
Com o a chegada do nexo epidemiológico em pouco tempo aqueles que não conseguirem evidenciar de fato prevenção verão suas contribuições dobrarem de valor – e tudo isso dentro de um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.
Não bastasse isso, a sociedade brasileira começa a alcançar patamares de compreensão e organização para problemas relacionados a condição humana e isso começa a chegar ao entendimento de que o consumidor pode e deve optar pela compra de produtos de empresas que respeitem os mesmos valores; As grandes organizações ao mesmo tempo mostram-se exigentes com o assunto evitando associar seus nomes e marcas a empresas que gerem problemas e a justiça vem demonstrando firmeza nas suas decisões que levam a indenizações que também são pagas pelas organizações.
Agora e daqui em diante pensar em prevenção já não á mais uma questão de tratar o assunto como algo secundário: passou a ser uma obrigação em direção a sobrevivência das organizações.
* Cosmo Palasio
Consultor e palestrante especialista em Segurança no Trabalho

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Cuide bem da sua alimentação

Alimentos: cuidados que começam no supermercado
Na hora de comprar um alimento não basta conferir seu prazo de validade. Alguns alimentos têm registro no Ministério da Agricultura (no caso dos alimentos de origem animal e bebidas) ou no Ministério da Saúde (alimentos especiais, como os funcionais, e os diets).

Há ainda categorias de alimentos que são dispensados de registro mas estão sujeitos à vigilância sanitária. São exemplos os biscoitos, cafés, chás, chocolates e gelados comestíveis (sorvetes e picolés).

É preciso ler atentamente os rótulos dos alimentos. Por meio da rotulagem o consumidor pode conhecer a lista de ingredientes, a origem do produto, a informação nutricional obrigatória e o número do lote, que permite a rastreabilidade do produto.

Quem vai encomendar a ceia em restaurantes, buffets, padarias ou confeitarias, deve ficar atento às condições sanitárias do serviço, em especial do ambiente onde os alimentos são manipulados. Ao comprar aves como o peru é preciso observar alguns aspectos, em especial se as condições de refrigeração são adequadas.

Cuidados adequados que abrangem desde a preparação até a venda do alimento, reduzem os riscos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) e garantem a segurança no consumo.

Bacalhau

Engana-se quem pensa que o consumo de bacalhau é alto apenas no Natal dos portugueses. A tradição vem conquistando o Brasil. De janeiro a novembro de 2006 o Brasil importou da Noruega cerca de 24 toneladas do pescado. Em 2007, até o mês de novembro, as importações já respondiam por quase 26 toneladas, segundo o Conselho Norueguês da Pesca no Brasil.

Na hora da compra certos cuidados são necessários. Odor desagradável, amolecimento da carne e manchas avermelhadas podem indicar que o bacalhau está impróprio para o consumo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Muito cuidado com as festas da sua empresa

Fim de ano! Chegou o momento de descontrair, liberar as tensões, esquecer os problemas e falar logo "adeus" para 2007, iniciando o novo ano com o pé direito. Neste clima, você começa a pensar na festa de confraternização da empresa. Comida, bebida, música, diversão, tudo de graça! Finalmente, é hora de aproveitar. Certo?
Nem tanto! Tenha cuidado e lembre-se que, por mais que o ambiente seja amigável entre os integrantes da equipe, você deverá encará-los no dia seguinte. Seja lá o que fizer, seu comportamento pode queimar, e muito, sua imagem diante do grupo e principalmente diante do seu chefe.
Cuidado com seu supervisor
Tudo bem que festa é local de descontração, mas tente não esquecer quem é quem! Imagine a cena: você bebe um pouquinho a mais e começa a fazer várias brincadeiras inconvenientes sobre seu chefe, diante dele. Ou pior, começa a falar de erros que já cometeu no trabalho, de prazos que perdeu, como se fosse algo engraçado. Você acha que, no dia seguinte, ele entenderá a sua bebedeira e o olhará com compreensão? Não conte muito com isso.
E outra: evite falar de trabalho nestas ocasiões. Todos estão precisando relaxar tanto quanto você! Deixe para amanhã os assuntos pendentes, os problemas com fornecedores ou com prazos de pagamento. Esta não é a melhor hora para conversar sobre isso.
Mais uma dica: procure respeitar a hierarquia, esteja onde estiver. Existem pessoas que misturam, com muita facilidade, vida pessoal com profissional, o que pode, e muito, prejudicá-lo.
Postura do empresário
A mesma recomendação vale para empresários ou para quem possui um cargo de liderança. Lembre-se: você deve dar o exemplo. Caso exagere na dose, você poderá ser visto de forma diferente no dia seguinte. O tratamento será de maior intimidade e sua autoridade poderá diminuir sensivelmente. Parece detalhe, mas não é.
Sinta o drama. Você bebe um pouquinho a mais e dá um "show" na festa de confraternização. Como nem todos sabem separar as coisas, podem olhá-lo com ironia logo na chegada ao escritório, lembrando das proezas do dia anterior.
Não passa pela cabeça de ninguém que nosso comportamento deve ser irrepreensível o tempo todo. Mas o melhor para se sair bem em qualquer situação é ter critério e saber considerar que, acima de tudo, trata-se do ambiente de trabalho.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Trabalhadores contra a dengue

A poucos dias do início do verão, a preocupação com a dengue é grande. Por conta disso, a prefeitura formou brigadas de treinamento para que trabalhadores também estejam vigilantes em seus trabalhos.
Para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, os agentes de saúde contam com a ajuda da população. Na Barra da Tijuca, operários da construção civil formaram uma força-tarefa. Condomínios, hotéis, prédios comerciais... A região da Barra da Tijuca não pára de crescer. E no meio dessa expansão imobiliária pode estar um morador que ninguém quer como vizinho.
Canteiro de obra é um dos locais preferidos do mosquito transmissor da dengue. Isso porque muitas vezes ele pode encontrar nestes locais um ambiente favorável para se reproduzir: água parada e entulhos. Para evitar esses focos do Aedes aegypti, foi criada uma força-tarefa formada por quem trabalha em obras todos os dias.
O programa da Secretaria Municipal de Saúde já treinou 70 trabalhadores da construção civil para combater a dengue no Rio. A brigada, que faz o monitoramento de terrenos e construções, deve atuar no intervalo entre as visitas dos agentes de saúde, que acontecem a cada três meses.
O técnico de segurança Rubens Oliveira recebeu treinamento para orientar os colegas que trabalham em um condomínio que está sendo erguido na Barra. “Não deixar água parada, verificar sempre poços dos elevadores, não espalhar copos pelo canteiro de obras, não deixar caixa d’água sem tampa”, lista o técnico.
Na Barra da Tijuca e no Recreio dos Bandeirantes foram registrados, neste ano, 784 casos de dengue. Em toda a cidade, já são mais de 21 mil notificações. A Secretaria Municipal de Saúde registra, em 2007, 365,8 casos por 100 mil moradores. A taxa ainda é 22% inferior ao que caracteriza uma epidemia.
O treinamento também é um alerta sobre a importância de combater a dengue no ambiente de trabalho. “A iniciativa que a prefeitura teve formando essas brigadas é justamente fazer com que as pessoas, em seus ambientes de trabalho, possam também estar sensibilizadas, identificando criadouros do mosquito e os eliminando”, afirma o coordenador do controle de vetores, Mauro Blanco.
Formação das brigadas
Qualquer empresa pode e deve formar uma brigada anti-dengue. Afinal, os números da doença não param de crescer. As regiões vulneráveis à dengue são várias, mas principalmente a Zona Sul e a Zona Norte da cidade.
As empresas podem juntar alguns funcionários e solicitar um treinamento à Secretaria Municipal de Saúde para a formação da brigada e para saber como agir naquele local de trabalho.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Carrefour Jundiaí interditado pela Vigilância Sanitária‏

Setor de alimentos do Carrefour é interditado pela Vigilância.
Os técnicos da Vigilância Sanitária de Alimentos de Jundiaí autuaram, em operação de fiscalização realizada na tarde de segunda-feira (17), um dos principais hipermercados da cidade: o Carrefour, unidade situada no Km 78 da Marginal Norte da Rodovia Anhanguera. As irregularidades encontradas no local foram suficientes para suspender todo o setor ligado à alimentação, o que corresponde a aproximadamente 70% dos produtos vendidos no Carrefour.
"Todo o setor de alimentos do hipermercado está interditado. Ou seja, a determinação também inclui aqueles que estão expostos à venda nas gôndolas", afirmou a gerente de ações do órgão municipal, Tânia Bueno.
De acordo com ela, a fiscalização da equipe de vigilância de alimento, composta por cerca de dez integrantes, partiu de várias denúncias de consumidores do Carrefour, inclusive os de Várzea Paulista. Todas as reclamações eram referentes à situação higiênica do açougue e do depósito de alimentos. Este último departamento, segundo os técnicos da vigilância, foi o mais crítico.
"Apesar das denúncias estarem relacionadas a alguns segmentos de alimentos do hipermercado, nós sempre resolvemos fazer um pente-fino em todas as partes que são de competência da Vigilância Sanitária de Alimentos", explicou Tânia.
Entre os ambientes fiscalizados pelos técnicos do órgão municipal estiveram a padaria, o refeitório dos funcionários do Carrefour, a salsicharia e as câmaras frias.
Depósito de insetos - A irregularidade mais visível e grave, de acordo com a Vigilância Sanitária, é o depósito onde são armazenadas as mercadorias que vão até as gôndolas do hipermercado. No espaço reservado para a farinha de trigo, foram encontradas inúmeras moscas. "Além disso, a área estava muito abafada, propícia ao surgimento de fungos e bolores no trigo", disse Tânia.
No depósito não foi verificada apenas a presença de moscas. Havia também fezes de ratos embaixo de caixas de madeiras e o acúmulo de poças de água, que podem concentrar vírus e bactérias.
Outros insetos faziam a festa nos ambientes de alimentos fiscalizados, como baratas e formigas. Mais uma surpresa foi avistada pelos técnicos da vigilância depois de conseguirem erguer as duas caixas de balança do depósito. Por nunca terem sido limpos, centenas de minhocas se concentravam embaixo das caixas.
Padaria - A moldagem da padaria do Carrefour chegou a chamar a atenção da Vigilância Sanitária de Alimentos. Isso porque não havia uma barreira física entre os manipuladores do pão e os consumidores. "A única divisão existente era o balcão", confirmou Tânia. Além da padaria, o açougue também acumulava muita água no chão.
Refeitório - Para os técnicos da vigilância, o refeitório dos funcionários do Carrefour foi o pior ambiente vistoriado depois da área de depósito, armazenamento e estoque. Em fotos divulgadas pelo órgão ao Jornal da Cidade, as máquinas do local estavam sujas e em contato com a área de manuseio dos alimentos.
Já as janelas do refeitório continham ferrugens, prestes a cair. De acordo com a agente do órgão de fiscalização, a gerência do hipermercado prometeu entregar um novo refeitório com as exigências atendidas dentro de 20 dias. No entanto, enquanto não for inaugurado o novo espaço as atividades continuam suspensas.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Estabilidade do Cipeiro

Estabilidade de cipeiro independe de contrato com tomadora de serviços.
A garantia de emprego prevista para o membro da CIPA não o vincula à prestação de serviços X ou Y. Vincula-o, sim, à empresa prestadora de serviço, que é a sua empregadora. Assim o juiz da 8ª Vara do Trabalho de Curitiba definiu a questão de suplente de CIPA que foi demitida pela empresa Pires - Serviços Gerais a Bancos e Empresas Ltda. Para a ministra Rosa Maria Weber, relatora do agravo de instrumento da empresa no Tribunal Superior do Trabalho, não há o que modificar na sentença que reconheceu a estabilidade provisória da trabalhadora.
A empregada foi contratada pela empresa Pires em julho de 1997, na função de limpadora. Em junho de 2001, quando recebia o salário de R$ 238,00, mais 20% de adicional de insalubridade, foi dispensada sem justa causa. Seria mera opção da empresa, se a trabalhadora não fosse suplente de membro da CIPA, eleita em novembro de 2000 e com mandato até outubro de 2001. Protegida pelo artigo 165 da CLT, a trabalhadora usufruía de garantia legal de 12 meses de manutenção de contrato de trabalho após o término do mandato.
A Terceira Turma do TST entendeu que, mesmo com a extinção do contrato de prestação de serviços, mas desde que haja a manutenção da atividade e do estabelecimento do empregador, não ocorre a extinção da garantia de emprego. A estabilidade provisória de empregado eleito para cargo de direção da Comissão Interna de Prevenção de Acidente - CIPA encontra fundamento no artigo 10, inciso II, "b", do ADCT.
Em seu recurso ao TST, no entanto, a Pires - Serviços Gerais a Bancos e Empresas Ltda. sustentou que o suplente da CIPA não goza dessa garantia de emprego prevista no ADCT. Alegou, ainda, que a trabalhadora não deveria ser reintegrada aos quadros da empresa, pois o contrato de prestação de serviços mantido por esta com a empresa tomadora foi rescindido por iniciativa da cliente, o que equivaleria à extinção de estabelecimento.
Na decisão anterior à do TST, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (PR) já havia concluído que não se pode falar em extinção do estabelecimento, pois a empresa Pires, empregadora da trabalhadora, continua existindo, e, portanto, o objetivo da estabilidade concedida aos membros da CIPA, que é viabilizar sua atuação, ligada à segurança e saúde do trabalhador e exercida em seu local de trabalho. Além disso, acrescentou, de acordo com o artigo 165 da CLT, a dispensa de empregado integrante da CIPA é válida, apenas, se houver a indicação de motivo disciplinar, técnico, econômico ou financeiro.
Em sua avaliação do agravo no TST, a relatora Rosa Maria Weber concluiu que o item II da Súmula 339 do TST se limita a descaracterizar a despedida arbitrária no caso de extinção do estabelecimento ou da atividade do empregador, o que não ocorreu no caso. Além do mais, por se tratar de exceção à garantia de emprego, deve ser interpretada de forma restrita, não podendo a súmula ser aplicada analogicamente aos casos de extinção do contrato de prestação de serviços havido entre o empregador e o tomador com a manutenção da atividade e do estabelecimento da reclamada.
Fonte: TST

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Agrotóxico é trocado pelo uso de água

O Brasil está anunciando a completa eliminação do brometo de metila da agricultura, que teve seu uso proibido no País a partir de janeiro deste ano. O uso do produto, considerado nocivo ao meio ambiente (por destruir a camada de ozônio) e aos trabalhadores rurais, foi substituído pela alta temperatura na esterilização da terra, principalmente no cultivo de flores e plantas ornamentais. A alta temperatura é comprovadamente eficiente em eliminar os organismos indesejáveis da terra a ser cultivada. Com isso, o Brasil antecipa em oito anos o compromisso com as metas do Protocolo de Montreal de acabar com a utilização da substância na agricultura até o ano 2015.
As caldeiras a vapor foram distribuídas às cooperativas de produtores de flores e plantas ornamentais no Brasil desde o final de 2006 e já beneficiou cerca de 200 deles. Ao todo foram doados 28 equipamentos a produtores de São Paulo e Pernambuco. A distribuição do equipamento faz parte do Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila, do Ministério do Meio Ambiente, e é uma alternativa para a solução do problema usando tecnologia nacional. A distribuição das caldeiras a vapor faz parte da primeira fase do Programa. Cada equipamento doado, composto de uma caldeira e de um injetor de vapor, tem um custo médio de cerca de 50 mil dólares. Esse recurso é proveniente do Fundo Multilateral do Protocolo de Montreal, que destinou ao Brasil US$ 2 milhões para eliminar este agrotóxico do cultivo de flores e plantas ornamentais e implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido). Além do equipamento, os produtores recebem assistência técnica e treinamentos realizados por agrônomos.
Na segunda fase do programa, cerca de mil coletores solares serão adquiridos pelo MMA para serem doados a associações de agricultores familiares também de regiões de São Paulo e Pernambuco. A tecnologia do equipamento foi desenvolvida pela pesquisadora da Embrapa, Raquel Ghini, e pode ser facilmente utilizada em propriedades rurais familiares. O Programa Nacional de Eliminação do Brometo de Metila termina em abril de 2008 e será responsável pela eliminação de aproximadamente 230 toneladas desta substância da atmosfera.
Segundo Ruy de Goes Barros, diretor do Departamento de Mudanças Climáticas, a utilização das altas temperaturas para esterilização do solo em lugar do brometo de metila é extremamente positiva do ponto de vista ambiental e social. A alternativa é economicamente viável, pois o custo da utilização dos dois equipamentos é compatível e os agricultores estão satisfeitos. Substituímos uma substância química que, além de destruir a camada de ozônio, é nociva à saúde dos trabalhadores, pelo tratamento do solo por elevação de temperatura, explicou o diretor.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

O Milionário

Quem não gostaria de ficar rico, rápido e milagrosamente? Para quem não nasceu em família rica e nem com aquilo virado para a lua, há várias formas mágicas para você fazer o seu primeiro milhão... de euros, que hoje valem mais que dólar. Depois desse repentino milagre é só se preparar para consumir e se deliciar com os benefícios de ser um milionário feliz. Talvez você descubra também onde está a verdadeira felicidade, se no coração ou no bolso.
Uma dessas fórmulas é de fácil acesso, não requer nem prática nem habilidade, como se diz. Está nas prateleiras de auto-ajuda das melhores livrarias aí da sua cidade. Também é vendida via internet e você pode pagar com cartão de crédito. Pega um prazinho e paga com os frutos da riqueza. São dezenas de livros que já fizeram milionários, seus autores, naturalmente. Mas prometem o mesmo para seus leitores, desde que sigam e pratiquem rigorosamente o que pregam.
Há muitos produtos disponíveis e todos seguem à risca o bom marketing, ampliando o mix de toda a linha e multiplicando as possibilidades de venda. Variedade a toda prova, até com Kit Riqueza. Mais ou menos como aquela velha história: leia o livro, assiste ao filme, participe de uma palestra e ouça a música em casa, no trabalho e no carro. Se não for usado dentro das recomendações técnicas e repetido como um mantra indiano, seus autores e os palestrantes não se responsabilizam.
São produtos inteligentes, não podemos negar. Resgatam antigos ensinamentos que estavam empoeirados nas velhas bibliotecas, dão um ar de modernidade e eis a grande novidade à venda. Outros misturam neurolinguistica com frases de conhecidos pensadores, acrescentam uma pitada de psicologia do comportamento e está pronta uma salada mista ao gosto do leitor, sempre ávido para consumir o mais recente título. Isso porque ainda não enriqueceu com o anterior. Lealdade ou dependência?
Mudança de comportamento, reprogramação mental e condicionamento do subconsciente, você melhor do que você. Aliás, se você ainda não está rico é porque não está transmitindo as ordens corretas para o seu subconsciente. São técnicas eficientes, mas desde que repetidas inúmeras vezes durante longo tempo, até fazer parte do seu ser, para então virar comportamento. Transformar-se em atitude, em ação prática. Os mágicos dizem que um novo truque só funciona se for ensaiado cem vezes. Olha aí, leia mais 99 vezes aquele livro fantástico que começa a jorrar dinheiro em sua conta.
Além de ganhar mais, reduzir despesas e adotar o hábito de poupar pelo menos quinze por cento de tudo o que ganha, procure investir num fundo de ações. Assim, você terá uma segunda fonte de renda, tendo as ações trabalhando para você. Simples, claro e cristalino. Trabalhe com afinco, não exagere nos gastos, poupe mais e faça um pequeno pé de meia para investir.
Há outro processo igualmente simples para enriquecer, que pode ser associado ao anterior. Trabalhando para os outros, por melhor que seja o salário, dificilmente você vai enriquecer. Trabalhar para você também não, por mias lucrativo que seja o negócio. O sonho do primeiro milhão só se materializará se tiver pessoas trabalhando para você. Quanto mais e de preferência bem qualificados, mais rápido você enriquece.
As empresas foram criadas para crescer, evoluir e se renovar com freqüência. Só não o fazem por algumas razões: acabaram de ser criadas, por opção, falta de visão das coisas ou por incompetência mesmo. Também não crescem por insistir em fazer bem feito as coisas erradas. Nesse caso, quanto mais agilidade essas empresas tiverem, o estrago será maior.
Por sua vez, as pessoas também nasceram para crescer, desenvolver e cumprir sua missão. Entretanto, enquanto não conseguirem expandir sua consciência e acessar a fonte de tudo, serão frágeis e suscetíveis de receber a influência dessa cultura de auto-ajuda. A certeza é que nunca estamos sós. Há uma poderosa energia ao redor e dentro de nós. E a senha para acessá-la tem a ver com a nossa capacidade de amar, conhecer e compartilhar. A leitura serve apenas para nos inspirar, a buscar o que já trouxemos ao ingressar neste planeta.
Por: Moacir Moura
Palestrante, consultor de varejo e
especialista em gestão e motivação de pessoas.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Identificando perigos

Seja no contexto globalizado, nacional ou regional, o conceito da segurança tem se tornado cada vez mais abrangente, envolvendo a integração do homem com o seu ambiente de trabalho (equipamento ou processo) e assumindo compromissos com metas de sustentabilidade, saúde, meio ambiente e responsabilidade social. O principal objetivo da segurança funcional é garantir a harmonia entre os citados objetivos da segurança e a produtividade da empresa. Neste artigo, será abordada a segurança funcional aplicada na área de manufatura, ou mais especificamente, em máquinas. Os acidentes com máquinas são a segunda maior causa de ocorrências no Brasil, perdendo apenas para acidentes causados por quedas. Além dos danos sociais e prejuízos devido às penalidades e à perda de produtividade, estes acidentes poderão resultar em danos à imagem da empresa e na obtenção de benefícios/licenças para ampliação de plantas existentes, ou ainda, na instalação de novas unidades. Será descrito, a seguir, alguns conceitos que deverão ser levados em consideração na especificação de sistemas de segurança. Também será apresentado alguns benefícios obtidos com a redução de custos, que além do retorno social, justificariam, por si só, o investimento na segurança funcional de uma empresa.
Credibilidade

As normas de segurança foram desenvolvidas a partir dos anos 90, como resposta ao crescente uso de novas e complexas tecnologias e em função de experiências com acidentes de proporções catastróficas, até mesmo os acidentes menos graves, porém com grande freqüência. A norma internacional EC 61508 (Functional Safety of Electric, Electronic and Programmable Electronic Safety, Related Systems) pode ser aplicada diretamente a qualquer processo industrial que utilize produtos e sistemas de segurança E/E/PE (elétricos/eletrônicos e eletrônicos programáveis), independentemente do tipo de aplicação. Já a IEC 62061 é mais específica para a área de manufatura. Essas normas são do tipo orientadas. Diferentemente das normas prescritivas, elas não estão focadas na especificação de sistemas, parâmetros ou condições técnicas de determinadas aplicações. Elas se norteiam pelo princípio básico de que quanto maior o nível de risco do acidente, tanto melhor deverá ser o desempenho e a integridade do sistema de segurança utilizado. Tais normas classificam os sistemas de segurança através do seu SIL (Nível de Integridade de Segurança), que pode variar de 1 a 4, sendo que quanto maior esse número, melhor será o desempenho. A classificação do SIL, além de quantificar a confiabilidade do sistema de segurança quanto às possíveis falhas de hardware e software, também classificam os sistemas de segurança em relação às falhas sistemáticas. Falhas sistemáticas são aquelas provocadas por erro humano, elas podem ser encontradas nas atividades de: especificações do projeto, instalação, implementação de hardware ou software, manual do usuário, procedimentos de operação, manutenção, calibração, etc.

Iniciativas

As ações de todos os interessados na prevenção de acidentes, como dos trabalhadores, governo, empresas e sociedade, convergem para medidas de redução de risco. Essas ações são manifestadas através de decretos governamentais, documentações prescritivas, como normas e notas técnicas, ou utilizando um formato mais funcional. Essas iniciativas são realistas, pois não objetivam reduzir a zero o risco de acidentes em máquinas, mas sim, assegurar que todos os riscos existentes na sua utilização, sejam reduzidos a um valor mínimo.

Normas como a NBR NM 213 orientam sobre como projetar máquinas seguras. A norma NBR 14009 (Princípios para Apreciação de Riscos) deve ser aplicada para a identificação e avaliação dos riscos existentes, bem como a determinação das funções de segurança, necessárias para evitar a ocorrência de acidentes.

O Impacto


Em função dos conceitos de aplicação da segurança funcional em máquinas, podemos concluir que a segurança deixa de ser vista apenas como um ônus social para as empresas, passando a ter papel decisivo na sua saúde financeira. A Segurança Funcional deve ser aplicada tanto pelo fabricante de máquinas, como pelo empregador, protegendo o trabalhador das falhas do equipamento e, principalmente, dos acidentes previsíveis gerados pelo mau uso ou pela falha humana.
Autor: José Carlos de Miranda Roque

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Marceneiro que teve mão esmagada ganha indenização por dano moral

A 5ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto do relator, juiz convocado Rogério Valle Ferreira, negou provimento a recurso de uma empresa que protestava contra a condenação ao pagamento de indenização por dano moral a um marceneiro, vítima de acidente de trabalho dentro do estabelecimento.

O reclamante encontra-se afastado desde 2001, recebendo auxílio-doença acidentário. Contratado como marceneiro, ele acidentou-se quando, juntamente com a peça que estava sendo produzida, a sua mão esquerda foi puxada pelo rolo compressor da prensa e esmagada.

Segundo informações da perícia, "as lesões encontram-se consolidadas e o reclamante está incapacitado, permanentemente, para exercer o trabalho que desenvolvia habitualmente".

No entendimento da Turma, diante das provas, a empresa agiu com culpa. Embora o reclamante tenha sido treinado para exercer a função, a máquina na qual sofreu o acidente não apresenta sistema de segurança (mecanismos de desligamento automático, tais como, células fotoelétricas) para impedir que o trabalhador tivesse sua mão e dedos esmagados, sendo, inclusive, o terceiro acidente semelhante, ocorrido na empresa.

A Turma também chegou à conclusão de que o reclamante não teve culpa no acidente, pois o comando de desligamento situado em cada lado da prensa encontra-se distante dos cilindros e se houver o esmagamento da mão, o trabalhador não consegue, devido à distância, alcançar o comando de desligamento.

Constatados os prejuízos à saúde do trabalhador, com o sofrimento físico e mental, já que terá de conviver pelo resto da vida com as seqüelas do acidente, o relator entendeu configurado o dano moral sofrido pelo empregado.

“Nos 07 anos de afastamento, por certo, o reclamante deixou de galgar promoções e aumentos de níveis/salariais, nunca mais podendo retornar ao status quo ou recuperar o tempo perdido, tendo em vista a sua incapacidade para o trabalho decorrente da conduta negligente de sua empregadora” - finaliza.

Por esses fundamentos, a Turma entendeu que a indenização por dano moral fixada em R$40.000,00 mostra-se compatível com o dano sofrido e atende aos fins pedagógicos da pena.
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região, Minas Gerais

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Cientistas apontam hidrogênio como fonte de energia do futuro‏

Em menos de 20 anos, e diante da crise do petróleo e do aquecimento climático, o hidrogênio poderá se tornar a fonte de energia do futuro, com usos tão díspares que iriam do telefone celular à calefação, passando pelos transportes, segundo cientistas franceses.
"Esperamos que estas tecnologias possam ser aplicadas em dez ou 20 anos", declarou Philippe Mazabraud, chefe dos laboratórios que armazenam hidrogênio para o Comissariado francês de Energia Atômica (CEA), de Ripault, no centro da França.
Pode-se produzir hidrogênio a partir de uma grande variedade de fontes, entre elas o gás natural, o carvão ou a água. Além disso, esta fonte de energia apresenta a vantagem de não produzir gases que provocam o efeito estufa e podem ser usados no setor de transporte.
Em dois ou três anos, segundo os especialistas, os telefones celulares também começarão a serem equipados com pilhas deste combustível.
Estes mesmos especialistas garantem que a eletricidade produzida graças ao hidrogênio poderá também ser usada nos sistemas de calefação de casas e edifícios.
Além disso, prevêem a existência de frotas de veículos alimentados por hidrogênio nas estradas mundiais.
As pesquisas sobre o hidrogênio como futura fonte de energia estão muito avançadas em países como Japão, Alemanha e Estados Unidos.
A gigante americana General Motors prevê, inclusive, a produção de veículos competitivos e não-poluentes, que funcionarão a pilhas de hidrogênio para o ano 2010 ou, no mais tardar, em 2012.
O CEA francês, por sua vez, também aponta os progressos dos últimos anos nos materiais para fabricar pilhas de hidrogênio.
Segundo este organismo, nos últimos sete anos, o peso e o custo das placas especiais de pilhas especiais deste combustível terão diminuído em 90%.
O CEA fixou o objetivo de reduzir pela metade nos próximos três ou quatro anos a quantidade de platina, um elemento muito caro que é utilizado na composição destas pilhas.
No início do programa de pesquisa do CEA, uma escola de Saint-Pierre-des-Corps (centro-oeste da França) será equipada desde setembro de 2008 com o primeiro gerador de nova geração deste tipo de energia, que fornecerá eletricidade e calor.
Dessa forma, um projeto com o construtor automobilístico francês PSA Peugeot Citroën permitiu a fabricação de uma pilha de hidrogênio, compatível com a tecnologia dos veículos.
No entanto, estes progressos não devem fazer esquecer, lembram os especialistas, que os obstáculos para o desenvolvimento da nova fonte de energia em escala industrial ainda são numerosos, sobretudo pelo que diz respeito à redução dos custos de produção e à criação de infra-estruturas de transporte, armazenamento e distribuição.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Corpo de Bombeiros simula 3 acidentes e treina 40 homens

O 16º Grupamento de Bombeiros de Limeira realizou na manhã de ontem uma simulação de socorro a vítimas de três acidentes. Ao todo 40 homens, entre bombeiros e Guardas Municipais (GMs), participaram da ação que aconteceu em um prédio particular ao lado da Construtora Engep, no Parque Hipólito.

As equipes foram divididas em três bases e tinham a missão de atender três ocorrências. Para o local foram destinadas três viaturas do resgate, um caminhão e uma ambulância, que foram utilizadas no resgate das supostas vítimas.

Segundo o tenente Daniel Afonso Scaranello, comandante da ação, o treinamento que acontece anualmente, tem como objetivo preparar os integrantes da equipe para ocorrências de alto risco, analisando dessa forma o desempenho do grupo, apontando acertos e falhas. “Hoje simulamos três ocorrências sendo um acidente aéreo, um incêndio e o resgate de uma pessoa após um acidente de trânsito”, detalhou.

Em cada base um bombeiro ficou responsável em analisar o trabalho e apontar os erros cometidos, caso houvesse. Esse resultado só é divulgado para cada equipe, onde é realizado um balanço de toda a ação.

O trabalho teve início às 10h e a simulação acabou chamando a atenção dos moradores das imediações, que foram até o local para acompanhar o resgate. A área estava interditada e apenas as equipes, que trabalhavam na ação, tiveram acesso a ela por questões de segurança.

Breve Balanço

Um caminhão com escada magirus foi utilizado para o resgate de um suposto acidente áereo, onde havia uma vítima.

De acordo com Scaranello, o planejamento era que a ação durasse cerca de 1h, porém os trabalhos foram finalizados em menos de 50 minutos, o que mostra agilidade no trabalho do grupo.

No ano passado a simulação aconteceu no início do mês de novembro. Na ocasião o treinamento contou com a participação do Policiamento de Área, Polícia Rodoviária, Suatrans, Autoban, Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e Defesa Civil.

O objetivo era treinar homens do grupamento e demais participantes em ocorrências que envolvessem produtos perigosos. “Cada ação cobra da equipe uma nova estratégia. Aqui foram treinados além da agilidade, atendimento rápido às vítimas, atendimento em caso de acidente aéreo, acidente de transporte e ação durante um incêndio”, completou.
Fonte: A Gazeta de Limeira

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Doenças do trabalho triplicam

O número de brasileiros afastados do mercado de trabalho em função de doenças ocupacionais triplicou nos últimos seis meses. Segundo o Ministério da Previdência Social, até março deste ano, a média mensal de emissões do auxílio-doença eram de 10.095. Mas, a partir de abril, esta média passou para 29.582 casos por mês. Para reverter este quadro, o governo planeja aumentar o peso da carga tributária das empresas que não oferecem condições de segurança e saúde para seus empregados.
Segundo o diretor de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência, Remígio Todeschini, o aumento de casos não indica que as condições de trabalho nacionais pioraram nos últimos anos. "Sempre houve uma subnotificação dos acidentes e doenças do trabalho no Brasil. A partir de abril deste ano, adotamos o Nexo Técnico Epidemiológico (criado pela Lei 6.042 de fevereiro de 2007). Com essa nova metodologia, passamos a identificar com mais precisão as doenças ocupacionais", explicou.
No entanto, os números absolutos das doenças e acidentes de trabalhos ainda são alarmantes no Brasil, para o diretor. No acumulado de 2006, o total de trabalhadores incapacitados seja por doença ou acidente chegou a, aproximadamente, 150 mil. Com a nova metodologia, o ministério espera que este número alcance a preocupante marca de 300 mil até o final de 2007. Na análise de Todeschini, esta projeção é um alerta amarelo para o mercado de trabalho, especialmente para as empresas.
A partir de janeiro 2009, o Governo Federal pretende ser mais rigoroso com as empresas que não garantem a segurança de seus funcionários. Com base na Lei 10.666, de maio de 2003, o Ministério da Previdência está autorizado apromover uma alteração radical no Seguro de Acidentes de Trabalho, pago pelos empresários. Hoje, o seguro equivale a 1%, 2% ou 3% da folha de salário mensal, dependendo do risco da atividade.
Mas, depois da data limite, mudará de nome para Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e suas taxas ficarão entre 0,5% e 6%. O objetivo é aliviar a carga fiscal das empresas que oferecem reais condições de segurança e saúde e, ao mesmo tempo, apertar o cerco contra aquelas que colocam a produção acima do bem-estar de seus funcionários.
Epidemia do século
Atualmente, a principal doença de trabalho brasileira é a Lesão por Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomoleculares Relacionados ao Trabalho (LER/Dort). Em 2006, ela respondeu por 49,30% das doenças ocupacionais registradas no País. "É uma doença causada pelo aumento do ritmo de trabalho, somada à ausência de pausas e pressão do ambiente de trabalho. Ela é tão grave que pode causar invalidez permanente. É a epidemia do século XXI", comentou Todeschini.
Outro problema de destaque são as amputações de mãos, punhos e dedos. No ano passado, elas responderam por 30,77% dos acidentes de trabalho. Analisando a questão pelo ponto de vista das faixas etárias, descobre-se que os jovens são os mais castigados por empresas com poucas condições de salubridade e segurança. Do total de afastados, eles responderam por 42,23% dos casos.
A falta de segurança no trabalho também deixa cicatrizes na economia. Em 2005, o INSS gastou R$ 9,8 bilhões em benefícios para trabalhadores afastados, pelas mais diversas razões. No mesmo ano o Custo País deste problema (somando assistência médica, treinamento de novos funcionários e afins) chegou a R$ 39,2 bilhões. Os cálculos sobre o ano passado ainda não estão concluídos, mas o ministério prevê que a conta para o INSS passe de R$ 10 bilhões e o custo país seja maior do que R$ 40 bilhões.
Não era corpo mole
Segurar um copo de água por mais de cinco minutos se tornou um desafio na vida de Sérgio Botelho. Depois de trabalhar por mais de quatro anos, carregando pacotes no departamento de almoxarifado de um banco, Botelho desenvolveu a Síndrome do Túnel do Carpo, que causa fortes dores e perda da força nas mãos.
"Eu cheguei a reclamar para minha chefe logo no início das dores. Mas ela só perguntava se estava doendo mesmo e não fazia nada. Eu mesmo tomei a iniciativa de procurar um médico", relembra Botelho. O ano era de 2003. E os exames mostraram que as dores estavam muito longe de ser apenas reclamações de cansaço ou corpo mole.
O laudo médico apontou que a mão direita de Botelho estava seriamente comprometida pela doença, enquanto a esquerda já apresentava um quadro preocupante. Em outubro do mesmo ano, o trabalhador conseguiu fazer umacirurgia corretiva no pulso direito.
Pelas recomendações médicas, Botelho deveria ficar 30 dias em completo repouso. Mas a empresa onde trabalhava não deixou. "Quinze dias depois da operação, fui até o banco para entregar o atestado de licença. Mal cheguei e minha chefe veio me perguntando se eu podia trabalhar. Tive medo de perder o emprego e voltei para o trabalho no mesmo dia. A função era outra, mas o médico me disse que eu deveria ficar em repouso", disse o trabalhador.
Segundo Botelho, o resultado do regresso prematuro foi terrível. Pouco tempo depois de voltar ao batente, a doença ganhou força na sua mão esquerda. Querendo manter-se na empresa, Botelho agüentou as chagas da síndrome até 2007. "Não dava mais para continuar e fui fazer outra cirurgia. Para minha surpresa, quando procurei o médico, descobri que o banco havia cortado meu plano de saúde", disse.
Botelho conseguiu recuperar o plano de saúde na Justiça e, atualmente, assegurado pelo auxílio-doença, no qual recebe R$ 960 por mês, está fazendo sessões de fisioterapia para realizar a próxima cirurgia.
Prevenção e reabilitação
Os verbos prevenir e reabilitar têm a mesma importância para Maria Maeno, pesquisadora, da Fundacentro - órgão ligado ao Ministério da Trabalho e Emprego. Segundo a especialista, o governo e as empresas precisam desenvolver políticas para a efetiva reabilitação dos profissionais incapacitados seja por doenças ocupacionais seja por acidentes de trabalho."Hoje não contamos com esse tipo de serviço. E grande parte dos trabalhadores doentes não consegue mais voltar para o mercado", critica Maria. Segundo a pesquisadora, este sistema de "resgate" desta força de trabalho depende de um projeto de ação integrada entre o poder público e o empresariado.
"É muito comum que as empresas se acomodem oferecendo apenas serviços comuns na área de recursos humanos. Isso não basta. Para trabalhar na reabilitação, precisamos de profissionais com conhecimento em várias áreas, desde psicologia até noções de fisioterapia. Por isso, é importante que o Ministério da Previdência realize uma forte fiscalização nos postos de trabalho", reforça a especialista. A Fundacentro já fez uma sugestão de modelo para a implementação de um novo sistema de recuperação dos trabalhadores vitimados por doenças ocupacionais para o Ministério da Previdência.
"Mas essa discussão também depende de outros órgãos do Executivo. Não podemos falar de trabalho no Brasil sem mencionarmos o Ministério do Trabalho, o Ministério da Saúde e o Sistema Único de Saude (SUS)", defende a pesquisadora Maria Maeno.
Mudanças no crédito consignado
O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) decidiu encaminhar sugestões ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para melhorar a segurança nas operações com o crédito consignado. De acordo com o CNPS, aposentados e pensionistas somente poderão contrair empréstimo em instituições do mesmo estado em que recebem o benefício e que o depósito seja feito em conta corrente do beneficiário tomador do crédito.
Para os demais beneficiários, que recebem por meio de cartão magnético, o conselho recomendou a realização de estudos para verificar a viabilidade de creditar o valor do financiamento diretamente no cartão do beneficiário.
Denúncias
O secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, explicou que a Diretoria de Benefícios do INSS recebeu 4.300 denúncias, de abril a outubro deste ano, sendo que 46% (1.978) delas são reclamações relativas a operações realizadas com instituições financeiras de estados diferentes de onde o beneficiário recebe o pagamento e à liberação dos recursos por ordem de pagamento.
Segundo ele, a realização de empréstimo consignado por pessoas de outro estado "é uma forma freqüente de fraude". O uso de ordem de pagamento para sacar o dinheiro do crédito é outra modalidade de fraude muito usada pelas quadrilhas. As medidas recomendadas, segundo o secretário, devem ser implementadas gradativamente pelo INSS.
R$ 22 bi em empréstimos
Desde 2004, quando o serviço passou a ser oferecido, foram feitas 22.148.871 operações, e o número de pessoas que recorreram aos empréstimos neste período é de 8.748.769. O volume de crédito atingiu a um total de R$ 28.998.052.744,51.
No DF, foram autorizadas, no período, 107 mil operações, que somaram R$ 21,7 milhões. Atualmente, a liberação do dinheiro pode ser feita por ordem de pagamento ou por crédito na conta de outra pessoa.
Conta falsa
Há casos, já constatados, em que o fraudador abre uma conta, com dados falsos, apenas para receber o dinheiro.
A proposta de proibir a tomada de crédito em instituições de outro estado promove uma maior aproximação do beneficiário do INSS com o banco. Além disso, a medida evita o uso de intermediários na operação, o que contribui para aumentar a segurança dos financiamentos.
Fonte: ClickBrasilia

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Amianto: proibição, uso controlado ou imobilização?

Por Marco Antonio Utrera Martines, Daniela Grando Sidney, José Lima Ribeiro e Younes Messadeq*

O amianto ou asbesto é uma fibra mineral natural que pertence ao grupo dos silicatos cristalinos hidratados. Asbestos têm origem grega e significa "incombustível". A palavra amianto é de origem latina (amianthus) e quer dizer "incorruptível". As duas palavras são sinônimas, porém o termo amianto é mais empregado nos países de línguas neolatinas, entre eles o Brasil.
Os cientistas acreditam que o amianto foi formado na Pré-História, numa fase secundária da formação da crosta terrestre. Nesse período, rochas de silício (como a peridotita, composta por magnésio, sílica e ferro) foram alteradas fisicamente e pela pressão, pelo calor e pela água que lentamente infiltrava na superfície. Associada ao magnésio e à sílica, a água transformou a rocha hospedeira no que se chama de serpentina mineral. Este cristalizou-se nas fendas da rocha-mãe, formando veios de fibras paralelas, com 1 a 40 mm de comprimento.
As variedades de amianto desses dois grupos apresentam composições químicas, características físicas e propriedades semelhantes, embora também distintas tanto nas aplicações como nos riscos à saúde.

As serpentinas, como se observa no esquema, têm como principal variedade a crisotila (que, em grego, significa "fibra de ouro"). Também conhecida como amianto branco, essa variedade corresponde à cerca de 98,5% de todo amianto consumido no mundo. Suas fibras são curvas e sedosas. Os anfibólios são fibras duras, retas e pontiagudas. Agrupa-se em cinco variedades principais: amosita (amianto marrom), crocidolita (amianto azul), antofilita, tremolita e actinolita. Do ponto de vista econômico, os dois primeiros são os mais importantes. Muito utilizados até os anos 70, atualmente estão em desuso, por causa de seus efeitos sobre a saúde. Hoje, o amianto marrom e o amianto azul representam menos de 2% do consumo mundial, têm sua produção localizada na África do Sul e seu uso está praticamente em extinção.

Além de ser um material relativamente barato e de fácil extração, a estrutura fibrosa do amianto confere a ele propriedades físicas e químicas especiais, que o torna virtualmente indestrutível. Caracteriza-se por possuir propriedades que se destacam quando comparadas com outros materiais: alta resistência mecânica (comparada ao aço); elevada superfície específica, a qual indica o grau da abertura do material; incombustibilidade; baixa condutividade térmica; resistência a produtos químicos, particularmente estável em diferentes valores de pH; capacidade de filtrar microorganismos e outras substâncias nocivas; boa capacidade de filtragem; boa capacidade de isolação elétrica e acústica; elevada resistência dielétrica; durabilidade, resistindo ao desgaste e ABrasão; flexibilidade; afinidade com cimentos, resinas e isolantes plásticos; parede externa de caráter básico e compatível com a água e facilidade para ser tecido ou fiado.

Por conta destas propriedades as fibras de amianto crisotila são empregadas no Brasil e no mundo, em milhares de produtos industriais, sendo, cerca de 85% do seu uso na indústria de cimento-amianto ou fibrocimento (folhas e caixas d'água), 10% em materiais de fricção (autopeças) e 5% em outras atividades, sendo têxteis 3%, químicas/plásticas 2%.

O amianto foi, também, amplamente utilizado nas décadas de 40 e 50, na América do Norte, na Europa, na Austrália e no Japão, como isolante térmico e elemento de proteção contra o fogo. Essa aplicação era feita por jateamento (spray) de fibras e pó de amianto principalmente em construções metálicas, em caldeiras, geradores, vagões e cabinas de navios e trens, visando proteger passageiros e instalações dos efeitos de um eventual incêndio. Nessa aplicação, os trabalhadores eram expostos a quantidades excessiva de fibras em suspensão no ar. Por esse motivo, no início dos anos 70 o jateamento foi sendo progressivamente proibido em muitos países e praticamente já não existe no mundo inteiro.

O uso comercial desenfreado do produto no último século, levou a sua distribuição descontrolada pelo do mundo industrializado e a sua dispersão no ambiente. Com isso, alguns países da Europa proibiram sua utilização, bem como os produtos que o contenham, devido às doenças ocupacionais relacionadas à inalação de fibras de amianto. Asbestose, câncer de pulmão, mesotelioma e afecções benignas da pleura são as doenças, no aparelho respiratório, associadas à exposição às fibras de amianto.
Asbestose é uma doença pulmonar relacionada à prolongada inalação de poeira contendo alta concentração de fibras de amianto. É similar a silicose, causada pela exposição à sílica. As fibras alojam-se nos alvéolos pulmonares, e, para se defender, o organismo deposita sobre elas uma proteína semelhante a um "cimento" que cicatriza o alvéolo, impedindo que se encha de ar. Este processo, repetindo-se ao longo dos anos, pode tornar o pulmão fibrosado e sem elasticidade, com dificuldades respiratórias. O período médio de seu aparecimento é de 15 anos.
Câncer de pulmão é semelhante ao câncer causado pelo fumo, de longe o principal motivo da doença. Do início da exposição às fibras de amianto até o aparecimento do câncer, passam-se em média 20 anos. Estudos indicam que o risco deste câncer é maior nos fumantes, ou seja, o fumo e as fibras o potencializam. Mesotelioma é uma forma muito rara de tumor maligno que se desenvolve no mesotélio, a membrana que envolve o pulmão (pleura), o abdômen e seus órgãos (peritônio). O período médio de aparecimento da doença, desde o início da exposição, é de 30 a 40 anos.
Afecções benignas da pleura: além das doenças descritas a exposição às fibras de amianto pode causar algumas alterações de pleura, como áreas de espessamento, derrames ou placas pleurais. São consideradas benignas porque raramente provocam alguma deficiência pulmonar, sendo interpretada apenas como um sinal de exposição ao amianto. Não há relação com disfunções ou doenças pulmonares, como asbestose e o câncer.
Estudos médicos mostram que as fibras de amianto não provocam alteração em órgãos como os rins, os aparelhos digestivos e a pele. Só o pulmão pode ser afetado devido à inalação das fibras de amianto, mesmo assim, sob determinadas condições. São sugeridos três fatores que determinam a periculosidade das fibras: dimensões, durabilidade e dosagem. A dimensão é um fator importante pois determina se a fibra será transportada pelo ar e, portanto, respirável; fibras maiores do que 3 mm de diâmetro e 50-100 mm de comprimento não são capazes de penetrar nos pulmões. Das fibras que se alojam nos pulmões, as mais curtas do que 3 mm podem ser removidas por meio de mecanismos de defesa do organismo, de modo que as concentrações não se tornem muito altas ou a dosagem muito prolongada; as fibras mais perigosas, mesmo que em pequenas dosagens são as quimicamente duráveis, de 5-10 mm de comprimento e 0-1 mm de diâmetro.

Feixes de fibras que são capazes de se separar em diâmetros de 0-1 mm sem diminuição no comprimento, são particularmente perigosas, pertencendo a crisotila à categoria dos mais nocivos pois cada fibra desta variedade se separa num diâmetro médio de 0,25 mm. Além disso, há demonstrações de que um dos fatores responsáveis pela atividade biológica das fibras de asbesto crisotila está relacionado com a sua estrutura química, particularmente em relação à reatividade superficial do mineral.

O amianto no Brasil Até o final dos anos 30, o Brasil importava todo o amianto que consumia. No início da década de 40, começaram a ser pesquisadas no país pequenas jazidas, como a de Pontalina, no sul de Goiás. Porém essa produção ainda era insuficiente para as necessidades do mercado. Esse quadro começou a mudar em 1939, com a fundação da S.A. Mineração de Amianto - SAMA, que no ano seguinte implantou no município de Poções, na Bahia, a mina de São Félix. Essa unidade chegou a ter trezentos funcionários, mas foi desativada em 1967 por esgotamento de suas reservas. Nesse período, houve exploração de outras minas - entre as quais a de São João do Piauí e a da região de Batalha, em Alagoas.
A jazida que deu ao Brasil a auto-suficiência no setor de cobertura foi a mina de Cana Brava, em 1962. Ela está localizada em Minaçu (GO), cuja reserva estimada é suficiente para o suprimento do mercado interno por cerca de cinqüenta anos. Segundo a SAMA, a mina de Cana Brava produz fibras de amianto com alta pureza (sem contaminação) e com dimensões que a qualificam especialmente para a indústria do cimento-amianto, características dificilmente são encontradas em outras regiões produtoras. Assim, a mina de Cana Brava é a única em operação no país, sendo explorada a céu aberto. Sua produção inicial, em 1967, era de 400 toneladas anuais. Em 1971, atingiu 17 mil toneladas, subindo para 140 mil em 1979, até alcançar sua média atual de 200 mil toneladas por ano. Desde 1980, a mina atende à totalidade do consumo nacional, evitando os gastos de importação, que superam os US$ 100 milhões anuais, e ainda exporta de 30 a 40% de sua produção para dezenas de países, encabeçados por Japão, Tailândia, Índia e para o Mercosul, trazendo ao país divisas superiores a US$ 30 milhões anuais.

Além disso, trouxe grande desenvolvimento econômico e social à região, desde o início das atividades de extração e mineração das fibras de amianto crisotila. Ao redor da mina de Cana Brava, tornou-se um próspero município, Minaçu, com cerca de 60 mil habitantes, beneficiados de várias formas por sua atividade.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, preocupado com o impacto sócio-econômico da região com o banimento do amianto crisotila, em artigo de esclarecimento, publicado no jornal Folha de São Paulo (19/03/2001), saiu em favor à exploração do amianto por se preocupar com as milhares de famílias que, de alguma forma, tiram seu sustento do minério. Segundo ele, a proibição da crisotila advém de interesses econômicos internacionais, pela disputa de mercado, em substituir o mineral por fibras alternativas. Ainda nesse artigo, Perillo diz que a espécie de amianto explorada no Brasil não traz conseqüências maléficas à saúde humana, como a espécie explorada na Europa (anfibólio), visto que instituições sérias de pesquisa comprovaram o fato, e que a história da nocividade se baseia em estudos realizados no exterior, fornecidos pelo lobby que luta pelo banimento.

Está claro que há um jogo de interesse envolvido. De um lado está o perigo causado pela inalação das fibras de amianto, que pode condenar os trabalhadores à morte, de outro está a preocupação do governo de Goiás com a situação de desemprego, em Minaçu, que o banimanto acarretaria, e ainda há a questão do interesse econômico em substituir as fibras por outras alternativas, na briga pelo mercado.

O amianto é um material quase único no seu conjunto de propriedades. Em geral, para substituí-lo são necessárias várias outras substâncias, o que, ainda assim, raramente tem significado vantagem na comparação com o amianto. Alguns dos produtos alternativos já desenvolvidos foram inviabilizados por apresentarem custo muito superior, além de exigir investimentos em equipamentos e tecnologia. Há também a dificuldade técnica do desempenho do substituto, especialmente em aplicações como freios de veículos pesados (caminhões e trens) e sistemas de vedação e isolamento na indústria aeroespacial. Até hoje, nesses usos, nenhum outro produto ofereceu a eficiência e a segurança do amianto. E há ainda a questão do risco à saúde: as novas fibras devem ser mais seguras. No entanto, as pesquisas médicas indicam que os efeitos do amianto sobre a saúde são comuns à maioria das fibras, ou seja, em dimensões e doses suficientes, as fibras alternativas com durabilidade e persistência no tecido pulmonar podem ter efeitos nocivos semelhantes, por vários anos. É preciso ponderar: enquanto o amianto tem sido estudado exaustivamente há mais de cinqüenta anos, conhecendo-se bem os limites de seus efeitos sobre os trabalhadores expostos em várias condições, as demais fibras são de uso mais recente (10 a 20 anos), e será necessário um período mais longo para que sua ação, a longo prazo, seja conhecida.

Considerando esses aspectos, a Organização Mundial de Saúde publicou o Critério de Saúde ambiental 151, no qual recomenda: "Todas as fibras respiráveis biopersistentes devem ser testadas quanto à toxicidade e à carcinogênese. Exposições a essas fibras devem ser controladas da mesma maneira que para o amianto". Ou seja, todas as fibras respiráveis devem estar dentro do limite de tolerância, em que não há risco à saúde do trabalhador. Em virtude disto, houve uma preocupação muito grande para retirar a propriedade fibrosa da superfície do amianto. Três métodos de impermeabilização de amianto foram desenvolvidos: i) vitrificação in situ por efeito Joule; ii) fusão das fibras de amianto utilizando-se plasma (processo INERTAM); iii) destruição das fibras em matriz vítrea de fosfato.

O método de vitrificação in situ baseia-se no princípio de que os vidros fundidos conduzem eletricidade. Como o solo é bastante rico em silício (solo arenoso e/ou argiloso) o seu aquecimento em temperaturas elevadas (1400 - 1800°C) resulta na formação de uma massa fundida [passagem do estado sólido para o estado líquido, por exemplo como na transformação do gelo (água no estado sólido) para água no estado líquido]. Nesta condição este material líquido conduz corrente elétrica. O aquecimento do amianto, em alta temperatura, resulta na formação de um vidro. Esta técnica depende das propriedades do solo, da morfologia e da condutividade. Depende do tamanho de grão, do contato entre eles, da presença de íons de metais alcalinos e alcalinos terrosos, depende da quantidade de oxigênio nestes íons, da mobilidade dos íons, da viscosidade do material fundido e presença de água.

O processo INERTAM consiste no tratamento do amianto a ser vitrificado sobre o efeito de plasma quente até o ponto que permite a obtenção de uma massa vítrea inerte, não se comportando como fibras de amianto. Este método é muito caro e implica no transporte do amianto, em sacas, até o local para tratamento. O método que envolve a destruição de amianto em matrizes fosfatos baseia-se no tratamento das fibras de amianto pelo uso de uma substância coloidal, chamada coacervato. Esta substância, parecida com um gel, é formada a partir de um polímero inorgânico de fosfato, um sal de cálcio e água, os quais não apresentam quaisquer riscos à saúde e que se encontram em pequenas quantidades na própria água que bebemos e no creme dental que utilizamos. Este método foi desenvolvido pelo prof. Vast da Universidade de Lille, França. A vantagem deste método na destruição das fibras de amianto se deve ao fato de que o coacervato é capaz de molhar e de envolver as fibras, tornando-as facilmente manipuláveis. Ainda, o coacervato atua como agente fundente, ou seja, reduz a temperatura de fusão destas fibras minerais, permitindo assim a sua destruição em temperaturas inferiores a 1000°C.

Os pesquisadores Marco Antonio Utrera Martines e Véronique Andriès (Pós-Doutorandos), Daniela Grando (Mestrando) e os professores doutores Younes Messaddeq e Sidney José Lima Ribeiro, do grupo de Materiais Fotônicos do Instituto de Química da Unesp - Araraquara, pesquisam a imobilização de fibras de amianto crisotila, a partir de solução de polifosfato de sódio e de coacervatos de cálcio, de magnésio e de zinco. Outro trabalho desenvolvido pelo grupo é a destruição das fibras de amianto em pisos cerâmicos utilizando-se coacervatos de cálcio. Os resultados obtidos a partir desta proposição sugerem que se possam obter diversos materiais potencialmente interessantes, através de tratamentos térmicos adequados. Pode-se obter, por exemplo, materiais cerâmicos com elevada estabilidade mecânica e térmica a semelhança dos chamados cimento-amianto, assim como materiais compósitos coacervato-amianto com propriedades térmicas interessantes. Outro aspecto importante deste projeto de pesquisa é a destruição das fibras de amianto pela formação de vidros quando aquecido a temperatura acima de 800°C.

Este projeto de pesquisa, no valor de R$ 40.000,00, é financiado pela Fapesp. Os pesquisadores Marco Utrera Martines e Daniela Grando também são bolsistas da Fapesp.
(*) Marco Antonio Utrera Martines é pós-doutorando no IQ/Unesp. Daniela Grando é mestranda no IQ-Unesp. Younes Messadeq e Sidney José Lima Ribeiro são professores doutores do Departamento de Química Geral e Inorgânica do IQ/Unesp