sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Programa Cidadão Bombeiro

“A PROTEÇÃO DA VIDA COMO UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA”

Buscando disseminar a prevenção de acidentes e proporcionar uma melhor qualidade de vida à comunidade, o Corpo de Bombeiros de Marília e Região desenvolve, gratuitamente, palestras básicas envolvendo assuntos de bombeiros, tais como: pronto-socorrismo, acidentes no lar, procedimentos no caso de queimaduras, prevenção de acidentes envolvendo motociclista, regularização de edificações (obtenção do Auto de Vistoria do CB), dentre outros.
As palestras são realizadas, semestralmente, no auditório do 10º Grupamento de Bombeiros, situado à Av. Nelson Spielmann, 1219, 1º andar, Centro, Marília/SP.
As vagas são limitadas e poderá haver a emissão de certificados aos participantes, mediante um ato de civismo/cidadania, como por exemplo: doação de sangue, doação de medula, atividades filantrópicas, conforme consenso entre os participantes.
Participem.
PARTICIPEM TAMBÉM DA COMUNIDADE NO ORKUT DO "PROGRAMA CIDADÃO BOMBEIRO".

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

27 de Novembro - Dia Nacional do Profissional de Segurança do Trabalho


Hoje é o dia do Profissional de Segurança do Trabalho.

O anjo da guarda do trabalhador, aquele que tem um papel fundamental no piso de fábrica, mas nem sempre é reconhecido pelo empregador e pelos colaboradores.

Muitas vezes são taxados pelos colaboradores: como o profissional chato, que só pega no pé, o que veio para prejudicar e atrapalhar o serviço e pelo empregador como o inventor de moda, que isso não acontece aqui, lavem despesa, etc.., ninguém vê que ele sai de casa com um único objetivo, "Que todos os seus colaboradores voltem para suas casas, inteiros, sem nenhum acidente ou incedente.

São apenas lembrado na hora do acidente, do incidente, no principio de incêndio, etc... e sempre vem com aquelas famosas perguntas "Como você não viu essa situação? O que você deixou de fazer para evitar isso?"

Mas, apesar de todos os problemas que enfrentamos, a falta de apoio que recebemos em muitas empresas, a falta de gratidão... essa é uma profissão MARAVILHOSA, e com certeza todos nós temos muito orgulho de ser PROFISSIONAL DA ÁREA DE SEGURANÇA DO TRABALHO.

Parabéns a todos, e que DEUS continue iluminando a nossa vida, sempre renovando a nossas forças e nossa sabedoria para que possamos continuar sendo ótimos profissionais.
JEFFERSON

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aprovado projeto que obriga empresa a fornecer bloqueador solar a quem trabalha ao sol.

O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (14) projeto que inclui o protetor, o bloqueador ou o filtro solar entre os equipamentos e produtos de proteção dos trabalhadores, desde que eles exerçam suas atividades ao sol (PLC 111/05). O Ministério do Trabalho terá de incluir tais produtos na legislação de proteção aos trabalhadores.

O projeto obriga ainda o Sistema Único de Saúde (SUS) a distribuir gratuitamente protetor solar aos pacientes acometidos de doenças causadas ou agravadas pelo sol, como câncer de pele.
Os senadores aprovaram um substitutivo que o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) apresentou a um projeto oriundo da Câmara dos Deputados, proposto pela ex-deputada Laura Carneiro. A proposta ainda será submetida a uma votação suplementar e depois seguirá para exame dos deputados, pois o projeto original recebeu alterações.

O projeto substitutivo institui a Campanha Nacional de Prevenção da Exposição Indevida ao Sol, obrigando o governo a veicular todo ano, nos meios de comunicação, uma campanha durante as férias escolares abordando o assunto. Determina ainda que os fabricantes de "embalagens ou etiquetas de produtos associados à exposição ao sol" coloquem advertências sobre a exposição indevida ao sol.
Mais: nas campanhas publicitárias desses produtos, as empresas incluirão advertências sobre os malefícios da exposição indevida ao sol.
O projeto original previa que o SUS teria de distribuir protetores solares a quem trabalha ao sol, mas o senador Papaléo Paes concluiu durante a discussão da matéria que isso seria praticamente inviável. Assim, a exigência do protetor será limitada a quem teve ou enfrenta doença causada ou agravada pelo sol.
Já as empresas terão de fornecer o produto aos seus empregados junto com os equipamentos de proteção dos trabalhadores.

Aumentam casos de depressão decorrente do trabalho, diz governo

Levantamento feito pela Previdência Social entre 2006 e 2008 aponta um aumento nos casos de depressão decorrentes das condições de trabalho. O crescimento foi superior ao registrado de doenças na coluna e articulações. No mesmo período, caiu o número de acidentes de trabalho envolvendo lesões e traumatismos em geral.
Os casos de depressão e demais transtornos mentais e de comportamento aumentaram de 0,4% para 3% sua participação no volume total de auxílios-doença pagos na categoria de "acidentes de trabalho". Esse aumento só não superou o registrado no grupo dos tumores.
A classificação de uma doença como acidente de trabalho cabe ao médico perito e impõe ônus aos empregadores, como a garantia de estabilidade por 12 meses, depois de o trabalhador se recuperar. A Previdência paga aos afastados por mais de 15 dias benefício mensal entre um salário mínimo (R$ 415) e o teto de R$ 3.038,49.
Remigio Todeschini, diretor do departamento de saúde e segurança ocupacional da Previdência, avalia que havia subnotificação dos casos de depressão classificados como acidentes de trabalho. Projeção feita em 2000 pela Organização Mundial da Saúde indica que casos de transtornos depressivos vão mais do que dobrar no período de 20 anos.
Regras
No início de 2007, um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a metodologia adotada pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para classificar doenças do trabalho e instituiu o NTEP (Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário), que cruza a classificação internacional de doenças com a incidência delas.
Os peritos usam a listagem para apontar relações entre a doença e a atividade. Desde a mudança, mais do que dobrou o número de casos classificados como acidentes de trabalho.
Entre os fatores de risco de transtornos mentais, o decreto lista a exposição a substâncias tóxicas e situações como ameaça de perda de emprego e ritmo de trabalho penoso.
O decreto permite às empresas contestar o vínculo entre a doença e o trabalho -por ora, não há recursos.
O decreto também lista 78 atividades que imporiam mais risco. Segundo o professor da UnB e consultor do Ministério da Previdência, Wanderley Codo, os mais suscetíveis são bancários, professores e policiais.
Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Comissão define combate a acidentes no transporte e na construção.

A Comissão Tripartite de Saúde Segurança no Trabalho se reúne nesta segunda-feira (24), na cidade de São Paulo, para discutir ações e iniciativas que serão tomadas para combater os acidentes e doenças do trabalho nos setores do transporte rodoviário de carga e da indústria da construção.


O objetivo dessa reunião da comissão - composta por representantes dos ministérios da Previdência Social, da Saúde e do Trabalho e Emprego e dos trabalhadores e empresários - é apresentar, ao final do encontro, um plano de trabalho com as principais diretrizes, metas e linhas de ação para o combate às doenças e acidentes do trabalho nesses dois setores econômicos.


O trabalho da comissão está sendo feito com base nas informações do Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho de 2006, elaborado pelos ministérios da Previdência Social e do Trabalho e Emprego.

A decisão da comissão em começar o trabalho de prevenção pelos setores da construção - edificações, obras viárias e construções de estações e redes de distribuição de energia elétrica – e do transporte rodoviário de cargas tem uma razão muito forte: juntos, os dois segmentos são responsáveis por 28% da mortalidade no país e 18% de incapacidades permanentes para o trabalho.

O diretor do Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional do Ministério da Previdência Social, Remigio Todeschini, diz que está otimista com o trabalho da comissão. “Reunir representantes dos trabalhadores e empresários para discutir, com o governo, meios de se ampliar ações e políticas no campo da prevenção acidentária, capacitação e vigilância sanitária é uma vitória de toda a sociedade brasileira”.

Ele também faz questão de frisar que é a primeira vez que trabalhadores e empregadores sentam juntos para definir, de fato, um plano de trabalho na área de Saúde e Segurança do Trabalho.

Convenção da OIT - A criação da Comissão Tripartite de Saúde e Segurança no Trabalho significa um passo importante ao processo de ratificação da Convenção 187, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Esse reconhecimento foi respaldado em reunião da Comissão Americana de Prevenção de Riscos no Trabalho, na 24ª Assembléia Geral da Conferência Interamericana de Seguridade Social (CISS), realizada no início deste mês em Salvador.

Na comissão, os empresários são representados pelas confederações nacionais do Comércio, Indústria, Agricultura e Pecuária, Transporte e Instituições Financeiras. Os trabalhadores participam com representações da Central Única dos Trabalhadores, da Força Sindical, da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, da União Geral dos Trabalhadores e da Nova Central Sindical dos Trabalhadores.

A comissão foi criada em maio, pelos ministros da Previdência Social, da Saúde e do Trabalho e Emprego, com três objetivos: revisar e ampliar a proposta da Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador; propor o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Segurança e Saúde do Trabalho e elaborar o Programa Nacional de Saúde e Segurança do Trabalho. Esta será a segunda reunião de trabalho da comissão. A primeira aconteceu no final de setembro, em Brasília.

Fonte: Ministério da Previdência Social

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Área está contaminada por benzeno em São Bernardo

Parecer técnico da Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental) aponta que cerca de 800 famílias do Jardim das Oliveiras, em São Bernardo, devem deixar o local onde moram por estarem em cima de um antigo lixão contaminado por benzeno, substância cancerígena encontrada em quantidade 196 vezes maior do que a permitida. A exposição a que estão sujeitas as famílias faz com que o Ministério Público peça a remoção dos moradores.
A pedido do MP, a avaliação da Cetesb aponta que uma amostra da substância colhida no Jardim das Oliveiras 3 - um dos loteamentos da área - registrou concentração de 353 miligramas por quilo, quando as normas admitem para ambientes abertos a concentração de 1,81 miligramas por quilo.

Uma ação judicial se arrasta desde 1995 sem que haja uma decisão concreta pela remoção das famílias seja da Prefeitura, Cetesb ou MP. A análise elaborada pela Cetesb foi realizada tendo como base relatórios do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), contratado pela Prefeitura. A Cetesb classificou a situação a que estão submetidos os moradores como de risco inaceitável.

O benzeno e outros resíduos prejudiciais estão concentrados em maior parte na quadra C, entre as ruas Porto Seguro e Leonino Pessoa, porém, as cerca de 3.000 pessoas que moram no Jardim das Oliveiras podem estar expostas ao problema. "Esse risco não está só delimitado nesse loteamento porque todos estão encostados uns aos outros. Existe uma séria possibilidade de que outras regiões também estejam contaminadas porque os resíduos atingiram o lençol freático", afirmou a promotora Rosangela Staurenghi.

O diretor do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica) do Hospital das Clínicas, Anthony Wong, vê os valores de contaminação indicados pela Cetesb como preocupantes.

O benzeno é apontado por Wong como substância com enorme restrição no mundo inteiro, pois provoca a diminuição da produção de leucócitos, glóbulos vermelhos e plaquetas, podendo causar aplasia medular. A presença elevada de benzeno no ambiente pode provocar problemas imunológicos graves, falhas na coagulação e até mesmo leucemia.
Fonte: diario do ABC

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A rotina de equipes do Corpo de Bombeiros

Na última sexta-feira, 14, o alarme do posto Butantã do 4º Grupamento dos Bombeiros de São Paulo tocou, anunciando mais uma ocorrência a ser atendida. Rapidamente, o sargento Carlos Alberto Brasil, de 44 anos, foi até a sala de radiocomunicação se interar sobre a ocorrência. Em minutos, um caminhão da corporação cortava as ruas e avenidas do bairro com as sirenes ligadas.

Naquele dia, o jornalista acompanhou de perto a rotina no quartel. Nas oito horas em que a reportagem passou no posto, os bombeiros atenderam duas ocorrências: uma queda de moto e um resgate de vítima presa em ferragens.

O primeiro acidente ocorreu às 17h40, no km 13 da Rodovia Raposo Tavares, a menos de 1 km do quartel. Para chegar até o posto Butantã, a informação trilhou um caminho padrão para toda ocorrência. “Primeiro, o solicitante liga 193. Sua ligação cai no Cobom (Centro de Operações dos Bombeiros). Lá, o operador vai triar a ocorrência, de acordo com a área e o tipo”, disse a sargento Priscila Mayume Oyama Ricardo, de 27 anos.

Ao verificar que a queda de moto ocorreu na região do Butantã, o Cobom entrou em contato com o setor de comunicações do quartel. Quem recebeu a ocorrência foi o soldado Clovis Rodrigues, de 40 anos. “Aciono o tipo de veículo a ser utilizado e passo a informação sobre o tipo de ocorrência para os outros bombeiros”, disse.

Com os dados da ocorrência em mãos, o sargento Brasil seguiu com mais dois bombeiros, a bordo de um caminhão, até ao local do acidente. Em menos de cinco minutos, o veículo vermelho e com as sirenes ligadas já emparelhava com duas motos caídas na Rodovia Raposo Tavares.
Em meio à rodovia, os bombeiros deslocaram as motos para a faixa da direita da pista. As vítimas, que sofreram escoriações leves, também foram atendidas naquela faixa. Com fortes dores nas costas, um dos motoqueiros foi imobilizado. “Estabilizamos a vitima até a chegada de uma viatura do resgate”, disse o sargento.
Casos de atropelamento e acidentes de trânsito cujas vítimas não ficam presas em ferragens são atendidos geralmente por vans do resgate. Nesta ocorrência, porém, foi utilizado um caminhão modelo auto-bomba, de combate a incêndios, pois o veículo de resgate do posto Butantã estava atuando em outro acidente. “A prioridade é o atendimento à vitima”, disse o soldado Rodrigues.

Com a chegada do resgate de outro posto, a vítima foi encaminhada a um pronto-socorro da região. Durante o atendimento ao motoqueiro, os bombeiros entraram em contato com o Cobom informando os tipos de ferimentos que ele sofreu. “Na central, temos um médico controlador que, com base nos ferimentos da vítima, a encaminha para o hospital mais próximo da região que seja apto a atender o tipo da ocorrência”, disse a sargento Priscila.

Um casal que estava na outra moto envolvida no acidente sofreu apenas arranhões nos braços e nos pés. Com o fim do atendimento, o tráfego voltou ao normal e o caminhão retornou ao posto.
Nível três

Uma hora após essa ocorrência, a reportagem foi conversar com o sargento Brasil. A entrevista, porém, teve de ser interrompida devido a um novo acidente. “É código três”, disse o bombeiro.
Dividido em três níveis, as ocorrências são classificadas por códigos, que irão definir a forma como o veículo da corporação irá trafegar. No código um, o caminhão ou a van do resgate trafega como um carro normal, sem sirene. No código dois, apenas os sinais luminosos são ligados. No código três, a sirene, emitindo som e luz, é acionada.

No caso relatado acima, o caminhão auto-bomba saiu do posto com a sirene em alto e bom som para atender um acidente em que uma vítima ficou presa nas ferragens. Na Rua Padre Jorge Benci, no Jardim João XXIII, um homem aparentemente alcoolizado perdeu o controle de seu veículo, um Palio, e se chocou contra um poste. Pela violência da batida, a porta da esquerda ficou amassada e a direção se deslocou para a frente, impossibilitando sua saída.

Às 18h45, em pleno horário de pico, os bombeiros enfrentaram um de seus maiores inimigos: o trânsito. Segundo o cabo Sérgio Rogério dos Santos, de 35 anos, ele é uma das maiores causas de estresse no dia-a-dia. “O trânsito, o atendimento, a necessidade de não se envolver emocionalmente na ocorrência, isso tudo pode afetar a pessoa com o passar dos anos”, disse.

Contando com a colaboração dos outros motoristas, o caminhão de bombeiros conseguiu abrir caminho e chegar ao local da ocorrência apenas 20 minutos após o recebimento da ocorrência.
“Quando chegamos lá, encontramos dois carros: um do resgate e outro do Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência]”, disse o sargento Brasil. “Como não tinham equipamento para a retirada da vítima, nos chamaram com o auto-bomba”, acrescentou.

Isolar área

A área estava lotada de curiosos. O cabo Santos, piloto da van de emergência, se ocupava com a retirada das pessoas do local, para facilitar o trabalho dos colegas. “Como motorista, me preocupo em sinalizar a viatura, sinalizar os veículos envolvidos para que se mantenha uma distância de segurança, e afastar o público. Feito isso, coloco as luvas para auxiliar no socorro.”
Com a área isolada, a equipe de Brasil iniciou o trabalho de retirada da vítima. Para desbloquear a porta, foi utilizada uma espécie de alavanca hidráulica. Sem esforço, a porta se abriu e os bombeiros iniciaram a imobilização do homem.

Dentro da van de emergência, ele foi medicado e encaminhado a um pronto-socorro. “Inicialmente, o levaríamos ao Hospital Universitário, que é público. O homem disse que tinha convênio e, por isso, foi levado ao Hospital Itamaraty, que é particular”, afirmou Brasil.
Conforme o cabo Santos, é comum as vítimas serem questionadas se têm plano de saúde. “Dessa forma, desafogamos o serviço público”, disse. Com a transferência da vítima, o caminhão com a equipe de Brasil retornou ao posto.
Chegando ao quartel, Brasil foi jantar. Eram 20h30 quando ele se despediu da reportagem. Apesar de ter entrado em serviço às 7h30, seu turno estava longe de terminar. “Trabalhamos 24 horas e temos descanso de 48 horas”, disse.
Questionado sobre a correria de seu dia-a-dia, da luta constante contra o tempo, afirmou: “Assim é a nossa rotina. Eu gosto do que faço”, finalizou, sorrindo.
Fonte: G1

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A arte de delegar funções

Não basta ter uma empresa, é necessário ser um bom empreendedor e saber quando é preciso delegar funções aos seus funcionários.

Você está totalmente envolvido com seu trabalho e acaba nunca tendo tempo para planejar o futuro da empresa, de rever estratégias ou garimpar novos clientes? Você não é o único. Atualmente, muitos empreendedores estão enfrentando dificuldades na hora de delegar funções. Com o excesso de centralização das atividades, muitas empresas escorregam daqui, escorregam dali e, nunca saem do lugar.

Para a ACEB - Associação Comercial Empresarial do Brasil, o problema é com os próprios empresários, que ao invés de se dedicarem às estratégias de funcionamento do negócio, votam seu tempo exclusivamente às tarefas do dia-a-dia da empresa.

“Situações como essas não podem acontecer dentro de uma empresa. Para o bom funcionamento, é extremamente importante traçar novas metas, mudar as estratégias de trabalho, de atendimento ao cliente, buscar novas parcerias e clientes. É muito importante inovar para não ser passado para trás por seus concorrentes”, explica o diretor de relações institucionais da ACEB, Irineu de Ascenção.

Para não deixar o desempenho profissional a desejar, confira abaixo algumas dicas da ACEB para tornar mais fácil o ato de delegar tarefas:

- Deixe suas expectativas bem claras: ao delegar uma tarefa, deixe claro a importância do trabalho em questão e quais são os resultados esperados, as eventuais dificuldades previstas e os prazos de entrega;

- Capriche no treinamento: treine os funcionários para que eles dêem conta das novas tarefas e ofereça ajuda nos momentos de dificuldades. Procure não cair na tentação de fazer o trabalho no lugar deles. Outro fator importante é reconhecer que tropeços fazem parte do processo de aprendizado;

- Seja flexível: é muito importante reconhecer o trabalho dos funcionários e admitir que muitas vezes, eles podem realizar tarefas de modos diferentes ou até melhor que você;

- Reconheça o trabalho alheio: quando um funcionário é elogiado em alto e bom tom, os demais funcionários acabam criando bons padrões de desempenho;
- Delegue tarefas completas: é muito prazeroso poder fazer uma tarefa do início ao fim, do que fazer vários pedaços de tarefas diferentes. Então, ao delegar processos completos, aumenta as chances de o trabalho final sair com um resultado melhor.
Fonte: ACEB - Associação Comercial Empresarial do Brasil

27 de Novembro - Dia Nacional do Profissional de Segurança do Trabalho



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

MTE e SRTE/PR lançam cartilha ilustrada por Ziraldo

O Ministério do Trabalho e Emprego lançou na segunda-feira, 17, as cartilhas de combate ao trabalho infantil: "Viva o Trabalho" e "Saiba Tudo Sobre o Trabalho Infantil", produzidas pela pasta e ilustrada pelo cartunista Ziraldo. O evento aconteceu em Curitiba/PR, às 10h, e contou com a presença do ministro Carlos Lupi. Além disso, a Superintendêcia Regional do Trabalho e Emprego no Paraná, organizadora do evento, aproveitou a ocasião para lançar o projeto Boas Práticas de Segurança e Saúde no Trabalho.
De acordo com o superintendente João Graça, os projetos são fundamentais para conscientizar a população sobre a importância do trabalho de fiscalização desenvolvido pelos agentes do MTE.

Cartilhas
O material foi desenvolvido pelo Ministério em conjunto com SRTE/PR. A iniciativa surgiu com a percepção do Núcleo de Apoio a Programas Especiais da Superintendência paranaense de que um projeto focado na criança ajudaria em muito nas ações de combate à exploração da mão-de-obra infantil.
A primeira cartilha, "Viva o Trabalho", tem o intuito de sensibilizar a população e traz textos explicativos e situações que projetam a dimensão do trabalho infantil no país. "Precisamos, antes de tudo, informar a população sobre o que é o trabalho infantil e por que ele é combatido", afirma a coordenadora do Nape e auditora fiscal do Trabalho (AFT), Fernanda Matzenbacher.
Já a segunda, "Saiba Tudo Sobre Trabalho Infantil", é mais informativa e traz dados sobre o que diz a legislação, apresenta motivos para a criança não trabalhar e evidencia problemas que o trabalho prematuro pode causar à saúde da criança e do adolescente. Os conteúdos técnicos foram desenvolvidos com o apoio de uma equipe do MTE, selecionada pela Divisão de Fiscalização do Trabalho Infantil.
Segundo a coordenadora do Nape, a realização da cartilha é de extrema complexidade e relevância. Fernanda diz que é preciso ressaltar a importância das brincadeiras e do aprendizado para a construção da personalidade, da estrutura emocional e das condições de vida futuras da criança e do adolescente.
Boas Práticas
No dia 17 também aconteceu a solenidade que lançou o Projeto Boas Práticas de Segurança e Saúde no Trabalho - que tem o objetivo de estimular as atividades das empresas no que se refere à prevenção dos acidentes. "Vamos promover e adotar práticas educativas de Saúde e Segurança no Trabalho, como forma de diminuir o número de acidentes e de Doenças Ocupacionais", pondera o superintendente do Trabalho, João Graça.
A criação do Projeto foi proposta pelo superintendente no dia 28 de abril - Dia Internacional em Memória às Vitimas de Acidentes de Trabalho e Doenças Relacionadas ao Trabalho - durante o lançamento da Campanha de Prevenção e Combate aos Acidentes de Trabalho. Segundo Graça, o Estado não pode continuar perdendo tanta mão-de-obra devido ao descaso das empresas e, até mesmo, de alguns trabalhadores que temem denunciar.
Como forma de incentivo, a SRTE/PR irá premiar as empresas que estiverem de acordo com as normas de Saúde e Segurança do Trabalho. A abertura das inscrições para participar do Projeto será feita durante o evento. As empresas que se inscreverem poderão demonstrar suas ações que estão contribuindo para a redução de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. O reconhecimento oficial das iniciativas, projetos e ações apresentadas pelas empresas com os melhores resultados está previsto para 2010.
Fonte: Assessoria Imprensa MTE e SRTE/PR

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vigilância Sanitária interdita fábricas de cosméticos na Grande BH

Nove empresas inspecionadas, sete fábricas totalmente interditadas e mais de 160 toneladas de produtos embargadas. Esse é o balanço de uma série de ações realizada pela Vigilância Sanitária Estadual (Visa), em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), durante toda a semana passada. Os fiscais estiveram em indústrias e distribuidoras de cosméticos, localizadas em Belo Horizonte, Contagem e Ribeirão das Neves.
“Recebemos denúncias de que empresas voltadas para a fabricação e distribuição de produtos da área de beleza apresentariam várias irregularidades. Por isso, fomos verificar e, ao constatar os problemas, adotamos as medidas necessárias para resguardar a saúde da população”, afirmou a gerente da gerência de vigilância em medicamentos e congêneres (GVMC) da Vigilância Sanitária Estadual, Maria José Drummond.
Dentre as principais irregularidades encontradas destacam-se matéria-prima vencida, produtos sem notificação ou registro na Anvisa, além de rótulos indicando finalidades terapêuticas, o que não é permitido para cosméticos, somente para medicamentos.
“São cosméticos que prometem benefícios não comprovados ou ainda que só poderiam ser oferecidos por medicamentos. Além disso, constatamos um mesmo número de registro na Anvisa sendo utilizado em produtos distintos, bem como descumprimento das normas legais para rotulagem”, explicou Maria José.
Os fiscais também verificaram que várias empresas não cumpriam as regras de produção determinadas pela Anvisa, chamada de Boas Práticas de Fabricação (BPF).
“Encontramos, por exemplo, materiais sendo produzidos sem as devidas identificações. Em algumas empresas, também percebemos que não havia segregação entre a área de descarte e a de produção”, contou.
Foram realizadas interdições cautelares de estabelecimentos e produtos, ficando assim proibida a produção e comercialização enquanto aguardam o processo. Caixas contendo xampús, condicionadores, loções, cremes hidratantes e sabonetes líquidos de diversas marcas ficaram em ambientes lacrados nas fábricas interditadas, em um total de 145 toneladas. Outras 22,4 toneladas de produtos de grau 2, ou seja, que oferecem maior risco à saúde, como sabonete íntimo e desodorantes, foram recolhidos ao depósito da Secretaria Estadual de Saúde e estão sob guarda do Estado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Rir é o melhor negócio

Por Max Gehringer
Com bom humor, o difícil fica mais fácil. Além do que, ser mal-humorado dá um trabalho...
Como muitos leitores aí, eu também me sinto parte de um dos grupos minoritários mais desamparados do mercado de trabalho brasileiro: o dos bem-humorados. Somos minoria mesmo. Não há legislação específica que nos proteja, estamos carentes de um código de defesa do bom humor, e nem sequer temos uma ONG que nos represente. Comecei a perceber essa discriminação lá pela minha 30a entrevista de emprego, ao notar que os entrevistadores nunca me diziam: "Descreva uma situação que você resolveu usando o bom humor". Ao contrário, eles faziam aquela cara carrancuda e me perguntavam como eu reagia sob pressão, quantas pessoas já havia despedido pessoalmente e outros detalhes amargos do gênero.
Como ocorre com todas as minorias, os bem-humorados acabaram por se transformar em vítimas indefesas de uma conspiração em larga escala para desestabilizá-los profissionalmente. Mas, a bem da verdade, eu reconheço que os bem-humorados têm lá sua parcela de culpa nisso porque insistem em fazer o possível para irritar o próximo. Como chegar ao trabalho com aquele gestual provocativo (sorrisos e tentativas de abraços são manifestações recorrentes), atitudes que ainda são pioradas pelo uso contumaz de palavras ofensivas (tipo "bom dia!").
O restante dos funcionários não entende, com toda razão, como alguém consegue repetir esse absurdo. Bom dia, quando o dia, obviamente, não vai ser bom?! A coisa já começa de manhã cedo, no trânsito (e suas duas condições possíveis: parado e parando). Só que, às vezes, o inesperado acontece: no meio da confusão, um condutor olha para seu vizinho de engarrafamento e sorri. E qualquer pessoa normal sabe o que isso significa. Cuidado! Numa fração de segundo, os vidros são fechados e as portas travadas. Por quê? Porque, do jeito que a coisa anda, quem vai para o trabalho já entra no carro antevendo a possibilidade de um assalto, mas não a de um sorriso.
Já me perguntaram por que, então, contrariando a lógica, os funcionários bem-humorados insistem em sua cruzada inglória. E a resposta é muito simples: porque nós somos, sobretudo, preguiçosos. Já percebemos que viver mal-humorado dá muito mais trabalho.
Empresas x bom humor
Empresas são apenas números impessoais de CNPJ. Acontece que elas são habitadas por seres humanos, que vêm e que vão (ultimamente, com a crise, mais vão do que vêm). E seres humanos, sim, podem ser bem ou mal-humorados. O tal ambiente interno de uma empresa é simplesmente o resultado de algo chamado "o exemplo que vem do alto". E o funcionamento é de uma lógica cartesiana: em empresas que confundem seriedade com cara fechada, rir é pedir para ser punido. Daí a pergunta: é possível ir contra o sistema, ser bem-humorado e, apesar disso, progredir na carreira? Depois de passar por várias empresas, e apesar de alguns dissabores, continuo achando que a resposta é "sim".
Minha vivência me ensinou algumas coisinhas importantes. A principal delas é que, com bom humor, o difícil fica mais fácil. E aqui vai um exemplo prático: suponha que você, leitor, tenha um cargo importante em sua empresa (se você tem mesmo, então não suponha). Você tem uma sala grande, decorada com quadros expressionistas na parede, e todos aqueles instrumentos cheios de rococós, que nem sabe direito para que servem, ornamentando a sua mesa.
E um dia, sob essa mesma mesa, descobre, para sua absoluta surpresa, uma cueca. Hã? Uma cueca, dentro de sua inexpugnável fortaleza?
Pois é, pode acontecer. E aconteceu comigo, quando eu era presidente da Pepsi-Cola Engarrafadora. Pense bem: o que você faria numa situação dessas? Sua sacrossanta sala foi invadida e sabe-se lá o que ocorreu dentro dela na calada da noite! Você mudaria a fechadura da porta? Trocaria a senha do micro? Instauraria um inquérito? Como eu não sabia bem o que fazer, chamei nosso VP de RH, o Román Santini, e mostrei-lhe a indumentária. E ele sabiamente e argentinamente, disse: "Não é minha. Eu só uso cueca 'samba-canción' ". Como também não era minha, começamos a pensar em como tratar o problema. A solução foi escrever este memorando, aqui reproduzido integralmente:
De: Presidência
Para: Todos os funcionários

Apareceu do nada, num recôndito de minha sala, uma cueca de cor branca, de grife. Ao constatar que a mesma não era de minha propriedade, procurei o senhor vice-presidente de RH (para obter algum aconselhamento, não porque suspeitasse dele). Disse-me o ilustre VP, do alto de seus 30 anos de vida profissional, que certas coisas se devem jogar no lixo e esquecer, porque encontrar a explicação pode ser muito pior. Mas prontificou-se a pensar em algo criativo que nos levasse ao usuário da cueca. Só que o problema mostrou-se mais complicado do que parecia, devido às seguintes circunstâncias:

1. O dono da cueca poderia ter alguma dificuldade para explicar como é que a tal peça de vestuário foi parar em minha sala.
2. Uma pesquisa de flagrante (em que cada um dos funcionários do sexo masculino fosse convidado a mostrar a respectiva cueca para ver se o modelo combinava) poderia gerar constrangimentos desnecessários.
3. Se aparecesse mais de um pretenso proprietário reclamando a posse da cueca, não haveria como decidir qual deles seria o legítimo dono.
4. Poderíamos pensar em fazer um teste de laboratório -- tipo assim o DNA da cueca --, mas isso custaria caro e estamos tentando evitar incorrer em gastos supérfluos.
5. Não sendo identificado o legítimo dono, uma hipótese seria vender a cueca pela melhor oferta, como fizemos com os carros e os celulares. Aí, o problema seria determinar o valor de mercado de uma cueca usada. Além disso, estaríamos vendendo um bem que não consta nos ativos da empresa, o que é contra as melhores práticas contábeis e nos daria problemas com a auditoria.
6. Pensou-se que a cueca poderia ser sobra de algum concurso (um brinde que não foi reclamado pelo vencedor). Afinal, se damos camisetas e bonés, por que iríamos discriminar uma pobre cueca? Mas nada consta em nossos registros, embora o pessoal de marketing tenha achado a idéia bastante razoável para uma futura campanha promocional.
Assim sendo, tomou-se a decisão de deixar a cueca pendurada no quadro de avisos, imaginando que o dono, ou alguém que aprecie o modelito, possa levá-la embora sem mais explicações. Assim, o problema desaparecerá da mesma maneira que apareceu, e não se fala mais nisso.
Dois dias depois, a cueca havia sumido, sem que precisássemos tomar nenhuma atitude drástica. Melhor ainda, conseguimos gerar algo útil e prático: dali em diante, quando surgia algum problema complicado, alguém já recomendava: "Pendura a cueca no quadro". Traduzindo: vamos discutir o problema abertamente, com bom humor, e a chance de resolvê-lo será muito maior. Aproveitando essa historinha, que muita gente não vai acreditar que seja verdadeira, mas é, eu queria contar outras três experiências pessoais sobre as vantagens da administração pelo bom humor.
LIÇÃO No 1 -- Não basta ser diferente, é preciso ser eficiente
No começo da década de 80, eu trabalhei na Etti, então a segunda maior empresa de conservas do Brasil. Na época, a Etti havia sido recém-adquirida pelo Grupo Fenícia. Ao assumir a Etti, os novos donos encontraram um clima razoavelmente ameno e descontraído, herança da administração anterior, mas não condizente com a seriedade com que o Grupo Fenícia geria seus negócios. Uma das novidades foram as Normas, com N maiúsculo. Havia Norma para tudo, algumas até engraçadas, como a que rezava que a empresa só reembolsaria despesa de táxi se o funcionário estivesse carregando uma mala. Daí, algumas áreas tiveram de comprar malas, que seus funcionários carregavam, vazias, só para poder solicitar o reembolso. Outra Norma, essa verbal, mas tão assustadora quanto as escritas, ordenava que qualquer empregado deveria parar imediatamente o que estivesse fazendo, independentemente da importância e do prazo da tarefa, se um auditor aparecesse. E os auditores apareciam mesmo, sem avisar, e ficavam horas fazendo perguntas. Foi a única empresa em que trabalhei em que a fiscalização parecia ser mais importante que a operação.
Mas aos poucos o pessoal, por conveniência ou por falta de opção, foi se enquadrando. Isso até o dia em que um novo gerente de sistemas foi contratado, o Mané Carmona (que atualmente é gerente-geral da Visionner do Brasil). O Carmona contrariava totalmente o figurino vigente: era exuberante, ria alto, contava piadas e fazia barulho até quando apontava o lápis. E, logo de cara, descobriu que havia uma discriminação no refeitório da empresa: os diretores comiam salada de frutas de sobremesa, enquanto os demais funcionários tinham direito a apenas uma tigelinha de gelatina. E aí o Carmona lançou a campanha "Sobremesa ampla, geral e irrestrita", com inflamados discursos no refeitório, às vistas da constrangida diretoria.
Claro que o Carmona foi chamado a se explicar, claro que recebeu a recomendação de se enquadrar, claro que foi ameaçado de degola. Havia até um bolão no escritório para ver quem acertava quanto tempo ele iria durar. Mas, para surpresa geral, as semanas e os meses foram se passando, e nada. E o Carmona endoidando cada vez mais. Ele só sairia, dois anos depois, por vontade própria. Por quê? Porque o Carmona entendia uma barbaridade de sistemas, numa época em que informática era uma tremenda caixa-preta. E a diretoria enxergava o óbvio: os resultados que a área de sistemas trazia eram ótimos. A conclusão é que em empresas com ambiente mal-humorado quem é percebido como substituível está sempre na marca do pênalti. Portanto, não basta ser diferente, é preciso ser eficiente.
LIÇÃO No 2 -- Clima vem de cima
Da Etti eu fui para a Elma Chips, em 1984. Na época, a Elma Chips ainda era uma empresa de porte médio, tentando encontrar as brechas certas no mercado, e seus resultados não eram lá essas coisas. Mas o ambiente interno era bom, o mínimo que se poderia esperar de uma empresa que tinha um sorriso em seu logotipo. A grande virada que a Elma Chips deu (ela cresceria numa média de quase 20% ao ano entre 1985 e 1997) deveu-se à chegada de um novo presidente, Norberto Sommerfeld, que hoje é um feliz consultor eventual. Fortemente voltado para resultados e dono de um estilo metódico-ortodoxo, fruto de sua educação chileno-alemã, Norberto deu, logo de início, a impressão de que implantaria um modelo linha-dura na empresa. Mas era só impressão. Ele logo percebeu que tinha uma equipe de diretores bem-humorados até demais e proporcionou a eles as duas coisas que fizeram a Elma Chips decolar de vez: liberdade e proteção. A liberdade fez com que a empresa fosse pioneira (em 1986) em algo que muitas outras, ainda hoje, anunciam como novidade: funcionários representando peças teatrais escritas por eles mesmos, criticando as mazelas internas. Mas o diferencial da Elma Chips estava nos atores: eram os próprios diretores e gerentes que se caracterizavam e faziam piadas sobre si mesmos. A platéia era formada por vendedores, que podiam rir à vontade de seus chefes (se alguém perguntar "Mas isso não diminuía o necessário respeito hierárquico?", a resposta é "Ao contrário, aumentava").
Em 1990, o passo definitivo foi dado numa convenção em Barra Bonita, no interior de São Paulo. Eu escrevi uma pecinha teatral em que o CEO americano vinha ao Brasil visitar um ponto-de-venda (coisa comum em multinacionais), só que o local, um boteco, estava em pandarecos: produto vencido ou mal-arrumado, itens faltando, exibidor caindo aos pedaços. No palco, colocaríamos numa fila, em ordem hierárquica, o vendedor, o supervisor, o gerente, o diretor e o presidente. Aí, o CEO fazia uma pergunta ao presidente, que a repetia para o diretor, e assim por diante, até chegar ao vendedor. E o vendedor sempre dava a resposta correta, mas que nunca era a mais adequada para chegar aos ouvidos de um CEO. Daí, a resposta voltava pela fila e ia sendo convenientemente mudada, com cada um tentando tirar o seu da reta. Quando o presidente dava a resposta final ao CEO, o que era uma desgraça já havia se transformado em uma fantástica oportunidade (exatamente como funcionam as apresentações em grandes empresas). Escolhidos os atores, nós precisávamos de alguém para fazer o papel do presidente. E quem se prontificou a representá-lo? Ele mesmo, o Norberto. Exagerando em seus tiques e em seu sotaque, ele deu mais que uma inesquecível performance teatral, deu um exemplo de solidariedade. Fizemos até um "Oscar" para ele, que agradeceu aos prantos e dedicou à sua Mutti, dona Gerda. Depois daquilo, ninguém mais teria desculpas para nada. Nos anos seguintes, os resultados explodiriam e o bom humor viraria a marca registrada da empresa.
Ah, eu ia esquecendo... nós tínhamos também um jornal underground na Elma Chips, que criticava as baboseiras internas. Chamava-se Torre de Papel, e seu alvo preferencial eram as mancadas da diretoria. O jornal durou anos (e foi a semente que deu origem à Comédia Corporativa, publicada pela revista Exame). E os efeitos eram terapêuticos: o jornal mostrava o lado ridículo do que chamamos postura executiva. E aí, rindo de nós mesmos, eliminávamos as tensões e acertávamos o rumo. O Norberto, pragmaticamente, sempre se recusou a admitir a existência do jornal. Por isso, sua cópia era enviada à esposa dele, a Lygia, que diligentemente a "esquecia" na cabeceira da cama.
O clima vem de cima -- e não é preciso ser um humorista para criar um ambiente de bom humor. O Norberto não era, apenas entendeu que, bem-humorados, seus funcionários poderiam gerar resultados muito acima do esperado. A Elma Chips entrou nas primeiras cinco edições do Guia EXAME -- As 100 Melhores Empresas para Você Trabalhar. E o único quesito em que não tirava a nota máxima era -- prestem atenção! -- "salários e benefícios". Ela pagava apenas a média do mercado, mas mesmo assim seu turnover era baixíssimo. O ambiente interno leve e solto mais que compensava os 10% ou 20% que o mercado recomendava pagar para "reter os prezados colaboradores".
LIÇÃO No 3 -- Não há desculpa para o mau humor
Da Elma Chips eu fui para a Pepsi-Cola, num tremendo rabo de foguete (as duas empresas pertenciam ao grupo PepsiCo). A história que vou contar a seguir é mais ou menos da mesma época daquela da cueca, que relatei no início do texto. Em dezembro de 1994, a Pepsi-Cola havia embarcado em outra de suas monumentais aventuras no Brasil: a associação com um megafraqueado, a Baesa (Buenos Aires Embotelladora S.A.), que resultaria na criação da Pepsi-Cola Engarrafadora. E a meta da nova empresa era ambiciosa: triplicar o market share em apenas 18 meses. Para isso, seria necessário um investimento colossal em fábricas, frota e equipamentos, o que foi feito, já que, pelo menos no início, dinheiro não era problema.
O plano parecia perfeitamente factível, mas houve apenas um pequeno inconveniente: não deu certo. Meros dois anos depois, a Pepsi-Cola Engarrafadora estava agonizando. Devendo 400 milhões de dólares a 14 bancos privados, e com prejuízo operacional de 1 milhão de dólares por dia, bastava que um dos credores mandasse ao cartório uma conta de luz vencida e a empresa quebraria. Foi aí que a PepsiCo americana teve a idéia de me nomear presidente da empresa. "Nomear" é bem o termo, porque obviamente eu preferia ficar na Elma Chips, e isso já eliminava a etapa do "convite". E eu fui. O que, exatamente, se deveria fazer numa situação daquelas? Dá para ser bem-humorado em uma empresa que corre o risco de não ver o sol nascer na manhã seguinte? Então, eu resolvi começar minha gestão fazendo algo pouco usual: contar a verdade. Antes que começassem as especulações sobre o que iria acontecer, reuni todos os funcionários no almoxarifado, subi num caixote e mostrei os números nus e crus da empresa. E aquela vermelhidão no balanço quase fez o pessoal cair de costas porque ninguém desconfiava que a situação era tão séria. Além disso, eu deixei claro o que a PepsiCo me havia pedido: tentar manter a empresa respirando até que surgisse um eventual interessado em comprá-la. Mas, como isso era apenas uma possibilidade, sugeri aos funcionários que se tivessem a chance de sair que saíssem mesmo. Não havia nenhuma promessa quanto ao futuro que eu poderia fazer naquele instante.
O resultado prático dessa reunião pode ser resumido em um único dado: na maior e mais problemática das fábricas, a de Jundiaí, SP, houve oito greves nos 12 meses anteriores. Depois, durante o ano e pouco que passei na Pepsi-Cola, não tivemos mais nenhuma. Funcionários são assim mesmo, acabam colaborando com quem lhes diz a verdade. Até aí, tudo bem, sinceridade sempre ajuda, mas... dá para ter bom humor numa situação caótica dessas? Dá. Preocupado com a onda de boatos e com as notícias fatalistas que não paravam de circular pela empresa, eu criei um impressinho chamado Apep, "Autorização para Entrar em Pânico". O funcionário o preenchia dando as razões pelas quais achava que estava à beira de um ataque de nervos e o mandava a mim. Aí, eu o chamava e explicava a real situação. No pé do impresso, havia dois quadrinhos: "Sim" e "Não", que eu e o funcionário preenchíamos de comum acordo após a conversa. O quadrinho do "Não" significava voltar ao trabalho sem mais chiliques e o quadrinho do "Sim" autorizava o funcionário a ter seu momento de desespero. Para esses casos, eu usava a sala de reuniões que ficava anexa à sala da presidência (e que raramente era usada, porque eu não fazia reuniões). O funcionário ia lá, dava uma desabafada (chutando o cesto de lixo, por exemplo) e saía um pouquinho mais aliviado. Quase todos os problemas eram teóricos, tipo "Como vou pagar o aluguel se a empresa falir?" O que as pessoas queriam mesmo era conversar, ouvir uma palavra de apoio e, por incrível que pareça, rir. Quase sempre, quem me procurava acabava por me contar uma piada e no fim da conversa nós ríamos juntos.
As perguntas que os funcionários me faziam (e as respostas que eu dava) tinham ainda uma função prática: eu as publicava no Jornal da Situação, que era pendurado nos quadros de avisos. No caso, a palavra "situação" tinha um duplo sentido: o de "a pura verdade" e o de "antioposição". Redigido num tom informal, o jornal eliminava a boataria, porque as notícias circulavam antes que os boatos pudessem surgir. O Jornal da Situação acabou servindo de fonte de notícias para a imprensa porque alguns funcionários mandavam o dito-cujo por fax às redações de jornais (e nunca foram punidos por isso). A imprensa batia duro na gente, porque a situação era realmente crítica, mas, pelo menos, o que saía publicado era verdade. Até que no fim de 1997, a Brahma (hoje AmBev) comprou a Pepsi-Cola Engarrafadora e pôs fim a um ano de sacrifícios, cortes e economias forçadas. Então, algo incrível aconteceu: pelos anos seguintes, os ex-funcionários continuaram a se encontrar de vez em quando numa churrascaria da cidade, para relembrar histórias "daquele tempo", porque ficou a percepção geral -- e errada -- de que ele tinha sido bom. Bom não foi, mas não deixou de ser divertido. E, na minha avaliação, foi esse bom humor que deu à Pepsi-Cola a sobrevida que ela precisava.
Não há desculpa para o mau humor. Gente quer ser tratada como gente. Além da necessária sinceridade, há o fato de que se pode dar uma notícia ruim de duas maneiras: ou criando um clima de ansiedade, ou amenizando-a e humanizando-a. E a opção escolhida ajuda a definir o ambiente interno e reflete diretamente nos resultados. No fundo, não existem funcionários mal-intencionados nas empresas, há apenas funcionários mal informados, que, por isso mesmo, criam suas próprias informações e às vezes acabam instaurando o caos (e o mau humor) pelos corredores.
Finalmente, uma regra e uma dica para quem adota a filosofia do bom humor: a regra para ser bem-humorado no trabalho é a capacidade de rir de si mesmo. Quem se diverte com as próprias mancadas não sofre com o escárnio alheio. Ao contrário, se diverte com ele. A dica: conviver com gente mal-humorada não é fácil, mas, muito mais difícil é conviver com os falsos bem-humorados. Esses, sim, são perigosos, porque usam o bom humor agressivamente, como instrumento de humilhação e opressão. E é fácil identificá-los, porque eles querem tripudiar, mas não aceitam o troco. E mudam rapidamente de humor quando a própria piada se volta contra eles. Depois que a gente aprende a ignorar o falso bem-humorado, o resto é simples. Na vida corporativa, tudo tem um preço e nada vem de graça. O que não quer dizer que tudo deva vir sem graça.
Fonte: Revista Você S/A - Editora Abril

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A difícil tarefa de reintegrar-se após acidente de trabalho

Era uma manhã do ano de 1998. O metalúrgico Evanilson Vieira de Souza estava na primeira semana de trabalho de uma pequena empresa de Osasco/SP. Ele havia deixado seu emprego anterior, em uma metalúrgica maior, a Mecano Fabril, para trabalhar perto de casa. Ele não poderia imaginar que essa mudança traria consigo um acontecimento trágico: um acidente de trabalho que resultou na perda do seu braço direito. Na época, pai de duas crianças - uma menina, de três anos, e um menino, de cinco, teve que contar com o apoio da família e de amigos para dar a volta por cima e se reabilitar. “Quando me acidentei, minha esposa teve que sair para trabalhar. Os amigos nos deram muita força. O pessoal da Mecano ia à minha casa me visitar. Agora tudo está ótimo. Gosto do que faço e sou uma pessoa normal. Ainda é estranho olhar para o espelho e não ver um braço, mas posso fazer tudo como qualquer outro”, avalia o metalúrgico. Ele voltou a trabalhar na Mecano Fabril em 2000, onde opera um torno automático.
Todo esse processo vitorioso não foi fácil. O acidente ocorreu logo no início da jornada de trabalho. Evanilson operava um torno mecânico e precisava fazer a limpeza de uma peça. Quando foi lixá-la por dentro, o material prendeu e seu braço foi torcido.
Ele foi levado para dois hospitais em Osasco, depois encaminhado para o Hospital das Clínicas em São Paulo, que acabou o mandando de volta para o primeiro hospital. Às 17h foi operado e teve que amputar o braço direito. No próprio hospital, deram a ele uma carta para levar ao CRP (Centro de Reabilitação Profissional) de São Paulo. Por um ano freqüentou o Centro, lá tiraram molde para a prótese de um braço e o ensinaram a manuseá-lo.
Nada que se relacionasse ao trabalho. “Aprendi a amarrar meu tênis, a descascar laranja, coisas do dia-a-dia”, relembra. Também passava no psicólogo. Não chegou a fazer nenhum curso de qualificação profissional. Depois de dois anos afastado pelo INSS por acidente de trabalho, recebeu alta. Do médico perito, ouviu que já estava pronto para retornar ao trabalho, que para se aposentar precisaria ter perdido os dois braços. Também não teve acompanhamento do INSS nesse retorno.
Evanilson não queria se aposentar, só queria trabalhar. Uma vez, quando ouviu sobre essa possibilidade, respondeu que ainda era novo para isso. “Eu ficava em casa sem fazer nada. Eu queria trabalhar. Queria ajudar minha família e colocar dinheiro dentro de casa”, relembra. Ele voltou ao trabalho, mas não trabalhou. “Não fazia nada lá. Ficava o dia todo sentado na porta e só. Me sentia muito mal, como um inútil, sem fazer nada”, lamenta. Com a ajuda do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, que o orientava, processou a empresa na qual se acidentou e fez um acordo. Voltou a trabalhar na Mecano Fabril. “Quando cheguei na Mecano passei a fazer anotações dos gráficos das máquinas. Aprendi a escrever com a mão esquerda. Depois, comecei a ajudar um colega que cuidava de cinco máquinas até que voltei a operá-las. Foi muito bom, porque eu já gostava de trabalhar com máquinas”, afirma. Na empresa, exerce suas funções, participa de treinamentos e de cursos no Senai.
Sobre o papel do INSS na sua reabilitação profissional avalia: “Não ajudaram”. Até hoje há dificuldades em relação à prótese do braço. Quando um dos ganchos quebrou, preferiu pagar o conserto a recorrer ao INSS, o que demoraria meses. Recentemente, fez o pedido de uma nova prótese na Agência da Previdência Social em Osasco. Já não existem os CRPs (Centros de Reabilitação Profissional). Se por um lado há a facilidade de fazer o pedido em sua cidade, por outro há demora na resposta. O médico perito fez o pedido e deu prazo de até um ano para receber a nova prótese. “Isso é ruim porque só tenho essa prótese para trabalhar. Se quebrar, não posso fazer nada”, lamenta Evanilson.
Fonte: Revista Proteção

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Por favor, não roubem seus colaboradores

João Alfredo Biscaia *
Muito provavelmente, os leitores deste artigo devem considerar o título extremamente agressivo, inclusive deselegante.

Proponho que tenhamos muita calma e atenção sobre esse assunto, pois para mim, realmente, existem muitos "ladrões" nas organizações, não do dinheiro das empresas, mas sim das pessoas que com eles trabalham.
A argumentação que tenho sobre essa afirmativa foi baseada no livro O caçador de pipas, de Khaled Hosseini , que tive o enorme prazer de ler e reler. Permito-me dizer que o livro me foi emprestado pela minha ex-sogra, acompanhado do seguinte bilhete: "Este livro é bom demais para ficar na prateleira".
Principalmente em razão do bilhete, me encorajei em não deixar "engavetado na prateleira da minha cabeça" as conexões que consegui fazer durante a leitura deste livro com a realidade das organizações e nas atitudes, posturas e comportamentos de muitas pessoas que se auto-intitulam de líderes de pessoas, apenas em função do cargo que exercem.
De todos os prazeres e sensações agradáveis e muitas vezes tristes, que a leitura deste livro me proporcionou, a mais marcante e significativa para mim foi a seguinte:
Em conversa com seu filho Amir, Baba afirma que existe apenas um pecado no mundo: o do roubo. Ele justifica essa afirmação, dizendo:

* Quando você deixa de dizer para alguém alguma coisa que você acredita ser "verdade", você está "roubando" o direito dele saber o que você sente a seu respeito;
* Quando você mata alguém, você está "roubando" o direito de outras pessoas conviverem com a pessoa que você matou;
* Quando você "maltrata" alguém, você está "roubando" o direito dessa pessoa de ser feliz;
* Quando você mente para alguém, você está "roubando" o direito dela conhecer a verdade;
Como decorrência dessas assertivas, imediatamente surgiram em minha mente os inúmeros "roubos" praticados nas organizações.
Relaciono alguns deles para que os leitores possam examinar se, em sua organização, eles são praticados.

* Quando você chega atrasado em uma reunião, você está "roubando" o tempo das pessoas que chegaram na hora marcada;
* Quando você quer, ou impõe, que seus "colaboradores" (não podemos mais falar subordinados, é um termo ofensivo, dizem alguns), fiquem trabalhando rotineiramente após as 8 horas diárias, você está "roubando" o direito ao lazer, ao estudo, além do prazer que todos nós temos em desfrutar da companhia da esposa, filhos e dos amigos do coração;
* Quando você pede urgência na execução de determinada tarefa, e depois não dá a menor importância, você está "roubando" o seu colaborador;
* Quando você pensa que alguns de seus subordinados não estão correspondendo às suas expectativas, e nada diz, você está "roubando" a vida profissional deles;
* Quando você fala a respeito das pessoas e não com as pessoas, você está "roubando" a oportunidade deles saberem a opinião que você tem a respeito deles;
* Quando você não reconhece os aspectos positivos que todas as pessoas têm, você está "roubando" a alegria e a satisfação que todos nós precisamos por nos sentirmos valorizados e úteis. Além de "roubar", você está sendo o principal gerador de um ambiente de trabalho desmotivador e desinteressante.

Tenho hoje a convicção - não a verdade - de que realmente só existe um único pecado que qualquer profissional pode cometer no exercício de cargos de liderança: NÃO DIZER, DE FORMA EXPLÍCITA, CLARA E DESCRITIVA, COMO PERCEBE E SENTE OS DESEMPENHOS E OS COMPORTAMENTOS DAS PESSOAS COM QUEM TRABALHA.
Todos nós temos um discurso fácil ao afirmar que é imprescindível haver respeito e consideração com todas as pessoas com quem convivemos, quer no plano pessoal ou profissional. Pensar e falar são coisas extremamente fáceis.
O grande desafio está no agir, no fazer, no praticar aquilo que se diz ou pensa como sendo o certo, o correto nas relações entre as pessoas. Não valemos pelo que pensamos, mas sim pelo que realmente fazemos.
Tenho constatado, como base no mundo real, que a maioria das pessoas deixa de se manifestar sobre como percebe e sente o comportamento das pessoas com quem convivem. A racionalização por não dizer nada é baseada no argumento de que, "afinal, ninguém é perfeito" e vai acumulando insatisfações, com reflexos inevitáveis nas relações.

Acrescento que o pior tipo de relacionamento que podemos praticar com as pessoas com quem trabalhamos e vivemos é o do silêncio. O silêncio fala por si só. Diz muita coisa, e gera uma relação de paranóia, muita ansiedade e enorme frustração. Dizem que as pessoas admitem boas ou más notícias, detestam surpresas.
Tomo a liberdade de recorrer a um artigo escrito por Eugenio Mussak, na revista Vida Simples, do mês de julho deste ano. Ele é enfático ao afirmar que feedback é uma questão de respeito e consideração para a outra pessoa.
Dar e receber feedback são questões básicas e essenciais para a existência de uma relação saudável, duradoura e, principalmente, respeitosa.Considero oportuno lembrar, também, que todas as coisas que prestamos atenção tendem a crescer. Se olharmos, tão somente os aspectos negativos de alguém, esses tendem a crescer aos nossos olhos.
O inverso também parece ser fatal. Se dirigirmos nossas observações a respeito das questões positivas que todos nós temos, existe a grande possibilidade delas também crescerem.
Em síntese: sugiro a você que façamos um exame de consciência profundo nas diversas relações que mantemos. Se pergunte com bastante freqüência: Será que estou “roubando” de alguém alguma informação ou percepções que podem lhes ser úteis para o seu crescimento pessoal e profissional?
Fonte: HSM On-line Instituto MVC
*João Alfredo Biscaia
Consultor Sênior do Instituto MVC,
um dos maiores autores em temas ligados a RH.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Lesão do Esforço Repetitivo

O uso intensivo da computação poderá causar alguma lesão acidental?
A digitação contínua apresenta algum problema para nosso corpo?
Podemos utilizar qualquer tipo de cadeira em nossa estação de trabalho?
A que distância devo colocar meu monitor?
Um digitador ou digitadora deve ter uma jornada de trabalho diferenciada?
Estas perguntas são muito freqüentes, por esta razão pretendemos dar alguns esclarecimentos que ajudem aos interessados na resolução de seus problemas.
COMPUTADOR X MAQUINA DE ESCREVER
Os computadores realizam maravilhas em nossas vidas. A sofisticação dos computadores nos permite cada dia realizar um número crescente de tarefas, sem a necessidade de mudança de atividade, local ou posição. Podemos digitar um longo texto por horas seguidas, realizando apenas movimentos faciais e manuais. Estes movimentos, no entanto tem uma característica, são REPETITIVOS, precisos, e limitados a apenas alguns sistemas musculares mantendo em posição estática a maioria dos sistemas musculares do corpo humano.
Antigamente, uma datilografa para digitar um texto, além dos movimentos repetitivos, executava uma série de "paradas" que interrompiam a seqüência destes movimentos. Estas paradas eram feitas para: retornar o carro da máquina, trocar papel, corrigir erros e arquivar copias em seus respectivos arquivos. Hoje tudo isto é feito no próprio computador e sem a necessidade de qualquer parada ou mudança de posição.
A eficácia e facilidade conseguida com os computadores apresentam uma contrapartida para a qual o corpo humano não foi bem "projetado" ou seja, a realização de atividade muscular repetitiva, precisa e continua por longos períodos.
LESÃO DO ESFORÇO REPETITIVO ( LER )
Denomina-se Lesão do Esforço Repetitivo ou simplesmente LER, a lesão causada pelo desempenho de atividade repetitiva e continua, tais como tocar piano, dirigir caminhões, fazer crochê, digitação etc. Na prática trata-se de um "acidente ", sendo que a doença resultante pode ser caracterizada com diferentes nomes como : síndrome do túnel do Carpo, tendinites, tenosinovites, etc. Alguns autores referem-se a Lesão Traumática Cumulativa como um sinônimo da LER.
A LER é uma lesão relacionada com a atividade da pessoa, e em alguns casos pode ser entendida como uma doença ocupacional, e ocorre sempre que houver incompatibilidade entre os requisitos físicos da atividade ou tarefa e a capacidade física do corpo humano. Alguns fatores de risco contribuem para a instalação desta lesão, dentre eles: movimentos repetitivos, tracionamentos, postura incorreta, içamento de pesos etc.
A LER, instala-se lentamente no organismo humano e muitas vezes passa despercebida ao longo de toda uma vida de trabalho e quando é percebida já existe um severo comprometimento da área afetada.
A DIGITAÇÃO intensiva é uma das causas mais comuns da incidência da LER e é a que mais tem contribuído para o aumento do numero de casos de doenças ocupacionais. Nos Estados Unidos em 1978 existiam 20.000 casos e em 1990 estes casos totalizavam 185.000.
PREVENÇÃO
ERGONOMIA ou Engenharia Humana é a ciência que cuida da adaptação ou ajustamento do meio ambiente (trabalho ou lazer) às características psicofisiológicas ou particularidades do corpo humano.
Os resultados dos estudos ergonômicos é que permitem a elaboração de projetos e adoção de medidas apropriadas para evitar que o homem exponha sua saúde ao realizar atividades necessárias para sua subsistência ou lazer.
Sistema Homem - Maquina é geralmente definido como a combinação operativa de um ou mais homens com um ou mais de um equipamento, interagindo-se de modo a executarem uma função desejada, partindo de estímulos de entrada, dentro das condições de um determinado ambiente. Como exemplo podemos considerar, uma pessoa operando um computador, onde, recebendo "inputs" do monitor, da cadeira onde está sentado, do telefone, da posição de seus pés, da temperatura e do nível de ruído do ambiente etc., decide e reage de maneira a executar ações sobre o teclado ou CPU para que seja realizada a tarefa desejada ( output).
Fatores Humanos o organismo humano possui características peculiares que devem ser levadas em consideração no projeto de sistemas para seu uso. Estes fatores podem ser classificados em :
psicológicos - capacidade de aprendizagem, mudança de comportamento, motivação, ansiedade, estresse , capacidade de desenvolver hábitos etc;
fisiológicos - acuidade visual, audição, comprimento dos braços e pernas, limitações musculares, sensibilidade ao calor e ao frio etc.
As medidas preventivas destinadas a evitar a LER são oriundas de estudos ergonômicos, e não necessariamente são soluções complexas e caras, na realidade muitas vezes estudos complexos geram soluções simples e efetivas. Em alguns casos torna-se necessário reprojetar o ambiente do trabalho para garantir a eliminação dos riscos.
ASPECTO LEGAL
No Brasil, bem como em vários outros países, a Lesão do Esforço Repetitivo é considerada uma doença ocupacional e, portanto equivalente a um "acidente do trabalho” e como tal sua ocorrência deve ser reportada aos órgãos competentes.
A Norma Regulamentadora de número 17 ( NR 17 ) estabelece várias recomendações ergonômicas relativas ao ambiente do trabalho, dentre elas a de que o trabalho efetivo de entrada de dados ( digitação ) não pode ultrapassar a 5 horas dia e que a cada 50 minutos de digitação deve haver uma pausa de 10 minutos.
Apresentamos algumas dúvidas mais freqüentes sobre LER
1. Qual o tipo mais adequado de iluminação para evitar fadiga dos olhos?
R. Luz fluorescente indireta e luz incandescente direta.
2. Qual o conceito de "active break" e "micro break"?
R. "Active break" é a parada, que ocorre quando a digitação é interrompida para realizar outras tarefas como: atender telefone, tomar água etc. "Micro break" são pequenas pausas realizadas na posição sentada e sem sair da estação de trabalho.
3. A pessoa que habitualmente executa longos trabalhos de digitação sem pausas, poderá vir a sofrer alguma lesão muscular?
R. Sim. A probabilidade crescerá a medida que o tempo do trabalho crescer e o número e tempo de pausas diminuírem.
4. A tendência natural de pessoas que trabalham com digitação é de sofrerem lesões do tipo LER?
R. A Lesão do Esforço Repetitivo é um acidente e portanto não é obra da fatalidade e sim o resultado de praticas e hábitos que agridem o corpo humano e que podem ser efetivamente evitadas.
5. Uma digitadora poderá trabalhar por um período de 8 horas, realizando pausas de 50 em 50 minutos?
R. Não a legislação estabelece que este período não poderá exceder a 5 horas computadas as pausas.
6. Pessoas que utilizam computadores para o lazer, não devem se preocupar com a prevenção de lesões uma vez que não estão sob a pressão do trabalho.
R. Esta afirmação é perigosa, uma vez que é grande a possibilidade de desenvolvermos hábitos e posturas incorretas e nocivas ao nosso corpo quando realizamos atividades de lazer, pois normalmente não dispomos de orientação especifica e muitas vezes procuramos adaptar nosso corpo aos equipamentos que dispomos sendo que o correto seria ADAPTAR OS EQUIPAMENTOS AO NOSSO CORPO.
7. Pessoas que adquiriram LER em atividades relacionadas com o trabalho, podem solicitar indenizações trabalhistas?
R. Só em certas circunstancias regulamentadas, e que seja comprovado o comprometimento da capacidade laboral do indivíduo.
Dicas para evitar lesões:
- A cada 25 minutos de trabalho de digitação faça uma parada de 5 minutos;
- A cada uma hora de digitação, saia de sua cadeira e movimente-se;
- Beba água regularmente ao longo do dia;
- Tenha postura adequada: ombros relaxados, mantenha os pulsos retos, apóie - se no encosto da cadeira;
- Mantenha as plantas dos pés totalmente apoiadas no chão;
- Mantenha um angulo reto entre suas costas e o assento de sua cadeira;
- Sua cadeira deve ser do tipo ajustável para sua altura em relação à mesa de trabalho, e seu encosto deve prover suporte integral para suas costas. O assento da cadeira deve se ajustar a você e nunca deverá tocar a parte interna de seus joelhos, pois se isto ocorrer poderá afetar a circulação do sangue em suas pernas. O apoio de braços para cadeira é ergonomicamente questionável, no entanto se desejá-los, certifique-se de que: os apoios não estão muito próximos ou muito afastados; muito baixos ou muito altos. A cadeira é uma das peças mais importantes na prevenção de lesões, portanto não justifica economizar algum dinheiro e adquirir algo deficientemente projetado.
- Não utilize apoio de pulso durante a digitação, pois se assim o fizer estará correndo o risco de provocar compressão nos nervos de seu pulso (túnel do carpo), a digitação deve ser feita com os pulsos ligeiramente levantados. Os apoios de pulso são ergonomicamente projetados para permitir o repouso confortável de seu pulso durante as "pausas".
- MONITOR você deverá estar a uma distancia mínima de 50 e máxima de 70 centímetros do monitor, ou de maneira prática a uma distância equivalente ao comprimento de seu braço. A regulagem da altura da tela deve ser tal que se situe entre 15 e 30 graus abaixo de sua linha reta de visão. O uso de tela anti-reflexiva e com aterramento para eliminação da eletricidade estática é recomendável (não se esquecer que se o fio de aterramento não estiver conectado, não haverá dissipação da eletricidade estática).

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Pesquisa revela que 2/3 dos trabalhos sofrem com stress.

Um estudo realizado pela União Geral dos Trabalhadores mostra que 73% dos trabalhadores estão estressados por conta do trabalho e 75% deles têm problemas de saúde decorrentes do stress.
Os resultados da pesquisa realizada pela UGT mostram que os profissionais têm cada vez menos qualidade de vida por conta da grande demanda de trabalho e das pressões sofridas no ambiente corporativo. Segundo o estudo, que analisou mais de quatro mil postos de trabalho em diferentes áreas, três em cada quatro funcionários têm problemas de saúde por conta de todo esse stress. As doenças mais comuns são: fadiga, dor no pescoço e na cabeça, irritabilidade, sensação de angústia, insônia, falta de concentração e dificuldades da visão.
As conclusões do Observatório de Riscos Psicossociais da UGT são de que essa situação pode dever-se a diversos fatores, entre os quais estão a falta de autonomia, a insegurança em relação às condições de trabalho e ao futuro e, por fim, a indefinição sobre as tarefas a serem desenvolvidas pelos funcionários. Além disso, as relações sociais no ambiente corporativo também resultam na instabilidade emocional. Entre os entrevistados que estavam de licença por motivo de depressão, 35% viram-se submetidos a intimidações e ameaças, 32% à perseguição moral, 26% a algum tipo de violência verbal e 23% sofreram agressões físicas.
Para o especialista em produtividade pessoal e empresarial Christian Barbosa, essa realidade é constante em muitas empresas e pode ter conseqüências graves tanto para a saúde física e mental do trabalhador, quanto para a produtividade. "Uma pessoa que não esteja em suas perfeitas condições emocionais não consegue produzir o quanto gostaria e seu trabalho não rende", afirma ele. "Até que chega um ponto em que tudo vira urgência e as pessoas não conseguem administrar o seu tempo para realizá-las dentro do prazo. A conseqüência disso é o stress gerado e a angústia que podem prejudicar a saúde do indivíduo".
Barbosa é um exemplo vivo disso. Ele conta que aos 18 anos já tinha a sua própria empresa, voltada para assuntos ligados à tecnologia, e chegava a trabalhar de 16 a 18 horas por dia. "Eu contraí várias doenças decorrentes de todo o stress que passava", conta ele, que teve uma gastrite que virou úlcera e, tempos depois, resultou em câncer. "Foi quando meu médico me recomendou fazer um curso de administração do tempo e isso me ajudou a ter mais realizações no trabalho, mais tempo para mim mesmo e mais qualidade de vida".
Segundo Christian, na maioria dos casos, a falta de produtividade da equipe e também a falta de foco nos resultados é conseqüência de um líder estressado e sem tempo, que transmite essa carga negativa a todos os seus subordinados. "A verdade é que esses profissionais sem tempo para si próprios estão gerando equipes focadas na urgência. A conseqüência disso, claro, é uma equipe estressada e sem tempo para nada, e que não contribui para bons resultados na empresa em que trabalha", conclui.
Fonte: MaxPress

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Instalações Elétricas

O que é Aterramento Elétrico?
O que é Fio Terra?
A palavra aterramento refere-se à terra propriamente dita. O aterramento é o fio ou a barra de cobre enterrado, onde passa a corrente elétrica para o solo. Quando se diz que algum aparelho está aterrado (ou eletricamente aterrado) significa que um dois fios de seu cabo de ligação está propositalmente ligado à terra. Ao fio que faz essa ligação denominamos "fio terra".É obrigatório que todas as tomadas tenham o seu fio terra. Normalmente elas já vêm com o fio terra instalado, seja no próprio cabo de ligação do aparelho à tomada, seja separado dele. No primeiro caso é preciso utilizar uma tomada com três pólos onde será ligado o cabo doaparelho.

No segundo caso, uma tomada com dois pólos é suficiente. O fio terra do aparelho (que obrigatoriamente deve ser verde ou verde-amarelo e que fica normalmente no fundo do equipamento) deve ser ligado diretamente ao fio terra da rede.


Alguns aparelhos elétricos não precisam de fio terra, Eles são construídos de tal forma que a corrente "fugitiva" não cause risco às pessoas. Para a sua ligação é usada uma tomada com apenas dois pólos, um para o fio fase e outro para o fio neutro.
O fio fase e o neutro são aqueles que levam a energia para os aparelhos. Por norma, a cor do fio neutro é obrigatoriamente azul. O fio fase pode ser vermelho, branco ou marrom.
Em caso de dúvidas, consulte o manual do aparelho preparado pelo fabricante.


Como Fazer Aterramento?

O fio terra tem a função de capturar a corrente elétrica que algumas vezes quer "fugir" do interior dos aparelhos defeituosos e conduzi-la para a terra, desviando-a do corpo das pessoas. Ele é fundamental para a proteção das pessoas contra os choques elétricos, absorvendo e encaminhando para a terra as correntes que "fugiram" dos aparelhos, e para a proteção dos parelhos elétricos contra picos de energia. Ele descarregará para a terra as correntes "fugitivas" e estabilizará as tensões quando ocorrer defeitos nas instalações.
Podemos compará-lo ao cinto de segurança de um automóvel. Como o automóvel funciona e transporta pessoas que não estão utilizando o cinto de segurança, os aparelhos também funcionam sem possuir o fio terra. Por isso, muitas vezes as pessoas não se lembram de colocar o fio terra, fazendo com que os riscos à segurança das pessoas e dos aparelhos aumentem bastante, da mesma forma que no automóvel que se envolve em um acidente e seus ocupantes não estão usando o cinto de segurança.

Como Dimensionar o Fio Terra de suas Instalações Elétricas?
É obrigatório que os fio neutro e terra sejam separados desde o quadro de distribuição e instalados no mesmo eletroduto em que está o fio fase. O fio terra das tomadas deve ser ligado ao terminal de aterramento do quadro de distribuição. Esses procedimentos são fundamentais para evitar danos aos aparelhos elétricos.

O que é Resistência de Aterramento?

Outro ponto de dúvida é o valor da resistência de aterramento. Ela mede a capacidade do aterramento de descarregar a energia para a terra. Quanto menor essa resistência, melhor para a instalação, pois mais rápida será a atuação das proteções.
Embora alguns fornecedores cheguem a exigir 1 ohm (é a Unidade de Resistência), a norma de instalações elétricas (NBR 5410/97) não define diretamente nenhum valor, enquanto a norma americana de instalação elétrica exige um valor máximo de 25 ohms.
A norma brasileira de proteção contra descargas atmosféricas (NBR 5419/93) recomenda um valor máximo de 10 ohms. Sempre que possível, esse valor deve ser adotado para todas as instalações.

Como Instalar um Fio Terra?

A conexão dos equipamentos elétricos ao sistema de aterramento deve permitir que, caso ocorra uma falha na isolação dos equipamentos, a corrente de falta (corrente "fugitiva") passe através do fio de aterramento ao invés de percorrer o corpo de uma pessoa que eventualmente esteja tocando o equipamento (o que provocaria choque, lesões e até mesmo morte - dependendo de cada situação e da intensidade da corrente de fuga).
Dentro de uma instalação elétrica existem diversos tipos de proteção: contra choques elétricos, contra descargas atmosféricas, contra sobretensões, etc. Para uma melhor compreensão e busca da solução mais conveniente, deve-se estudar separadamente cada uma delas. Porém ao executar a instalação, deve ser feito um único aterramento. As normas técnicas não permitem aterramentos isolados ou indepedentes, para que não apareça diferença de tensão, que é a principal causa de "queima" dos equipamentos e colocam em riscos os usuários das instalações elétricas. Um único ponto de aterramento é que irá garantir a proteção adequada.
O procedimento muito comum de utilizar aterramentos isolados, exclusivos ou indepedentes, cosntitui um grande equívoco. Esse procedimento não está de acordo com as regras das Normas Técnicas Brasileiras, de uso obrigatório, e coloca em risco as pessoas e aparelhos elétricos
Todo o quadro de distribuição deve ter um terminal de aterramento, para onde irão convergir os fios terra da instalação. Isto significa que todos os fios terra, de cada aparelho, devem ser ligados ao mesmo ponto de aterramento.
O terminal, por sua vez, deve ser ligado ao eletrodo de aterramento, de uso obrigatório em todo padrão de entrada de energia. Essas ligações devem ser feitas da forma mais direta e curta possível.

Como se Proteger contra Picos de Energia?

As redes de distribuição de energia das empresas de eletricidade são projetadas para desligarem imediatamente no caso de risco à segurança das pessoas, o que pode acontecer quando ocorrem choques de carros em postes, contatos de árvores, chuvas, trovoadas, etc. A norma brasileira exige que os consumidores instalem protetores de surto contra os efeitos da falta e posterior retorno da energia.
Todos os aparelhos eletrônicos do imóvel e os fios que vêm da rua, como cabo de antenas e telefones, devem ter seu protetor. Esses protetores, a exemplo dos chamados filtros de linha, são facilmente encontrados no mercado e têm como função desviar o pico de energia para a terra, evitando danos ao aparelho. O aterramento é essencial para o funcionamento correto dos protetores.
É recomendável a instalação de um protetor também no quadro de distribuição do imóvel, principalmente em regiões de grande incidência de descargas atmosféricas.

Recomendações para Grandes Instalações

Nas instslações de Centro de Processamento de Dados e redes de micros, a técnica de aterramento vista até agora não é suficiente.
Nesses cassos é recomendável utilizar para o aterramento a "malha de terra de referência".
Essa malha deve ficar sob o piso e permitirá que os terras lógicos dos aparelhos sejam aterrados através de ligações curtas e diretas, preferencialmente por condutores chatos ou fitas. Já existem malhas pré-frabicadas, mas recomendamos consultar um projetista para dimensioná-la. Essa malha também deve ser ligada ao sistema de aterramento de força da instalação para evitar variações das tensões.
Também devem ser utilizados protetores de surto contra picos de energia.

Dicas Fundamentais:

o Nunca aumente o valor do disjuntor ou do fusível sem trocar a fiação;
o Devem ser previstos circuitos separados para iluminação e tomadas;
o Todas as tomadas devem ter um fio para o aterramento;
o Disjuntor não deve ser utilizado como interruptor;
o Não utilize o fio neutro como fio terra;
o Apenas o aterramento não é suficiente para a proteção das pessoas contra choques elétricos. As Normas Técnicas Brasileiras exigem o uso de disjuntores DR (Diferencial-Residual), que podem ser adquiridos em casas de material elétrico;
o Evite a utilização do chamado "T". O seu uso indevido causa sobrecarga nas instalações. Instale mais tomadas, respeitando o limite de condução de energia elétrica dos fios.
o Recorra sempre a serviços de um profissional bem qualificado;
o Os chuveiros elétricos devem possuir circuitos exclusivos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dicas de segurança para evitar incêndios em restaurantes.

É recomendado que proprietários de restaurantes e funcionários tenham treinamento para agir de forma correta no combate inicial de uma ocorrência de incêndio.
As estatísticas mostram que os problemas de eletricidade respondem por quase 60% das causas dos incêndios ocorridos em restaurantes. Os motivos variam. São instalações malfeitas que provocam curto-circuito, uso de produtos fora das especificações ou sobrecarga no sistema elétrico.
É importante realizar manutenções periódicas na parte elétrica dos restaurantes.
As ocorrências mais significativas, no entanto, são nos dutos de gordura das cozinhas que precisam de manutenção e monitoramento constante. O forro de certos estabelecimentos também mostram-se altamente combustíveis, com madeiras entrelaçadas escondendo uma parafernália de fios.
É preciso enfatizar os cuidados a serem tomados com o vazamento de gás combustível. Todo restaurante precisa ter uma central de gás, projetado por profissional habilitado de acordo com normas técnicas do Corpo de Bombeiros.
Na fase inicial do projeto de um restaurante, não podem faltar instalações de combate a incêndio e extintores portáteis para uso imediato e em conformidade com as exigências estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros.
Recomenda-se ainda a instalação de sistema de detecção, extinção e fechamento automático de dutos de gordura. São dispositivos adaptados em coifas e sistema de tiragem de calor e gordura nos restaurantes com o objetivo de detectar o surgimento, limitar a propagação de um incêndio e apagá-lo de forma automática.
Nunca esquecer de desligar aparelhos elétricos que não estão sendo utilizados, como chapas e fritadeiras elétricas.
Ao sair do estabelecimento, certificar de que todos os queimadores do fogão, inclusive os do forno, estão desligados.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Governo de SP fiscaliza indústrias para banir amianto.

Durante todo o mês de novembro, técnicos da Secretaria de Estado da Saúde realizam inspeções em cerca de 40 empresas no Estado para verificar se ainda há utilização do amianto na linha de produção. O uso deste tipo de matéria-prima está proibido em todo o Estado de São Paulo desde 2007.
A empresa que for flagrada usando amianto terá 60 dias para substituir a matéria-prima. Quem não cumprir a determinação poderá ter a fábrica interditada. A inspeção é realizada pelo Centro de Vigilância Sanitária em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador regionais.
Já foram realizadas fiscalizações em fábricas na região de Leme. Mais uma fábrica será vistoriada em Hortolândia. Com estas vistorias a Vigilância Sanitária conclui a fiscalização no setor de fibras e cimentos. Segundo a diretora da Divisão de Saúde do Trabalho da Vigilância Sanitária, Simone Alves dos Santos, o trabalho tem quatro metas: cobrar a substituição da matéria-prima; a eliminação dos resíduos e dos maquinários; o descarte de resíduos perigosos em aterros específicos e a listagem completa dos trabalhadores expostos à substância, estando eles na ativa ou não.
A próxima fase será incorporar a fiscalização no comércio para a construção civil.
Entre as doenças relacionadas ao amianto estão a asbestose (doença crônica pulmonar de origem ocupacional), cânceres de pulmão e do trato gastrointestinal e o mesotelioma. Estes agravos têm um período de latência em torno de 30 anos, manifestando-se em geral quando os trabalhadores já estão fora das empresas ou do mercado de trabalho. São doenças progressivas, irreversíveis, de difícil tratamento e, na maioria das vezes, levam à morte.
Fonte: JB Online

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Saiba se seu condomínio está preparado para um incêndio.

Moradores podem ajudar a verificar instalações de prédios.
Brigadas de incêndio ajudam a distribuir conhecimento.
O prédio em que você mora segue normas essenciais para combate a incêndio? Como a maioria das pessoas, a dona de casa Paula Meira, de Campinas (SP), não tinha pensado nesta questão até encarar uma situação de emergência. “Uma tomada explodiu e começou a pegar fogo em um pedaço do carpete. Eu sabia que não podia jogar água, mas não tinha idéia do que deveria fazer”, diz ela.
Paula chamou um vizinho, que usou o extintor de incêndio do edifício e o fogo foi logo controlado. A existência de extintores adequados é uma das regras essenciais para a segurança dos prédios residenciais. “Há vários tipos, mas ninguém precisa ficar decorando nada. Está tudo escrito no cilindro e o uso é muito simples”, diz Marcos das Neves Palumbo, tenente do Corpo de Bombeiros de São Paulo. “O importante é que o extintor esteja acessível e carregado. E isso qualquer um pode ver – é só olhar se o manômetro, que é o ‘reloginho’, está no nível verde”, orienta Palumbo.
Há outros itens que também podem ser checados por qualquer morador. Para o caso de um evento mais grave, é essencial que as saídas de emergência, que em geral, nos prédios residenciais, são as escadas, estejam bem sinalizadas e com portas corta-fogo desobstruídas. “Não adianta apenas uma placa indicando a porta. É preciso que a rota de fuga esteja sinalizada, para que as pessoas saibam por onde devem ir”, diz o tenente. O corrimão é importante para que a pessoa que deixa o prédio consiga acompanhar, mesmo sem visibilidade, o caminho correto até o andar térreo.
Luzes de emergência precisam estar bem distribuídas e funcionar mesmo com o sistema elétrico do prédio desligado. As lâmpadas precisam estar em ordem – por garantia, os bombeiros orientam que sejam realizados testes periódicos.
Pode parecer estranho, mas o alarme de incêndio, item obrigatório em edifícios comerciais, não é exigido para prédios residenciais. “O interfone é o alarme do morador. Por isso que, quando se tira o interfone do gancho, a ligação é feita diretamente com uma central, em geral na portaria. Dali pode partir o alerta”, explica o tenente.
Palumbo enfatiza que, qualquer que seja o caso, os moradores devem manter a calma. “Se acontecer alguma coisa, a pessoa precisa analisar a situação, verificar se precisa ou não tirar todo mundo de casa, por exemplo”, diz ele. Para fazer esta avaliação corretamente, o tenente destaca o papel das brigadas de incêndio – que são constituídas por funcionários e moradores do condomínio que são treinados pelos bombeiros. “Saber estas informações é importante não só para o prédio, mas para a vida da pessoa. Para ela saber como agir se acontece algo no trabalho, num shopping, em qualquer situação”, defende.
No estado de São Paulo, as regras de segurança contra incêndio determinam que condomínios residenciais com mais de três andares devem ter uma brigada. Mas esta e outras normas não abrangem todo o país. No Brasil, a legislação de segurança anti-fogo varia de estado para estado, e, hoje, as normas paulistas são consideradas as mais abrangentes.
“A legislação atual de São Paulo avançou bastante na parte de controle de materiais, compartimentação e segurança estrutural dos prédios”, diz Antonio Fernando Berto, responsável pelo Laboratório de Segurança ao Fogo da Divisão de Engenharia Civil do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). “Ela considera diversos pontos da segurança contra incêndio, que depende de medidas associadas a aspectos de arquitetura, construção e a instalações triviais de proteção, como hidrantes’, diz ele.
O modelo paulista está sendo seguido por outros estados. “Minas Gerais implantou sua regulamentação com base na de São Paulo”, exemplifica Berto, que, no entanto, aponta que ainda pode haver mais detalhamento.
“O sistema de alarme de incêndio, por exemplo. Hoje, em prédios residenciais, é aceito o uso do interfone. Mas é importante que seja obrigatório o alarme”, diz. “Incêndio depende de tempo. Como você vai depender de uma pessoa que atende o interfone para isso?”, questiona ele, que defende a implantação de sistemas ainda mais confiáveis.
Também por causa do tempo, Berto engrossa o coro dos defensores da informação da população em geral. “O bombeiro não é onipresente. Se as pessoas estiverem preparadas para enfrentar o fogo enquanto ele é pequeno, menor os danos, menor a ameaça. Se o fogo ganha força, depois pode não ter controle”.
Itens de segurança contra incêndios em prédios residenciais:
Saídas
* dimensionadas de acordo com o tamanho do andar e o número de pessoas;
* as escadas devem ter corrimão;
* devem estar sempre desobstruídas;
* devem ter porta corta-fogo que bloqueia a fumaça em caso incêndio.
Sinalização
* precisa indicar as saídas de emergência e as rotas de fuga;
* deve mostrar onde estão itens para combate ao fogo: hidrante, extintores, etc.
Iluminação
* deve funcionar mesmo com o sistema elétrico do prédio desligado;
* todas as lâmpadas devem funcionar - para ter essa garantia, são recomendados testes periódicos.
Extintores
* devem ficar nos corredores ou em locais a que qualquer pessoas no andar chegue sem andar mais de 30m;
* precisam estar a acima do chão e a altura de até 1,60m;
* devem ter indicação de sua utilização e sobre que tipo de material podem ser usados;
* devem estar carregados e dentro do prazo de validade.
Hidrante
* a mangueira precisa estar enrolada;
* a mangueira deve ter 30m de extensão ou ser adequada ao andar (em caso de áreas menores);
* deve haver um ponto de hidrante por andar do prédio.
Alarme de incêndio
* em prédios residenciais, pode ser substituído pelo uso de interfones ligados a uma central (em geral, na portaria do edifício).
Brigada de incêndio
* a brigada é formada por uma equipe de funcionários do prédio e alguns moradores; estas pessoas devem ter noções de combate ao fogo; recomenda-se que, a cada dois anos, a brigada passe por um novo treinamento com os bombeiros.