sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Aposentado por invalidez pode requerer quitação do seu imóvel

◊ Os aposentados por invalidez têm direito a requerer a quitação do seu imóvel junto ao agente financeiro, que iniciará o processo, a partir dos antecedentes médicos do segurado.
Quando adquire uma casa financiada pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH), o mutuário paga um seguro destinado à quitação do imóvel no caso de invalidez ou morte. O SFH entende invalidez total e permanente como incapacidade total ou definitiva para o exercício principal e de qualquer outra atividade laborativa, causada por acidente ou doença, desde que ocorrido após a assinatura do instrumento contratual de compra e venda do imóvel. Os aposentados por invalidez têm direito a requerer a quitação do seu imóvel junto ao agente financeiro, que iniciará o processo enviando ao INSS, formulário próprio a ser preenchido pela Seção de Gerenciamento de Benefícios por Incapacidade, com informações relativas à concessão do benefício de aposentadoria por invalidez, a partir dos antecedentes médicos do segurado.
Aposentadoria por Invalidez - A Previdência Social concede a aposentadoria por invalidez ao trabalhador que, por doença ou acidente, for considerado incapacitado para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhe garanta o sustento. Todos os segurados da Previdência Social têm direito a requerer esse benefício desde que cumpram com a carência de, no mínimo, 12 contribuições mensais. Essa carência, porém, é dispensada nos casos de incapacidade provocada por acidente de qualquer natureza e nas situações em que o segurado, após filiar-se à Previdência Social, for acometido de alguma das doenças ou afecções previstas no artigo 151 da Lei 8.213: tuberculose ativa, hanseníase, alienação mental, neoplasia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espodiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS), contaminação por radiação com base em conclusão da medicina especializada, e hepatopatia grave.
PREVIDÊNCIA SOCIAL

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Missão Bombeiro

Manhã tranqüila. Os bombeiros como fazem todos os dias, se posicionam em formação em pé em frente ao pavilhão de comando para preleções do oficial de serviço e para prestar as homenagens regulamentares dos símbolos nacionais.

Na cidade, o povo mantém sua rotina ordeneira e trabalhadora. Num bairro pobre da zona leste, uma senhora se prepara para fazer o que faz todos os dias, que é limpar a casa. não a sua, neste horário, mas a da sua patroa.

Neste dia porém, a pessoa que costuma ficar com seu filho de apenas 2 anos e 2 meses não pôde comparecer por problemas de saúde. Por isso, sem outra alternativa, esta senhora, que a partir de agora lhe daremos o codinome "Eva", levou consigo seu filho.

Nos bombeiros, tudo continuava calmo. As guarnições saem somente para abastecimento de combustível. Inclusive a que chamamos de "Comando Operacional" que tinha no seu interior um capitão e um cabo, esta também está nas ruas tanto para serviços administrativos quanto para apoio das guarnições.

Em dado momento, ouve-se pelo rádio a seguinte conversação:
- "ABS, COBOM. - "QRV". "Desloque-se ao bairro São Francisco entre na rua União à direita e em seguida dobre na sexta rua à esquerda. A ocorrência é no final desta. - "Qual a situação?" - "Uma criança caiu de cabeça para baixo dentro de um balde com água".
De imediato a guarnição tomou aquela direção e partiu no trânsito com brevidade (velocidade alta, sirene e giroscópio ligados). A guarnição "Comando Operacional" que estava ouvindo o rádio, também se deslocou nas mesmas condições e para o mesmo local.

Dali alguns minutos, uma nova mensagem é ouvida pelo rádio de comunicação:
- "OK, ABS! A criança está em óbito. A mãe dela nos passou que estava mergulhada no líquido a mais de 20 minutos.
Naturalmente a guarnição diminuiu a velocidade para pela segurança do trânsito. Contudo, a guarnição "Comando Operacional" ouviu a mesma mensagem e interpretou diferente. Chega a conclusão que a ocorrência requeria ainda mais brevidade, pois se passaram essa mensagem, é porque a criança estava inconsciente e sem respirar. Seu comandante mandou acelerar ainda mais a viatura para chegar mais rápido no local.

Lá chegando, deparou-se com uma mulher (Eva, lembra?) com uma criança no colo (seu filho), este estava desacordado. O capitão foi para o baú da viatura com a criança enquanto o cabo conduzia a viatura para o Hospital de Base.

No baú, o socorrista procurou verificar a respiração da criança, e constatou que a mesma não mais respirava. Fez ventilação artificial (boca a boca, pois não tinha o chamado "ambu"), observou que a caixa torácica movimentava (estava com a passagem do ar desobistruida), repetiu a manobra e observou a mesma coisa, aferiu então o pulso braquial e não conseguiu senti-lo (inconsciência, sem respiração e sem pulso). De imediato optou por uma manobra de "reanimação cardiopulmonar" na criança, vindo esta voltar a respirar no segundo ciclo.

Daí por diante, durante todo o percurso esta criança foi monitorada através dos sentidos: tato, audição e visão do socorrista. Por mais duas vezes a criança veio a parar de respirar. Voltou em ambas graças a pronta intervenção do socorrista, isso tudo presenciado por Eva.

No hospital ouve um princípio de desentendimento, pois o chefe da equipe médica, depois de analisar sumariamente a criança, que naquele momento gritava e chorava, mandou que os bombeiros a levasse para o hospital Cosme e Damião, daí o comandante daquela GU negou e disse que a criança já estava ali, o médico já a analisou e a responsabilidade era de e que para transportar-la para outro hospital era de responsabilidade da equipe médica de plantão.

Resultado: a criança ficou no hospital junto com os bombeiros e foi devidamente atendida.
Passado alguns dias o capitão dos bombeiros que atendeu a ocorrência foi até a casa conversar com Eva, mãe da criança, onde a mesma lhe contou que após sua saída a criança teve outra parada cardíaca e foi reanimada pelos médicos de plantão, seu filho passou uma semana internado sem ver nem ouvir temporariamente, mas que agora, graças a Deus, estava tudo muito bem, o que pode ser constatado pelo oficial que a toda hora observava a criança a brincar pela casa.
Para refletir: Se tivéssemos entendido a mensagem como os demais e desistido do deslocamento?
Se tivéssemos atendido ao médico a criança teria mais uma parada dentro da viatura. Será que teríamos condições de reverter a outra parada cardíaca sem os devidos equipamentos e medicamentos adequados?

Mais uma vez o Corpo de Bombeiros cumpriu sua missão: "Vidas alheias e riqueza, salvar".
Por: Cleildo Rodrigues de Cristo - Cap BM

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Crianças: Primeiros Socorros

Saiba como agir em casos de acidentes com os seus pequenos ou mesmo com familiares e amigos antes de levá-los ao hospital.
Prevenir acidentes é sempre a melhor solução, mas certas vezes nem os pais conseguem evitar que as crianças corram ao redor da piscina, brinquem com objetos perigosos, com fogo ou com aqueles amiguinhos mais briguentos. Até os adultos, por mais que se cuidem, uma hora ou outra acabam se cortando, caindo, enfim, se machucando. Por isso é fundamental saber como agir em situações de emergência.
Confira as orientações para os acidentes mais comuns, elaboradas pela Dra. Renata Dejtiar Waksman, médica pediatra da Unidade de Primeiro Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Mas lembre-se: essas são, apenas, manobras iniciais para ajudar a vítima. Após a realização dos primeiros socorros, leve o acidentado imediatamente ao pronto-socorro ou hospital.
Fraturas
As crianças mais sapecas se orgulham em dizer "eu já engessei meu braço cinco vezes!" e os amiguinhos fazem a festa no gesso, desenhando ou deixando um recadinho para o acidentado. Mas, na hora em que o acidente acontece, ninguém acha graça nenhuma: a criança chora e os pais ficam preocupados. Veja o que fazer:
  • Em caso de fratura exposta, cubra o ferimento com gaze ou pano limpo. Nunca tente realinhar o membro ou "encaixar" o osso, pois isto agravará a situação;
  • Antes de levar ao hospital, imobilize o segmento lesado com uma tábua, papelão ou madeira;
  • Ofereça um analgésico se a criança estiver consciente e com dor e a mantenha em jejum, pela possibilidade de cirurgia;
  • Eleve, se possível, as áreas inchadas e coloque uma bolsa de gelo por cima;
  • Se ocorrer hemorragia, faça uma compressão do local com panos limpos.

Cortes

Nunca deixe um ferimento grave aberto por mais de seis horas, caso contrário ele se contaminará, aumentando o risco de infecção. Antes de ir ao pronto-socorro, faça o seguinte:

  • Lave o local com água corrente e comprima levemente com um pano limpo, até parar o sangramento;
  • Não coloque medicamentos ou soluções caseiras no local, para evitar alergia ou infecção;
  • Se houver necessidade de sutura, ela deverá ser realizada no hospital, com anestesia local. A retirada dos pontos será definida pelo médico, em função do tipo, profundidade, extensão e localização do ferimento.

Queimaduras

  • A primeira providência a ser tomada é isolar a vítima do agente causador do acidente e, em seguida lavar com água corrente limpa a área queimada;
  • Seque o local de forma delicada, utilizando um pano limpo, pedaços de gaze estéril ou compressas. Evite usar algodão;
  • Se a roupa estiver grudada na área queimada, tenha muito cuidado. Lave a região até que o tecido possa ser retirado delicadamente, sem aumentar a lesão. Se continuar aderido à pele, recorte-o ao redor do ferimento;
  • Se a queimadura ocorreu por exposição a um agente químico ou cáustico, faça o contrário: remova a roupa para evitar que o produto permaneça em contato com a pele;
  • Não coloque água muito fria, gelo, sabão ou qualquer produto químico sobre a região lesada. Isso pode agravar a área machucada;
  • Proteja o local com um pano de tecido limpo e, se surgirem bolhas, não as rompa;
  • Para diminuir o inchaço, mantenha a região mais elevada que o resto do corpo e, se a pessoa sentir muita dor, administre analgésicos comuns.

Intoxicações

Tente sempre manter os produtos perigosos fora do alcance das crianças. E, em caso de intoxicações proceda assim:

  • Telefone para o centro de informação toxicológica de sua cidade;
  • Transporte a vítima para o Pronto Socorro o mais rápido possível e leve o tóxico responsável;
  • Não administre líquidos, principalmente se a pessoa estiver sonolenta ou inconsciente;
  • Não tente provocar vômitos, especialmente se o produto ingerido for cáustico;
  • Certifique-se de que a criança consegue respirar.

"Se a intoxicação ocorreu por inalação, retire a pessoa do ambiente tóxico, remova suas roupas, sem deixá-la passar frio e procure por queimaduras químicas. Se houver contato, remova as roupas da vítima, lave a região afetada com água corrente e sabão neutro e aplique compressas frias para diminuir a coceira" explica a Dra. Renata Waksman.

Trauma de crânio

Alguém caiu e bateu a cabeça ou sofreu um grave acidente? Leve imediatamente ao hospital, tomando os seguintes cuidados:

  • Se o local estiver sangrando, pressione uma bolsa de gelo ou pano limpo;
  • Se a pessoa estiver consciente e respirando, deite-a de lado e coloque os ombros e a cabeça ligeiramente elevados;
  • Fique atento para a possibilidade de fratura de crânio, para a presença de dor, sensibilidade e hemorragia no couro cabeludo, além de inchaço ao redor da ferida e perda de consciência.

"Leve a criança novamente ao pronto-socorro se, no período de observação (12 horas), ela apresentar episódios de náuseas ou vômitos, dor de cabeça ou tontura persistente, sonolência excessiva, palidez, convulsões, tremores ou presença de sangue no nariz, ouvido ou boca" alerta a pediatra.

Sangramento nasal

"Meu nariz sangra nos piores lugares ou momentos, como no meio de festas, em provas na escola ou até em restaurantes e eu nunca sei o que fazer!" conta Cesar Ribeiro. Veja como agir neste casos:

  • Coloque a pessoa na posição sentada, com o tronco inclinado para frente, para evitar a deglutição de sangue;
  • Pressione as narinas, com os dedos em forma de pinça, na região acima da ponta do nariz;
    se possível, aplique compressas frias. Após alguns minutos afrouxe a pressão vagarosamente e não permita que ela assoe o nariz;
  • Se o sangramento persistir por mais de 10 minutos ou recorrer, volte a comprimir a narina e procure o serviço médico.

Convulsões

Quando alguém tem uma convulsão geralmente as pessoas à sua volta se assustam e não sabem como ajudar. Veja o que fazer:

  • Mantenha a pessoa deitada de lado para que a saliva não se acumule na cavidade oral ou, se ocorrer vômito, para que este não a sufoque. Deite-a de preferência no chão ou numa superfície macia e proteja-a de traumas, mas evite restringir seus movimentos;
  • Coloque um travesseiro sob sua cabeça;
  • Não realize nenhuma manobra de reanimação cardio-respiratória como respiração boca-a-boca ou massagem cardíaca;
  • Registre a duração aproximada da crise;
  • Quando os abalos musculares cessarem, certifique-se de que a vítima esteja respirando sem dificuldades;
  • Não administre nenhuma medicação ou líquidos até que ela esteja bem desperta;
  • Ajude a pessoa a se orientar e, conforme ela readquirir a consciência, diga algumas palavras de encorajamento.

Ingestão de corpo estranho

Segundo a Dra. Renata Waksman, sempre que alguém ingere um corpo estranho, principalmente quando é uma criança, deve receber atendimento e orientação médica. É importante ressaltar que:

  • Não se deve provocar vômitos em nenhuma circunstância;
  • Objetos pequenos, plásticos, metálicos, não pontiagudos e não cortantes freqüentemente são eliminados junto com as fezes, sem causar nenhum sintoma;
  • Alguns objetos são particularmente perigosos e merecem atenção especial, tais como agulha, vidro, pilhas e baterias. Estes podem se romper e liberar substância tóxica.

Aspiração de corpo estranho

Quando se aspira um corpo estranho pela boca, se a pessoa conseguir, estimule-a a forçar a tosse, uma das melhores formas de expulsão.

  • Não tente retirar o objeto às cegas, enfiando o dedo na boca, pois este procedimento muitas vezes acaba introduzindo ainda mais o corpo estranho na via aérea da pessoa;
  • Se você conseguir visualizar o corpo estranho, retire-o utilizando os dedos polegar e o indicador, num movimento de pinça;
  • Se a pessoa não consegue tossir, falar ou chorar e apresenta coloração arroxeada da pele, necessita de manobras imediatas de desobstrução de vias aéreas. Somente pessoas que tenham sido treinadas em cursos específicos, como de Suporte Básico de Vida, podem realizar essas manobras.

"Leve imediatamente a pessoa ao pronto socorro para garantir que tudo esteja bem, mesmo que já tenha eliminado o corpo estranho. Nenhum tipo de alimentação deve ser oferecido à vítima, até que seja liberada pelo médico" conclui a médica.

* A Dra. Renata Dejtiar Waksman é médica pediatra da Unidade de Primeiro Atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Fonte: http://www.clicfilhos.com.br

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Acidente de Trabalho - O maior aumento acontece no "acidente de trajeto".

Acidentes no trajeto casa-trabalho foram os que mais aumentaram.
Os chamados acidentes de trabalho de trajeto, aqueles que acontecem quando o empregado vai para o local onde trabalha, ou na volta à casa, foram os que mais aumentaram nos últimos quatro anos. Dados do Ministério da Previdência Social (do Anuário Estatístico 2005)) mostram que, de 2001 a 2005, os acidentes de trajeto aumentaram 35,88%. Em 2003, houve 49.642 ocorrências desse tipo; a quantidade aumentou para 60.335 em 2004 e para 67.456 em 2005 (ou 2,55 acidentes para cada mil pessoas).
Os dados da Previdência também mostram que, em 2005, os acidentes de trajeto atingiram principalmente jovens na faixa etária entre 20 e 24 anos, com 13.793 casos. Para efeito de comparação, na faixa etária entre 40 e 44 anos o número de ocorrências foi quase a metade, 6.925. Na faixa etária de 45 anos ou mais, houve 11.279 registros.
Remígio Todeschini, presidente da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), ligada ao Ministério do Trabalho, revelou que cerca de 209 mil vítimas de acidentes de trabalho em 2005 tinham entre 16 e 19 anos.
"A cada ano entram no mercado de trabalho cerca de 1,5 milhão de trabalhadores, em sua grande totalidade jovens com até 29 anos.Normalmente não há uma preparação, uma qualificação mais adequada, pelo fato de os jovens não terem maior experiência profissional nas diversas atividades econômicas", explica Todeschini.
O secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência, Helmut Schwarzer, diz que tanto o Ministério dos Transportes quanto o das Cidades já estão implementando políticas para melhorar as condições de segurança nas estradas e ruas. Entretanto, ele ressalta que o empregador também deve fazer a sua parte.
"Ele tem que se preocupar também com uma condução mais segura para os seus funcionários e procurar ajudá-los a prevenir esses acidentes de trânsito", disse.
Para o diretor do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Rinaldo Marinho, o aumento dessas ocorrências é conseqüência da violência no trânsito e da violência urbana, já que se considera acidente de trajeto qualquer lesão que o trabalhador sofra no caminho entre sua residência e o local de trabalho, e vice-versa.
"Pode ser um assalto, um acidente com o veículo. A gente tem uma grande dificuldade nas ações do Ministério do Trabalho e Emprego de intervir.
Nossos instrumentos são muito mais adequados para intervir no ambiente da empresa, nos acidentes típicos e nas doenças relacionadas ao trabalho", afirma.
Segundo a Previdência, os estados com mais acidentes de trajeto foram, respectivamente, São Paulo, com 25.494 casos, ou 37,7% do total de casos no Brasil; em seguida vem o estado de Minas Gerais, com 6.499 acidentes e o Rio de Janeiro, com 6.196 casos.
Para Rinaldo Marinho, um caso que chama a atenção na cidade de São Paulo é a dos profissionais motoqueiros, também conhecidos como motoboys. Segundo ele, algumas estatística apontam que todos os dias morre pelo menos um motoboy na maior cidade da América Latina.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Empresas querem enxugar gordurinhas de funcionários

Quem nunca se rendeu àquela coxinha ou a um bombom no meio do expediente que jogue a primeira pedra. Quando bate a fome nesse horário, é difícil recusar guloseimas que afetam não só a silhueta mas também a disposição para o trabalho.

Apesar do cenário, um levantamento feito em 2005 pela consultoria Watson Wyatt aponta que a maioria das empresas brasileiras não conta com iniciativas voltadas para a melhoria da saúde de seus funcionários ou para a redução dos custos médico-hospitalares.

Aos poucos, porém, empresas começam a oferecer programas de educação alimentar para seus colaboradores.

O Hospital das Clínicas é uma delas. Em março de 2006, a instituição lançou aos colaboradores o desafio de emagrecer cinco toneladas em 18 meses.

Os milhares de profissionais tiveram acompanhamento e avaliação semanais. Resultado: três meses antes do prazo, a equipe atingiu a meta.

Outra empresa que procura informar seus trabalhadores sobre a importância de um estilo de vida mais saudável é a Amway. O programa, focado na reeducação alimentar, conta com palestras, orientação nutricional, avaliação física e noções para equilibrar o cardápio.

"Estamos aptos a colocar em prática um estilo de vida mais saudável, o que melhora o nosso dia-a-dia no trabalho", conta Cássia Dias, gerente de RH da Amway de São Paulo, uma ex-"viciada" em chocolates.

Hoje ela é um dos exemplos do sucesso do projeto: substituiu as balas, chocolates e batatinhas por um copo de suco de laranja antes do almoço e por uma fruta à tarde.
A queda de enfermidades como hipertensão e diabetes é refletida no aumento de produtividade do trabalhador.

Para isso, a recomendação do chefe da disciplina de clínica médica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Monteiro da Silva, é manter distância dos petiscos.

Foi o que fez a gerente Patrícia Ávila após tomar um susto com um aumento de peso repentino e o desânimo para o trabalho. "Aos poucos, fui me reeducando", explica ela.
PRISCILA GORZONI
Colaboração para a Folha de S.Paulo

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Tribunal manteve prazo de 20 anos para pedido de dano moral por acidente de trabalho

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, acompanhando o voto do ministro Antônio Barros Levenhagen, manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) que considerou como sendo de 20 anos o prazo prescricional para o empregado pleitear indenização por danos morais decorrentes de acidente de trabalho. Pelo entendimento adotado, se a ação teve origem na Justiça Comum, somente sendo deslocada para a Justiça Trabalhista a partir da Emenda Constitucional n° 45/2004, não seria razoável aplicar a prescrição trabalhista somente em virtude do deslocamento da competência.
A ação foi proposta em 2001, na Vara Cível de Vitória (ES), por um ex-empregado da Aracruz Celulose S/A. O trabalhador, de 58 anos, disse que foi admitido na empresa em julho de 1977, como operador de máquina de secagem. Em 1982, quando foi enviado para trabalhar na fronteira do Brasil com a Argentina, perdeu todos os dedos da mão direita numa prensa cilíndrica, após trabalhar durante 15 dias ininterruptos. Em janeiro de 1992 sofreu outro acidente, caindo de uma escada metálica e fraturando a bacia e vértebras. Apesar do infortúnio, continuou trabalhando na empresa até março de 1994, quando foi demitido sem justa causa.
Na petição inicial, o trabalhador disse que a empresa agiu com culpa no acidente que o mutilou, por exigir esforço físico e mental além de sua capacidade, sem fornecer instrução nem equipamento para a segurança pessoal. Argumentou que, sem os dedos da mão, é difícil arrumar novo emprego, e por isso encontrava-se em sérias dificuldades financeiras. Pediu pensão mensal, no valor do salário que recebia, do momento do acidente até que completasse 65 anos de idade, e indenização por danos morais e estéticos a serem arbitrados pelo juiz.
A Aracruz, em contestação, para livrar-se da responsabilidade, disse que o acidente ocorreu na Argentina, quando o empregado trabalhava para a empresa Alto Paraná. Alegou que a culpa era do próprio empregado, por não obedecer às normas de segurança. Por fim, quanto ao valor pleiteado, considerou-o ”absurdo”, com “nítido caráter de enriquecimento”, e afirmou que até mesmo “no trágico naufrágio do Bateau Mouche” a indenização concedida foi menor do que a pedida pelo trabalhador.
A Vara Cível, com base na Emenda Constitucional nº 45, declinou da competência, remetendo os autos à Justiça do Trabalho. Na Justiça Especializada, a sentença foi favorável ao empregado. Com base nas provas apresentadas, o juiz concluiu que o este, apesar de estar trabalhando na fronteira, obedecia ordens do seu empregador, a empresa Aracruz, devendo esta ser responsabilizada pelo acidente. O magistrado destacou também que a empresa não comprovou a falta de cuidado do empregado no manuseio da máquina, e salientou a atitude negativa da empresa ao dispensar o empregado, sem justificativa, mesmo sabendo que ele teria dificuldades para arrumar um novo emprego. Foi deferida pensão mensal desde abril de 1994 até novembro de 2014, mais indenização pelos danos morais no valor de R$ 31.200,00, (equivalente a 120 salários mínimos da época).
A Aracruz, no longo recurso que ocupou 44 laudas, alegou a prescrição total do direito do empregado de pleitear danos morais, pois a ação foi ajuizada em outubro de 1997, a rescisão ocorreu em março de 1994 e o acidente se deu 15 anos antes, em 1982. Disse que deveria ser aplicado ao caso a prescrição trabalhista do artigo 7°, XXIX, da Constituição Federal, que prevê o direito de ação “com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho" .
O TRT/ES negou provimento ao recurso da empresa, mantendo o valor arbitrado na sentença. “A ação foi ajuizada perante a Justiça Estadual Comum, competente para apreciá-la à época de seu ajuizamento, sendo inequívoco que foi exercitada dentro do prazo prescricional aplicável a ela, ou seja, aquele estabelecido no Código Civil de 1916, artigo 177”, destacou o acórdão. Segundo a lei civil, os prazos são de 20 anos para as ofensas ocorridas até 9 de janeiro de 2003 (CC de 1916, artigo 177) e de dez anos para as ofensas ocorridas a partir de 10 de janeiro de 2003 (CC de 2002, artigo 205). O acórdão destacou também o fato de que a empresa não argüiu a prescrição na sua peça de defesa. Insatisfeita, a Aracruz recorreu, sem sucesso, ao TST. O agravo de instrumento interposto não foi provido porque a parte não conseguiu demonstrar ofensa à legislação vigente nem divergência específica de julgados para permitir o confronto de teses.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Os trabalhadores do lixo

Você já parou para pensar que depois que o lixo sai da sua casa ou trabalho inúmeras pessoas ainda entram em contato com ele?

Com certeza você já deve ter refletido como é desagradável lidar com o lixo. E também já deve ter pensado como os garis ou lixeiros ‘conseguem’ trabalhar o dia inteiro sentindo os odores desagradáveis do lixo acumulado nos caminhões. Pois é. Realmente não deve ser fácil. Portanto, devemos reconhecer a importância do papel dessas pessoas na limpeza da cidade! E de como elas facilitam a sua própria vida! Imagine se cada um de nós tivesse que levar nosso lixo para um lugar seguro e longe das nossas vistas todos os dias...

É comum a síndrome NIMBY (Not In My Backyard, ou seja, “não no meu quintal”), ou o hábito de “esconder a sujeira debaixo do tapete”, ou ainda o pensamento “longe da vista, longe do perigo”. Foi exatamente por isso que os problemas resultantes do acúmulo de lixo se tornaram tão preocupantes, pois o lixo foi se acumulando em locais onde antes parecia que não causaria tantos problemas.
Portanto, a sua responsabilidade com o lixo não acaba na disposição deste em sacos plásticos e colocados à sua porta para serem levados “a algum lugar” ( destino do lixo). O lixo deve ser acondicionado devidamente, de forma a proporcionar:
  • Segurança (não descarte na lixeira o que você considera perigoso ou tóxico – ver tipos de lixo );
  • Vedação;
  • Resistência contra objetos pontiagudos ou cortantes;
  • Capacidade para armazenar o lixo durante o intervalo mais longo de coleta;
  • Facilidade de manuseio pelo usuário e equipe de coleta.

Caso contrário, pode causar acidentes com os funcionários; tornar o serviço mais lento e, portanto, mais oneroso (pela necessidade de juntar o lixo derramado e aumentar o tempo de coleta, gastando mais combustível); ou pode ainda causar desgaste nos equipamentos (objetos podem entrar no motor ou pode haver substâncias corrosivas no lixo).

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Animais Peçonhentos - Primeiros Socorros

Primeiros socorros

Muitos procedimentos, embora não recomendados, são ainda amplamente empregados como medidas visando retardar a absorção no veneno. Boa parte deles pode, na verdade, contribuir para a ocorrência de complicações no local da picada.
Medidas a serem tomadas em caso de acidentes:
* Não amarrar o membro acometido.
O torniquete ou garrote dificulta a circulação do sangue, podendo produzir necrose ou gangrena e não impede que o veneno seja absorvido.



* Não cortar o local da picada.
Alguns venenos podem inclusive provocar hemorragias e o corte aumentará a perda de sangue.


* Não chupar o local da picada.
Não se consegue retirar o veneno do organismo após a inoculação. A sucção pode piorar as condições do local atingido.
* Lavar o local da picada somente com água e sabão.
Não colocar substâncias no local da picada, como folhas, querosene, pó de café, pois elas não impedem que o veneno seja absorvido, pelo contrário, podem provocar infecção.
* Evitar que o acidentado beba querosene, álcool ou outras bebidas.
Além de não neutralizarem a ação do veneno, podem causar intoxicações.

* Manter o acidentado em repouso.
Se a picada tiver ocorrido em pé ou perna, procurar manter a parte atingida em posição horizontal, evitando que o acidentado ande ou corra.

* Levar o acidentado o mais rapidamente possível a um serviço de saúde.
É difícil estabelecer um prazo para o atendimento adequado porém o tempo decorrido entre o acidente e o tratamento é um dos principais fatores para o prognóstico. O soro é o único tratamento eficaz no acidente ofídico e deve ser específico para cada tipo (gênero) de serpente.



Acidentes por escorpião


Os escorpiões de importância médica estão distribuídos em todo o país, causam dor no local da picada, com boa evolução na maioria dos casos, porém crianças podem apresentar manifestações graves decorrentes do envenenamento.

Em caso de acidente, recomenda-se fazer compressas mornas e analgésicos para alívio da dor até chegar a um serviço de saúde para as medidas necessárias e avaliar a necessidade ou não de soro.


Acidentes por aranhas


São três os gêneros de aranhas de importância médica no Brasil:

Loxosceles ("aranha-marrom"): é importante causa de acidentes na região Sul. A aranha provoca acidentes quando comprimida; deste modo, é comum o acidente ocorrer enquanto o individuo está dormindo ou se vestindo, sendo o tronco, abdome, coxa e braço os locais de picada mais comuns.


Phoneutria ("armadeira", "aranha-da-banana", "aranha-macaca"): a maioria dos acidentes é registrada na região Sudeste, principalmente nos meses de abril e maio. É bastante comum o acidente ocorrer no momento em que o indivíduo vai calçar o sapato ou a bota.


Latrodectus ("viúva-negra"): encontradas predominantemente no litoral nordestino, causam acidentes leves e moderados com dor local acompanhada de contrações musculares, agitação e sudorese.

As aranhas caranguejeiras e as tarântulas, apesar de muito comuns, não causam envenenamento. As que fazem teia áreas geométricas, muitas encontradas dentro das casas, também não oferecem perigo.


Acidentes por taturanas ou lagartas

As taturanas ou lagartas que podem causar acidentes são formas larvais de mariposas que possuem cerdas pontiagudas contendo as glândulas do veneno. É comum o acidente ocorrer quando a pessoa encosta a mão nas árvores onde habitam as lagartas.

O acidente é relativamente benigno na grande maioria dos casos. O contato leva a dor em queimação local, com inchaço e vermelhidão discretos. Somente o gênero Lonomia pode causar envenenamento com hemorragias à distância e complicações como insuficiência renal.
Soros

Os soros antipeçonhentos são produzidos no Brasil pelo Instituto Butantan (São Paulo), Fundação Ezequiel Dias (Minas Gerais) e Instituto Vital Brazil (Rio de Janeiro). Toda a produção é comprada pelo Ministério da Saúde que distribui para todo o país, por meio das Secretarias de Estado de Saúde. Assim, o soro está disponível em serviços de saúde e é oferecido gratuitamente aos acidentados. Em São Paulo, a relação dos pontos estratégicos para o atendimento dos acidentes por animais peçonhentos está disponível no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Equipamentos Elétricos - Prevenção a melhor solução

Para evitar problemas com eletricidade e equipamentos elétricos é importante observar alguns cuidados simples, porém eficazes, na prevenção de acidentes e escolher corretamente produtos que possam proteger a rede e os equipamentos nela instalados. Dessa maneira, é possível resguardar o patrimônio, a saúde e a vida de pessoas.
  • Nunca mexa na parte interna das tomadas. Nunca deixe as crianças brincarem com tomadas. Vede-as com protetores especiais e instale um Dispositivo DR.
  • Ao trocar lâmpadas, toque somente na extremidade do suporte (de porcelana ou plástico) e no vidro da lâmpada elétrica. Desligue a chave geral antes de fazer a troca.
  • Nunca toque em aparelhos elétricos quando estiver com as mãos ou o corpo úmidos.
  • Não mude a chave de temperatura (inverno-verão) do chuveiro elétrico com o corpo molhado e o chuveiro ligado.
  • Mantenha os aparelhos elétricos em bom estado. Envie para o conserto sempre que apresentarem problemas ou causarem pequenos choques.
  • Mantenha em bom estado os fios elétricos que ficam à vista. Com o tempo, a capa protetora se desgasta. Nunca deixe um fio elétrico descoberto.
  • Instale o fio terra em chuveiros e torneiras elétricas.
  • Ao manusear objetos metálicos, tenha cuidado para que eles não esbarrem em nenhum cabo elétrico aéreo.
  • Nunca pise em fios caídos no chão, principalmente depois de uma tempestade.

Fonte: Secretaria da Segurança Pública de SP / Corpo de Bombeiros

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Cuidados com postura eliminam dores

A maneira de sentar, andar, permanecer em pé ou deitado determina não só a qualidade da postura, mas a qualidade de vida das pessoas. "O modo como cada indivíduo 'carrega' seu próprio corpo tem influência direta sobre a dor e pode comprometer a saúde como um todo", alerta Lafayette Lage, especialista em quadril e medicina esportiva, diretor da Clínica Lage Ortopedia de Ponta.

Segundo o médico, a má postura afeta a posição de alguns órgãos internos, diminui o fluxo sangüíneo e pode prejudicar até mesmo a visão", diz. De acordo com o ortopedista, todas as partes do corpo ficam em equilíbrio quando se tem boa postura.

"Em pé, é necessário que pescoço, ombros, coluna lombar, pélvis e quadril estejam todos alinhados. Sentado, enquanto o quadril suporta o peso do corpo, os pés devem estar totalmente apoiados no chão e a coluna deve receber todo suporte do encosto da cadeira".
Desde cedo

Lage defende que desde a infância é importante aprender a ter bons hábitos posturais. "Grande parte das dores na fase adulta poderia ser evitada se as pessoas assumissem uma boa postura desde crianças. É muito importante corrigir casos em que a criança se apóia em uma só perna quando em pé, ou mesmo quando brinca sentada no chão sobre as pernas dobradas, ou ainda quando dorme de bruços. Tem adolescente que debruça metade do corpo sobre a carteira enquanto copia lições da lousa. Eles precisam de ajuda."
Segundo o especialista, depois de anos cultivando hábitos nocivos ao deitar, sentar, parar ou andar, ossos e cartilagens sofrem um desgaste maior e localizado, sendo comum a pessoa começar a sentir dores agudas, como se fossem 'pontadas' ou 'choques elétricos' nas pernas, costas, ombros ou pescoço.

"A má postura na fase de crescimento, que vai do nascimento aos 20 anos, chega a 'torcer os ossos' levando a um encaixe assimétrico nas pontas dos ossos e sobrecarregando as cartilagens. Algumas vezes, este desencaixe é tão grave que chega a ser de difícil solução, levando a uma artrose (desgaste) precoce da articulação".
Ao dormir
"Nós passamos quase um terço da vida dormindo. Daí a importância fundamental de adquirir bons hábitos posturais ao deitar", diz Lafayette Lage. O ideal é permitir que a espinha permaneça em sua posição normal, com sua curva natural.
"Dormir de bruços deve ser combatido, já que a pessoa acaba não só forçando a coluna lombar, como também acaba entortando o pescoço. Essa é a razão por que muita gente acorda mal, mais cansada e dolorida. O ideal é dormir de lado, com um travesseiro que tenha a altura exata entre o ombro e o pescoço".
E o médico dá mais uma dica:

"Colocar um pequeno travesseiro entre as pernas ligeiramente flexionadas também é aconselhável para que o repouso seja restaurador", diz Lafayette Lage.
Sapatos
"Os pés devem receber uma atenção especial, já que contribuem para a boa postura. Usar calçados confortáveis é uma das primeiras medidas recomendadas quando o assunto é dor", ressalta.
"Saltos altos, formatos apertados, ou modelos que ponham em risco a estabilidade da pessoa podem resultar em dores nas costas, cansaço extremo nas pernas, enfim, uma série de desconfortos que chegam ao consultório dos ortopedistas diariamente".
Dicas para aliviar a dor

Lage chama atenção para a importância dos exercícios regulares para a manutenção da boa postura. "Há alguns exercícios simples que ajudam a fortalecer a musculatura, dando suporte à postura ideal".

Confira: "Para treinar o corpo a manter o alinhamento adequado, deve-se sentar no chão, com as costas contra uma parede. Certifique-se de que a cabeça, os ombros e o quadril toquem a parede e permaneça na posição por alguns minutos. O ideal é repetir o exercício diariamente até que se aprenda a alinhar a coluna. O paciente pode aproveitar a posição para fazer meditação ou relaxamento, também".
"Outra dica é adotar a posição anterior, tentando levantar e abaixar sem desencostar da parede".
"Para exercitar a espinha, deite-se de costas, eleve os joelhos à altura peito, envolvendo-os com os braços. Role o corpo de um lado para o outro nessa posição, sem soltar, por algumas vezes seguidas".

"Deitado de costas, repita os movimentos de bicicleta, com as pernas no ar. Pedale em grandes círculos, sem pressa e sem mover as costas".

"Finalmente, acostume-se a caminhar como se fosse um militar em desfile, ou seja, barriga encolhida, ombros e cabeça alinhados com a bacia para quem olha de lado. Essas dicas visam fortalecer toda musculatura que sustenta a coluna, que são os músculos abdominais, glúteos e paravertebrais".
Fonte: BR Press

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Como identificar o tipo de extintor no escuro

É uma situação um tanto rara, mas com empenho e pratica o profissional poderá sem muita dificuldade identificar mesmo no escuro o extintor de incêndio, imagine conseguir distinguir extintores até de olhos vendados!.
Então vem o obvio mental, se eu precisar de um extintor vai ter fogo perto e se tem fogo tem luz, para que eu vou precisar saber distinguir um extintor no escuro, não é? Não necessariamente, acompanhe...

Primeiro que se você souber reconhecer extintores até de "olhos fechados" é obvio que vai ser muito mais fácil reconhece-los de olhos abertos, outro ponto não é só no escuro que não se enxerga, poderíamos devagar em várias possíveis situações, porém vou citar somente uma, o extintor esta dentro de um cômodo repleto de fumaça e o foco de incêndio tem acesso por fora do cômodo, você vai precisar entrar para pegar o extintor.

Vamos a prática do exercício, que aliás é muito simples, consistente apenas em separar alguns extintores e com os olhos fechados tatea-los, como faria um deficiente visual, com um pouco de prática vai "sentir" qual é qual.

Só isso não é suficiente, vamos as dicas especiais que você vai juntar ao seu tato.

Como os mais experientes devem estar pensando o mais fácil de se descobrir no tato é o extintor de Gás Carbônico (CO2), e é mesmo, por dois motivos, ele não tem o manômetro e tem na ponta do mangote o grande dissipador do gás, esse é fácil.

Agora complica pois outros três extintores Água (H2O), Pó Químico Seco (PQS) e Espuma são bem parecidos, o de H2O e o de PQS são praticamente idênticos, até são mas...

O som deles é diferente, bata de leve no cilindro com qualquer objeto, no de pó o som é seco, como se fosse algo maciço, já no de água o som é oco como se estivesse vazio, faça o teste é muito interessante.

O extintor de espuma é parecido com os dois acima, porém tem um "bico" (ou deveria ter) na ponta do mangote que é único, é um dispositivo que ajuda na dispersão da espuma, vendo ou tocando uma vez você já não esquece.

Considerações importantes.

Esta pratica é proposta apenas para ajudar a fixar na sua mente as características de cada extintor, não é uma orientação oficial e conseqüências de sua prática são de sua inteira responsabilidade.

Praticando sempre a assimilação é automática e você terá sucesso com muito pouco esforço. Praticando também vai poder saber pelo tamanho o peso do extintor, tudo vai de prática.

Atenção pois podem surgir novos extintores no mercado, esteja sempre atento para não se confundir.

Caso você esteja numa situação real e não consiga distinguir qual extintor é, aponte e dispare um pequeno jato na direção contrária ao fogo assim você terá certeza de qual é o agente e poderá então usa-lo ou não no princípio de incêndio.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Prefeitura catarinense terá que indenizar gari que pegou AIDS

Município de Brusque (SC) foi condenado ao pagamento de indenização ao gari L.C.M, de 33 anos, contaminado com o vírus HIV, quando recolhia lixo hospitalar do Hospital e Maternidade Cônsul Carlos Renaux.
Ao pegar um saco de lixo, o gari teve o dedo espetado por uma seringa com restos de sangue. O ferimento foi profundo, e o trabalhador foi levado ao hospital para que a agulha fosse retirada, pois estava presa debaixo da unha.

O fato aconteceu em 1995. Mesmo com o dedo machucado e mostrando sinais de infecção, L.C.M. continuou coletando lixo. Um ano depois, o gari mostrava os primeiros sintomas de AIDS.

Condenado ao pagamento de uma indenização cujo valor atualizado chega a R$ 140 mil, o Município recorreu, alegando que a contaminação não teria se dado durante o trabalho. O recurso foi julgado improcedente pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.

Em estado terminal, L.C.M. comemorou o resultado, alertando as autoridades e seus próprios colegas de profissão sobre os riscos da manipulação de lixo hospitalar.

O gari trabalhava sem nenhum equipamento de proteção individual, nem sequer luvas.
Fonte: Jornal da Ordem

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Tribunal condena empresa que não comunicou acidente sofrido por empregada

A 10ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região reformou decisão da 1ª Vara do Trabalho de Marília, dando provimento a recurso de uma trabalhadora, em processo movido contra uma creche e contra o Município de Oriente. A reclamante sofreu um acidente e quebrou um osso do pé direito enquanto trabalhava como agente comunitário, mas a administração da creche se omitiu e não expediu a Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT) à Previdência Social. Para o relator, Juiz José Antonio Pancotti, nem mesmo a faculdade legal garantida ao empregado de comunicar diretamente o acidente ao INSS elimina a responsabilidade patronal, exceto se houver justificativa plausível. O juiz de primeira instância julgou o pedido inicial improcedente, sob o fundamento de que a reclamante não demonstrou de maneira cabal a ocorrência do acidente. A Câmara entendeu, todavia, que tanto a prova testemunhal quanto a documental comprovaram que o problema realmente aconteceu. Dessa forma, a trabalhadora conquistou o direito à estabilidade provisória, conforme o artigo 118 da Lei 8.213 de 1991.

O acidente - De acordo com seu relato, a reclamante, em 2 de dezembro de 2004, durante a jornada de trabalho, caiu num buraco numa rua e torceu o pé direito. As alegações foram confirmadas por uma testemunha, segundo a qual, no momento da queda, a reclamante portava crachá e colete de agente comunitário. Ainda conforme o depoimento da testemunha, na tarde do mesmo dia a trabalhadora telefonou para ela e afirmou que havia quebrado o pé.
A própria creche, em sua defesa, confirma a apresentação dos vários atestados médicos descritos pela autora na petição inicial, sem contestar seu conteúdo. A primeira reclamada alegou que a trabalhadora teria sido orientada a buscar pessoalmente a licença perante o INSS, mas não teria aceitado, argumento que não convenceu o juiz Pancotti. "Não é dada ao empregado a prerrogativa de aceitar ou não a abertura de CAT ou mesmo o possível encaminhamento ao INSS", retrucou o relator. A recusa do empregado numa situação como essa poderia acarretar, inclusive, sua dispensa por justa causa, em decorrência de ato de indisciplina ou de insubordinação, nos termos do artigo 482 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), advertiu o magistrado. "Assim, a reclamada negligenciou em não emitir a CAT, como lhe competia, comunicando o acidente à Previdência Social", concluiu o juiz, para quem o objetivo da creche era descaracterizar a ocorrência do acidente de trabalho. Na opinião do relator, a reclamada agiu dolosamente, causando prejuízo à trabalhadora, uma vez que a emissão da CAT para o INSS traria benefício previdenciário e legal à reclamante, como a estabilidade do acidentado.
Para o relator, não restou dúvida de que a queda ocorreu durante o exercício da profissão, no campo de trabalho como agente comunitário. Sendo assim, equipara-se ao acidente de trabalho, por força do artigo 21 da Lei 8.213, havendo a responsabilidade objetiva do empregador, independentemente de culpa, conforme dispõe o artigo 7º da Constituição Federal. Assim, votou o juiz Pancotti pelo provimento ao recurso da reclamante, com o conseqüente pagamento de indenização correspondente aos salários do período de doze meses de estabilidade decorrente de acidente de trabalho, uma vez que, conforme a Súmula 396 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a reintegração se tornou inviável, por ter decorrido o período da garantia de emprego. Os demais integrantes da Câmara acompanharam unanimemente.
A reclamante requereu a condenação solidária do Município de Oriente ao pagamento das verbas pleiteadas, alegando que foi contratada pela creche para atuar nos programas "Saúde da Família" e "Agentes Comunitários de Saúde", instituídos pelo município. Segundo o relator, a análise do processo demonstra que a creche, entidade sem fins lucrativos, de fato firmou convênio com a prefeitura, por intermédio da Secretaria Municipal de Saúde, para a execução dos programas citados pela autora. À prefeitura, por meio do Fundo Municipal de Saúde, incumbia a transferência dos recursos financeiros e materiais necessários à implantação, execução, implementação e manutenção dos programas. "Com efeito, o ato de firmar convênio efetivamente não atinge a propriedade e não implica alteração das partes contratantes, uma vez que alcança apenas e tão-somente a administração dos programas a serem implementados com vistas ao interesse da coletividade", ponderou o juiz Pancotti. Para ele, o vínculo de emprego existiu, efetivamente, apenas com relação à creche, a real empregadora. Contudo, prosseguiu o magistrado, a ingerência absoluta do município, gerenciando os serviços e funcionários, atrai responsabilidades, "devendo, pois, figurar como responsável subsidiário, e não solidário, diante dos termos do decreto de convênio".
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 15ª Região Campinas

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Sindrome do Edifício Doente

A organização mundial de saúde (OMS) criou a expressão "Síndrome do Edifício Doente"; em 1983 para definir os prédios comerciais envidraçados, com ambientes controlados artificialmente e acarpetados e pouca manutenção. Por causa do acúmulo de umidade e poeira, o volume de micróbios nocivos à saúde é dez mil vezes maior do que a céu aberto.
A OMS calcula que um quarto dos edifícios nas metrópoles de todo o mundo tem péssima qualidade do ar. O mal atinge escritórios, hospitais, casas de espetáculos, hotéis e shopping centers.
As doenças mais comuns atacam o aparelho respiratório e a pele. Elas são alergias provocadas por fungos, ácaros e bactérias.
Nos locais públicos e de trabalho o problema é ainda maior, pois há uma grande concentração de pessoas ao mesmo tempo e no mesmo local.
O primeiro caso registrado de edifício doente ocorreu em 1976, no Hotel Sairmont, na Filadélfia, Estados Unidos. Um grupo de 221 hóspedes adoeceram. Todos com os mesmos sintomas: tosse seca, febre, falta de ar, dor no corpo e cansaço. O Centro de Controle de Doenças de Atlanta (CDC) constatou que não se tratava apenas de uma forte gripe, mas uma pneumonia atípica. A evolução era mais demorada do que um simples resfriado, podendo se prolongar por mais de uma semana. Após a autópsia de 34 mortos por pneumonia, os médicos encontraram a bactéria até então desconhecia nos pulmões dos mortos. Ela foi batizada de Legionella Pneumophila porque os hóspedes eram legionários idosos reunidos no hotel para um congresso.
Edifícios doentes podem provacar nas pessoas os seguintes sintomas:
Irritação nos olhos, nariz e garganta,
Sensação de mucosas ou pele ressecadas,
Vermelhidão congestiva da pele,
Fadiga mental,
Dores de Cabeça,
Tosse e rouquidão freqüentes,
Respiração ruidosa do tipo asmática,
Coceira na garganta ou pelo corpo,
Nervosismo,
Náusea,
Tontura.
Dicas para prevenção destes problemas:
Limpar bandejas e serpentinas do ar condicionado a cada 15 dias;
Limpar filtros do ar condicionado a cada 15 dias;
Abrir portas e janelas sempre que o ar condicionado estiver desligado;
Fazer a limpeza da tubulação do ar condicinado periodicamente;
Não fumar em ambiente fechado;
Não acumular plantas e papéis velhos na sala;
Não aplicar germicidas tóxicos nos filtros do ar condicionado;
Ambientes com tapetes, carpetes e cortinas não combinam com ar condicionado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

MPT cria força-tarefa para investigar condições de trabalho no setor aéreo

Uma força-tarefa do Ministério Público do Trabalho (MPT) vai agilizar as investigações sobre condições de trabalho dos empregados de companhias aéreas, desde os balconistas que fazem check in até a tripulação que opera os vôos. Uma das denúncias mais graves que levou à abertura de procedimento investigatório contra a TAM depois do acidente envolvendo o vôo 3054 foi a de que pilotos são forçados a pousarem no aeroporto de Congonhas, mesmo não achando condições ideais de segurança para tal.
Em entrevista concedida no dia (1°/08), a Procuradora-Geral do Trabalho, Sandra Lia Simón, explicou que se trata de um caso de assédio moral, na qual a empresa faz pressão psicológica contra o empregado valendo-se da condição de empregadora, detentora do poder econômico. "No caso do piloto a subordinação é subjetiva porque ele é o profissional habilitado para dizer se pode pousar ou não em determinadas condições, mas acaba cedendo por medo de perder o emprego", disse. Serão apuradas também denúncias que relatam a demissão de pilotos por se recusarem a pousar em Congonhas.
A força-tarefa foi criada considerando o aumento das denúncias a partir da crise aérea e deve verificar a veracidade das informações recebidas. Um levantamento em todas as 24 Procuradorias Regionais do Trabalho mostra que existem mais de uma centena de denúncias em fase de investigação em 19 estados. Outro grave problema destacado pelo mapeamento foi o excesso de jornada de trabalho. "Os limites esgotados colocam em risco a vida dos passageiros, o trabalhador precisa repor a sua força de trabalho", afirmou a Procuradora-Geral.
Além do assédio moral e da jornada de trabalho, a força-tarefa ainda aprofundará as investigações sobre terceirizações ilícitas. Denúncias recebidas pelo MPT apontam que várias empresas terceirizam o serviço de check in que é considerado atividade-fim da companhia aérea.
Procuradores de três coordenadorias nacionais foram nomeados para a força-tarefa: Alessandro Santos de Miranda, Coordenador Nacional de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho; Rodrigo de Lacerda Carelli, Coordenador Nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho; e Elisa Maria Brant, indicada pela Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho. A força-tarefa tem um prazo de 60 dias para a conclusão dos trabalhos.
Em caso de irregularidades comprovadas, as empresas são chamadas a ajustarem sua conduta por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que estabelece obrigações sob pena de multa por descumprimento. Em caso de recusa em firmar o acordo, as empresas podem ser alvo de Ação Civil Pública na Justiça do Trabalho. O valor das multas varia em razão do porte econômico das empresas.
Fonte: Procuradoria Geral do Trabalho

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

EMBRIAGUEZ NO TRABALHO - DOENÇA OU MOTIVO PARA JUSTA CAUSA?

A Consolidação das Leis do Trabalho - CLT prevê, no artigo 482, alínea "f", a embriaguez (habitual ou em serviço) como falta grave por parte do empregado e que é um dos motivos que constitui a extinção do contrato de trabalho por justa causa.
Quando o legislador estabeleceu este como sendo um motivo para justa causa, fundamentou-se na proteção do trabalhador que, trabalhando em estado de embriaguez, poderia sofrer um prejuízo maior que a própria justa causa, ou seja, um acidente grave ou até mesmo sua própria morte.
Não obstante, este empregado poderia ainda provocar acidentes ou a morte de outros colegas de trabalho, os quais, estariam a mercê de uma atitude do empregador para se evitar uma fatalidade.
A embriaguez pode ser dividida em habitual (crônica) ou embriaguez "no trabalho" (ocasional). Esta se dá necessariamente no ambiente de trabalho e aquela, constitui um vício ou até mesmo uma enfermidade em razão da reiteração do ato faltoso por parte do empregado, podendo ocorrer tanto dentro quanto fora do ambiente de trabalho.
A embriaguez habitual tem sido vista atualmente mais como enfermidade do que como vício social, o que, perante os tribunais, merecem um tratamento antes de extinguir o contrato por justa causa.
Quanto à embriaguez "no trabalho" ou ocasional, o empregador, exercendo seu poder fiscalizador e de punição, poderá adotar penas maiores contra o empregado, em se verificando a falta de interesse por parte deste na manutenção do contrato de trabalho.
Se a embriaguez habitual é tida pela jurisprudência como doença e não mais como motivo para justa causa, a CLT deveria ser reformada em seu artigo 482, alínea f, já que este tipo de demissão irá depender da comprovação desta habitualidade.
No meio desta encruzilhada (lei x jurisprudência) está o empregador, que poderá demitir o empregado de imediato e assumir o risco de ter revertida a justa causa e ainda arcar com uma indenização por dano moral ou, não demitir o empregado e contar com a sorte para que este não sofra e nem provoque nenhum acidente de trabalho.
Além da possibilidade de causar um acidente, há também o risco do empregado embriagado causar sérios prejuízos materiais ao empregador, seja por perda de matéria-prima ou por danos na utilização de máquinas, ferramentas ou equipamentos de trabalho.
Então o empregador poderia, havendo estes prejuízos materiais, demitir o empregado por justa causa pelos prejuízos causados e não por estar embriagado?
Mesmo considerando esta hipótese, será que a justa causa ainda poderia ser revertida no tribunal pela falta de assistência ao empregado?
Acredito que o empregador poderia prestar um tratamento para recuperação ou afastá-lo pela Previdência Social para que este tenha a oportunidade de se reabilitar e voltar ao trabalho normalmente.
O entendimento dos tribunais, em qualquer das situações de dependências químicas no ambiente de trabalho, é de que cabe ao empregador esgotar os recursos disponíveis para promover e preservar a saúde do empregado.
É comum encontrarmos decisões em que a dispensa por justa causa com fundamento na embriaguez é descaracterizada, condenando a empresa reclamada no pagamento de verbas decorrentes de uma dispensa imotivada.
Mas e se mesmo após um período de tratamento o empregado não se recuperar, ou se depois do retorno da Previdência Social voltar a se apresentar embriagado para o trabalho, poderia o empregador demitir por justa causa?
Qual é o tempo que a jurisprudência entende como adequado para a recuperação? Quantas vezes o empregador deverá afastá-lo para que tenha total recuperação? Como o empregador poderá comprovar que não há interesse do empregado em se recuperar ou manter o vínculo de emprego?
Estas são questões que parecem só resolver nos Tribunais e que dependerão de provas concretas de ambas as partes. A responsabilidade será ainda maior do empregador em provar que se utilizou de todas as medidas para a recuperação do empregado e a manutenção do contrato de trabalho.
Sérgio Ferreira Pantaleão

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Panorama da Segurança de Alimentos no Brasil e no Mundo

Com a globalização e a troca cada vez mais comum de informações, os consumidores estão se tornando mais exigentes com a qualidade dos produtos que adquirem. Para atender estas exigências, as empresas estão sentindo a necessidade de adotar sistemas para melhor dirigir e controlar uma organização no que diz respeito à qualidade, tanto de seus produtos quanto ao seu impacto no meio ambiente e na sociedade. No setor de alimentos isto não é diferente. A cada dia que passa, novas normas e padrões surgem para estabelecer os parâmetros de qualidade exigidos pelo mercado.

Quando falamos em segurança alimentar, não nos referimos apenas ao aspecto quantitativo, abordando a disponibilidade de alimentos para a população, mas também no aspecto qualitativo focando, principalmente, a preservação da saúde do consumidor. Este fato está caracterizado nos três principais elos da cadeia alimentar que envolvem os segmentos de campo, de indústria e de bares, hotéis, restaurantes, cozinha industriais e similares, que podemos chamar de segmento de mesa.

No segmento de campo, dissemina-se cada vez mais a necessidade de desenvolver as Boas Práticas Agropecuárias, que abordam não só a questão da preservação da saúde do consumidor — na busca de se evitar as contaminações químicas, físicas e microbiológicas dos alimentos —, mas também aspectos que envolvem os prejuízos ao meio ambiente e de responsabilidade social como mão-de-obra escrava e infantil. Vários programas que visam disseminar a adoção das Boas Práticas Agropecuárias são desenvolvidos no Brasil e no mundo, entre eles o Programa Integrado de Frutas (PIF), no Brasil, e o EUREPGAP, desenvolvido internacionalmente.

O EUREPGAP é uma instituição criada por varejistas europeus, que mais tarde contou com a parceria de produtores agrícolas da Europa, cuja filosofia é assegurar uma agricultura que se desenvolva de um modo responsável respeitando a segurança dos alimentos e visando a preservação da saúde do consumidor, a preservação do meio-ambiente e o bem-estar dos trabalhadores e dos animais.

A instituição foi criada em 1997 com os protocolos para os produtores de frutas e flores e em 2004 foram lançados os protocolos para os produtores de grãos, de carnes bovinas e de ovinos, de aves, de laticínios (protocolos IFA — Integrated Farm Assurance), de café e de aqüicultura.
No segmento industrial brasileiro, o fato mais importante foi o lançamento da norma NBR 14900 no ano de 2002, que aborda o sistema de gestão da análise de perigos e pontos críticos de controle. Esse sistema garante o controle dos processos de produção e processamento de alimentos de forma a se evitar contaminações biológicas, químicas e físicas em níveis intoleráveis para a saúde dos consumidores.
Mundialmente, o destaque foi o lançamento, em 1º de setembro de 2005, da ISO 22000 – Sistema de gestão da segurança de alimentos - Requisitos para qualquer organização da cadeia produtiva de alimentos. Esta norma tem os mesmos propósitos da NBR 14900:2002 e tem a intenção de harmonizar as normas internacionais que tratam da segurança de alimentos.
A norma é constituída por três partes:
- Requisitos para boas práticas de fabricação ou programas de pré-requisitos do Sistema
APPCC/HACCP;

- Requisitos para o APPCC/HACCP de acordo com os princípios do APPCC/HACCP do
Codex Alimentarius;

- Requisitos para um sistema de gestão.

Os requisitos para boas práticas de fabricação não são listados diretamente na norma, mas são referenciados através dos programas de pré-requisitos do Sistema APPCC/HACCP.
O formato da norma é o mesmo da ISO 9001 e ISO 14001, o que permite a sua integração com um sistema integrado desenvolvido para gestão de perigos.

A ISO 22000:2005 é a primeira em uma família de normas que incluem os seguintes documentos:
ISO/TS 2004 – Sistemas de gestão da segurança de alimentos – Guia para a aplicação da ISO 22000:2005, publicada em novembro de 2005. Esta norma fornece um importante guia para orientar as organizações da cadeia produtiva de alimentos de todo o mundo, incluindo as pequenas e médias empresas, na implantação da ISO 22000:2005.
ISO/TS 2003 – Sistemas de gestão da segurança de alimentos – Requisitos para organismos que oferecem auditoria e certificação de sistemas de gestão da segurança de alimentos. Esta norma é um guia para a acreditação (aprovação) dos organismos para certificação da ISO 22000 e define as regras para auditar um sistema de gestão da segurança de alimentos em conformidade com a norma ISO 22000. Esta norma será publicada no primeiro trimestre de 2006.
ISO/22005 – Rastreabilidade na cadeia de alimentação animal e humana. Princípios gerais e guia para delineamento e desenvolvimento do sistema. Será brevemente circulada como uma versão preliminar (draft).
Outros fatos importantes a serem destacados são os regulamentos europeus que tratam da segurança alimentar, dentre eles:
- Regulamento (CE) n° 178/2002 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 28 de janeiro de
2002, que determina os princípios e normas gerais da legislação alimentar, cria a
Autoridade Européia para a Segurança dos Alimentos e estabelece procedimentos em
matéria de segurança dos gêneros alimentícios;
- Regulamento (CE) nº 852/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de abril de
2004, relativo à higiene dos gêneros alimentícios em geral;
- Regulamento (CE) n.o 853/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de
2004 que estabelece regras especificas de higiene aplicáveis aos gêneros alimentícios de
origem animal;
- Regulamento (CE) n.o 854/2004 do Parlamento Europeu e do Conselho de 29 de Abril de
2004 que estabelece regras especificas de organização dos controles oficiais de produtos
de origem animal destinados ao consumo humano.
O Regulamento (CE) n° 178/2002 entrou em vigor em 1º de janeiro de 2005 e os demais entraram em vigor em 1º janeiro de 2006. Estes regulamentos, somados à ISO 22000, trarão grandes transformações no mercado internacional de alimentos, pois torna obrigatória a adoção dos princípios das Boas Práticas, sejam elas Agropecuárias ou de Fabricação, e do Sistema, para as empresas alimentícias que queiram comercializar os seus produtos de forma a preservar a saúde dos consumidores.
No segmento mesa, o fato mais importante é a entrada em vigor do Regulamento Técnico de Boas Práticas para Serviços de Alimentação, aprovado pela resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Este regulamento abrange os procedimentos que devem ser adotados nos serviços de alimentação a fim de garantir condições higiênico-sanitárias do alimento preparado. Caso essas regras forem descumpridas multas poderão ser geradas nos valores de dois mil a um milhão e meio de reais.
Como se pode ver, a preocupação com qualidade dos alimentos é cada vez mais crescente e as empresas que queiram obter sucesso no mercado de alimentos, deverão dedicar cada vez mais esforços para se adequarem aos padrões estabelecidos pelos mercados nacional e internacional.
Edson Gonçalo
Engº Agrônomo e Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Auditor da DQS do Brasil Ltda. (Certificação de Sistemas de Gestão) e Consultor da Área de Alimentos e Bebidas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Quedas: O que fazer depois de cair?

O principal erro que as pessoas cometem logo após uma queda é concetrar-se demais no foco (a perna, por exemplo) e esquecer de olhar outros sinais mais importantes", alerta o médico ortopedista Cleumar Correia da Silva. "A primeira coisa a fazer é checar se a pessoa está consciente, se consegue falar e respirar e se está sofrendo algum sangramento", explica.
O médico também alerta para o fato de que é preciso agir com calma e "não se tornar uma nova vítima", nem sair correndo para o hospital sem tomar os devidos cuidados. "Na grande maioria das vezes, as quedas não trazem risco de vida. Por isso, o ideal é agir com bom senso e observar a situação com atenção". Veja o que fazer:

1. Certifique-se de que a pessoa está consciente e respirando adequadamente;

2. Obsereve se há algo "fora do lugar", mas não faça movimentos bruscos;

3. Se houver ferimentos, lave com água e sabão;

4. Se o sangramento for grande, enfaixe com um pano limpo. Não faça torniquetes;

5. Se houver suspeita de ferimentos na cabeça, no pescoço ou no tórax, evite mexer a vítima e providencie socorro médico imediatamente;

6. Se a pessoa estiver conseguindo se mexer, deixe seu corpo reto, com o pescoço alinhado.
Laura Cánepa
Redação Terra

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Usinas terão até 2017 para colher cana sem queimadas em São Paulo

O governo do Estado de São Paulo e a Unica (União das Indústrias de Cana-de-Açúcar) assinaram um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para acabar com as queimadas nas áreas de cana-de-açúcar até 2017.
Segundo o governador de São Paulo, José Serra, o objetivo é chegar a 2014 com 100% da área mecanizável sem queimadas e com apenas 440 mil hectares de queimadas referente às áreas não mecanizáveis --aquelas cujo desnível impede o acesso de máquinas. "Em 2017, todas as áreas deverão ser colhidas sem queimadas. Pela legislação atual, isso só ocorreria em 2031", disse o governador, durante evento em São Paulo.
Em 2006, segundo Serra, dos 3,9 milhões de hectares de cana-de-açúcar plantados no Estado, 2,5 milhões foram queimados, ou 10% do território total de São Paulo. Essas queimadas, de acordo com o governador, geraram 750 mil toneladas de fuligem. "Estamos confrontando isso com a saúde de dezenas de milhões de pessoas. São Paulo é o único Estado onde 10% do território é queimado", disse.
As empresas que se adequarem ao TAC receberão um certificado de conformidade ambiental. "As empresas que não se adequarem terão problemas com as autoridades e com o Estado", ameaçou Serra.
Em relação a uma possível redução dos empregos gerados, uma vez que isso acabaria com os cortadores de cana-de-açúcar, Serra disse que o setor terá que se adequar. "É um setor que está se expandindo e gerando empregos, inclusive em outros Estados. Temos que aumentar o treinamento e a qualificação da mão-de-obra. A expansão do emprego terá que ocorrer através de outras alternativas como a alcoolquímica e na produção de equipamentos. Essa é uma mudança estrutural", afirmou.
Produção
Serra afirmou que o Estado de São Paulo deve aumentar a produtividade da cana-de-açúcar, sem ampliar a área plantada. "Não queremos mais aumentar nossa área plantada. Temos que aumentar a produção ampliando a produtividade. Os Estados vizinhos a São Paulo podem absorver essa demanda por novas áreas", disse o governador.
Serra afirmou que é possível aumentar a produtividade da cana-de-açúcar em 50% com o desenvolvimento de novas espécies e novas tecnologias de produção e colheita, elevando de 6.000 para 9.000 litros de álcool por hectare.
Ele lembrou que o Estado de São Paulo detém dois terços da produção de álcool e etanol do Brasil e 75% das exportações do produto. "O plantio da cana utiliza cerca de 16% do território do Estado, o que representa 4,2 milhões de hectares. Apenas 900 mil hectares foram colhidos sem queimadas." Os números são da safra deste ano.
O governador também criticou as taxas de importação impostas ao álcool brasileiro em outros países. Segundo ele, se o mundo utilizasse 10% de etanol na gasolina, seria necessário aumentar a produção conjunta dos Estados Unidos e do Brasil em cerca de 22 vezes.
"Isso dá uma dimensão do potencial que o setor tem. No entanto, o Japão, por exemplo, não irá ampliar o uso do álcool na gasolina se não tiver garantia de fornecimento", afirmou Serra defendendo a transformação do álcool em commodity. "Para isso, precisamos que 30 ou 40 países participem da produção do álcool", afirmou.
Serra criticou a atual taxa de câmbio, dizendo que isso atrapalha todo o setor. "O custo do setor devido apenas com salários aumentou entre 40% e 45% devido ao câmbio nos últimos anos. Se os trabalhadores estivessem recebendo mais, tudo bem, mas não é isso que ocorre. Isso corrói a competitividade até de um setor altamente competitivo como o sucroalcooleiro."
MÁRCIO RODRIGUES
da Folha Online

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Estudo vincula pressão no trabalho à depressão

Trabalhos estressantes dobram os riscos de que o profissional passe a sofrer de depressão, dizem pesquisadores britânicos.
Um estudo envolvendo mil participantes com 32 anos de idade revelou que 45% dos casos novos de depressão ou ansiedade apresentados no grupo estavam associados à alta pressão no trabalho.
Os pesquisadores definiram um trabalho estressante como aquele onde o profissional não tem controle sobre sua rotina, trabalha longas horas, com prazos não negociáveis e grande volume de trabalho.
O estudo, publicado na revista "Psychological Medicine", sugere que o empregador precisa fazer mais para proteger a saúde mental dos trabalhadores.
A equipe do King's College, em Londres, trabalhando com pesquisadores da Dunedin Medical School da University of Otago, na Nova Zelândia, entrevistou homens e mulheres com 32 anos de idade que estão participando de um estudo de longo prazo, o Dunedin Study.
Entre os entrevistados, 14% das mulheres e 10% dos homens que trabalham, sofreram uma primeira crise de depressão ou ansiedade aos 32 anos.
Os pesquisadores concluíram que desses novos casos, 45% estavam associados ao estresse no trabalho.
A coordenadora do estudo, Maria Melchior, epidemiologista do MRC Social, Genetic and Developmental Psychiatry Centre do King's College London, disse que a idade dos entrevistados é um ponto forte do estudo.
"Esta é uma idade em que os indivíduos estão se firmando em suas carreiras e há menor probabilidade de que optem por trabalhos menos estressantes, como fazem trabalhadores mais velhos."
O pesquisador da University of Otago Richie Poulton, co-autor do estudo, disse que jovens correm mais risco de sofrer de depressão e ansiedade.
Richie sugere que é importante aliviar o estresse neste grupo, e aponta caminhos:
"Estudos interventivos mostram que há pelo menos duas abordagens produtivas para se reduzir o estresse no trabalho", ele diz.
"É possível ensinar as pessoas a lidar com situações estressantes por meio de aconselhamento psicológico ou você pode mudar o trabalho de forma a diminuir as pressões."
Os entrevistados tinham profissões diversas, entre elas a de ator, cirurgião, professor, piloto de helicóptero, lixeiro, jornalista e policial.
Mas segundo o pesquisador Terrie Moffitt, do King's College, também envolvido no estudo, empregos onde as falhas são mais visíveis, como por exemplo o de um chefe de cozinha de um restaurante, estão entre os que mais exigem do indíviduo.
"No extremo oposto, pessoas que trabalham em casa cuidando de duas ou três crianças têm uma vida mais previsível", disse Moffitt.
Comentando o estudo, o especialista em psicologia e saúde Cary Cooper, da University of Lancaster, na Inglaterra, disse que empregos estão se tornando cada vez mais estressantes.
"Temos de fazer as pessoas trabalharem com mais flexibilidade, tirando vantagem da tecnologia ao invés de deixá-las no escritório por longas horas".
"Também temos de fazer o gerente se comportar de um jeito diferente, gerenciar pelo elogio e recompensa ao invés da punição e entender que as pessoas precisam sentir que têm controle sobre seu trabalho".
BBC Brasil

domingo, 5 de agosto de 2007

CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS!!

A revista Isto é publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi.

O
entrevistado é ROBERTO SHINYASHIKI, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em "Heróis de Verdade", o escritor combate a supervalorização das Aparências
e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ -- Quem são os heróis de verdade?
ROBERTO SHINYASHIKI -- Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo.
Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe.
O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.


ISTOÉ -- O sr. citaria exemplos?
SHINYASHIKI -- Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.
Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito "100% Jardim Irene". É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir
seguro.

ISTOÉ -- Qual o resultado disso?
SHINYASHIKI -- Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança.
Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ - Por quê?
SHINYASHIKI -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ -- Há um script estabelecido?
SHINYASHIKI -- Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? "Qual é seu defeito?". Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar". É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: "Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir". Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?.

ISTOÉ -- Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
SHINYASHIKI -- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ -- Está sobrando auto-estima?
SHINYASHIKI -- Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.
Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parecem que fazem, parecem que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ -- Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
SHINYASHIKI -- Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: "Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham". Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ -- O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
SHINYASHIKI -- Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado isso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram.
A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ -- Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
SHINYASHIKI-- Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos.
Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: "Quem decidiu publicar esse livro? " Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
SHINYASHIKI-- O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ -- Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
SHINYASHIKI -- A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo.
Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.
Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.