quinta-feira, 31 de maio de 2012

Trabalho aos domingos.

Um dos injustificáveis mitos, neste início de século XXI, diz respeito à obrigatoriedade absoluta do descanso semanal aos domingos. Diz o Velho Testamento, no Gênesis, que, depois de criar o homem e a mulher, e acabados o céu e a terra, Deus considerou concluída a estressante obra e, no sétimo dia, descansou.

Sétimo corresponderia ao sábado, como entendem os judeus, e conforme assentado no Torah, o livro sagrado do milenar povo. Para nós, o descanso semanal recai no domingo. É o dia do Senhor, conforme determina a religião católica.

Para a Constituição o repouso é obrigatório, e deve ser gozado aos domingos. Não, contudo, de maneira impositiva, mas em caráter preferencial, como prescreve o Art. 7º, XV: "repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos". A regra da Lei Maior em nada difere do que estabeleceram as constituições de 34, 37, 46, 67, e a Emenda Constitucional n. 1/69.

Ao voltarmos os olhos para o que sucede ao redor, verificamos duas coisas: (1) a crescente quantidade de atividades que se desenvolvem aos domingos, não necessariamente essenciais, ou para responder às necessidades técnicas da empresa; (2) o volume de trabalho aos domingos é proporcional à vitalidade econômica do município ou região.

Lembro-me, à perfeição, de que, quando jovem, o jornal O Estado de S. Paulo não circulava às segundas-feiras, pois os proprietários guardavam o domingo como dia santo, e tornavam possível a gráficos e jornalistas a permanência em casa, ou que fossem se divertir.

À medida, contudo, que a vida desenvolveu inéditas exigências, o respeitável jornal, fundado por Júlio Mesquita, tratou de se adaptar à realidade, sob pena de perder anunciantes, assinantes, e compradores avulsos. Tal se dá com o comércio de maneira geral.

Os shoppings funcionam aos domingos, e atraem milhares de compradores que não têm como frequentá-los ao longo da semana. Jogadores profissionais de futebol, ou de outras modalidades desportivas, trabalham nos fins de semana, ou durante o período noturno, quando milhares de aficionados estão em condições de comparecer aos estádios. Programas de televisão são levados ao ar aos domingos. O mesmo ocorre com emissoras de rádio e casas de diversão.

É impossível, no curto espaço destinado a artigo jornalístico, relacionar profissões domingueiras, aquelas que, embora exercitadas nos dias comuns, se estendem aos fins de semana.

Espanta-me, portanto, a atitude obscura e atrasada de entidades sindicais que teriam assinado convenção coletiva de trabalho que veda o funcionamento de concessionárias de automóveis aos domingos.

Na tentativa inócua e pouco inteligente de deter a marcha do tempo e ignorar a verdade, ambas se esquecem de que o mundo tornou-se extremamente competitivo, e de que compradores agem por impulso.

O vendedor experiente sabe que não deve perder qualquer negócio iniciado, pois quem compra deseja ser logo atendido e bem tratado, pois dezenas de outras lojas acham-se à disposição, na mesma cidade, ou nas localidades próximas.

Cegos diante do que se lhes passa diante dos olhos, não se apercebem de que são vendidos, novos e usados, por intermédio da Internet, que nada mais é do que imenso e variado estabelecimento comercial, onde tudo pode ser encontrado, dos livros às casas, terrenos, perfumes, veículos leves e pesados, de passeio ou para trabalho. A explicação que encontro, para semelhante disparate está na impunidade eleitoral.

Dirigentes sindicais dão-se ao luxo de cometer modalidades de despautérios, por estarem certos de que jamais serão despojados dos cargos por obra de eleições democráticas, em que haja participação da efetiva e livre das categorias.

A presidente Dilma Rousseff deve rejeitar a linha traçada pelo ex-presidente Lula, que renegou posições assumidas quando presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, e líder do melhor sindicalismo brasileiro, para dar apoio a pelegos de todos os matizes. Sem reforma sindical moralizadora, o Brasil jamais conseguirá tornar-se um país competitivo no cenário mundial, como dele se exige e se espera.
Fonte: Diário do Comercio e Indústria

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Trabalhar sob estresse afeta a vida familiar, diz especialista.

O estresse provocado pelas jornadas prolongadas e crescentes exigências por metas no trabalho interferem além da saúde, na vida familiar, na avaliação da médica do trabalho e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Margarida Barreto. Categorias de trabalhadores acostumados a viver sob pressão ou de grande exigência - como os psicólogos, assistentes sociais e profissionais da saúde em geral - buscam a redução de jornada de trabalho por meio de projetos de lei em trâmite no Congresso e também por mobilizações públicas junto aos sindicatos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomendam uma jornada máxima de 30 horas para estes casos, e centrais sindicais fazem coro ao pedido. No entanto, ainda há resistência dos setores públicos e privados em adotar as medidas, que podem reduzir a incidência de doenças adquiridas no trabalho e melhorar o desempenho e produção do funcionário. Em entrevista, Margarida relaciona a decisão das empresas em não reduzir a carga horária com um possível receio de ter de forçar gastos para aumentar o quadro de funcionários para suprir as lacunas das jornadas.

A intensidade do problema é visível: dados da Previdência Social mostram que no período de janeiro a março de 2012 foram 511.564 auxílios-doença concedidos. O número representa pouco mais de dez mil pedidos ante o total do mesmo período no ano passado. À medida em que surgem mais vagas de emprego, segundo a médica, mais se torna indispensável a discussão sobre a qualidade dele para o trabalhador.

Quais os efeitos de uma jornada longa em uma profissão estressante?

A questão da saúde é fundamental. Primeira coisa é que as consequências de um trabalho sob estresse independe de categoria, de ser homem ou mulher. Tudo leva a uma fadiga mental e física, e consequentemente a diminuição da capacidade de produzir. E, claro, o patrão insiste em não diminuir a jornada porque acha que seus gastos vão aumentar tendo de contratar novos trabalhadores. Isso é um engano total.

Um trabalhador que exerce uma jornada prolongada tem de produzir cada vez mais e não pode cair de cama. Ele acaba adoecendo justamente por conta disso. É uma rotina insuportável, e leva não só ao cansaço mas também a outras complicações, como doenças gastrointestinais como as gastrites, e psicológicas, como o desânimo, pesadelos, angústia. O trabalhador muitas vezes se sente incapaz de dar conta daquilo que lhe é imposto, quando na verdade é desumano. Um terreno permeado de contradições. É mais do que justo esta reivindicação dos trabalhadores na questão da redução da jornada e, associado a isto, vem a questão da estabilidade no emprego.

Qual a argumentação que trabalhador pode dar quanto ao que é submetido?

Eu acredito que a argumentação deve estar embasada não só nas questões de saúde, não só na questão ética. Um trabalho prolongado e denso é fonte de desprazer, de sofrimento. Barra a criatividade do trabalhador e possibilita um maior índice de acidentes e de adoecimento.

Qual seria a alternativa para o trabalhador que não vê a saída da redução da jornada e também não encontra respaldo na lei?

A alternativa está nas lutas que exijam como um todo mudanças na organização de trabalho. Quando você pensa na jornada, ou nas horas-extras, está dentro do acordo de trabalho.

Mudar significa possibilitar a este trabalhador, fazer seu serviço de forma digna, sem estresse, com autonomia. Se eu tenho uma relação com o empregado que só exige metas cada dia maiores e não dá possibilidades de micropausas quaisquer, não dá para esperar muito. Não querendo ser saudosista, mas antes os trabalhadores tinham ao menos a chance de sair para fumar um cigarro, bater um papo com um colega. Hoje você não tem esta possibilidade, porque poucos trabalhadores devem cumprir o que foi estipulado. Passa a ser um luxo pensar em conversar com o colega do lado.

Não ter tempo sequer para relaxar, para dar um bom dia sequer ao companheiro de trabalho, complica. Nas grandes empresas, apesar do ambiente bonito e clean, já são ambientes pesados. Imagine então numa terceirizada, por exemplo. É sobrecarga, exigência, e exploração cada vez maiores. Isto acaba tendo repercussões até dentro da vida familiar.

Falando em funcionários terceirizados, a rotina de um funcionário de call center, por exemplo, é totalmente controlada pelos empregadores. Inclusive os momentos de pausa, que são poucos... este modo de se relacionar com os empregados virou uma tendência?

Claro, e é chocante pensar que em pleno 2012 ainda vemos por aí problemas com intervalos até mesmo para ir ao banheiro. Geralmente, estes funcionários só podem ir quando tem alguém para cobrir o serviço no seu lugar. Uma hora a situação entra em colapso. A forma atual de pensar políticas para as empresas levam em consideração o período de crise, um pensamento neoliberal. Pensa-se na quantidade de trabalho, mas não no indivíduo. Todas as mudanças econômicas no mundo se refletem na questão do trabalho, e quem sempre paga a conta da ganância é o trabalhador.

Desde o momento em que ele é não somente superexplorado, mas quando ele só vale para a empresa enquanto tem saúde. Mas nesta condição, me diga: como ele pode manter a saúde? Há uma contradição.

Certa vez, um trabalhador químico me disse algo que vale muito para o agora. Ele reclamou que a luta não é só pelos salários, mas pela manutenção do trabalho. A preocupação de conseguir se manter no emprego. Esperava que não chegássemos a este ponto, mas chegamos.

E é um desafio aos sindicatos...

É um desafio para cada categoria, aos trabalhadores como um todo. É estar vendo não só a questão de saúde em si, mas o que está causando a deteorização da saúde dos trabalhadores. Por que há uma destruição cada vez maior das relações de trabalho? Se não tem saúde, ele (o trabalhador) vai perder o emprego. E vai ter uma relação de precaridade dentro da própria casa. É um efeito dominó.

Há uma discussão quanto ao crescimento constante do emprego e, ao mesmo tempo, a preocupação sobre a qualidade deles ao trabalhador. Como você vê o assunto?

É uma questão que me incomoda muito ultimamente esta do pleno emprego. Aí eu pergunto: que pleno emprego é este que os trabalhadores estão tendo e adoecendo cada vez mais? É um ciclo depressivo tanto na questão do sistema capitalista mundial, mas também das relações de trabalho. Para mim, a coisa é muito crítica e exige enquanto movimento organizado pensar além. Não é só esta a discussão, tudo envolve um sistema político. Se eu fosse resumir em uma palavra, eu diria que nunca foi tão necessário construir uma nova sociedade com um novo olhar, que não dê privilégio a um grupo de famílias que comandam o planeta.
Fonte: Rede Brasil Atual

terça-feira, 29 de maio de 2012

Ambientalistas veem texto de Dilma para o Código Florestal como derrota

O texto do novo Código Florestal, já com vetos e alterações feitos pela presidente Dilma Rousseff, é visto pelos ambientalistas como uma vitória dos ruralistas.

“Fizeram um teatro na sexta-feira. Fizeram um discurso bonito e apresentaram um texto horroroso”, criticou Márcio Astrini, coordenador da campanha “Amazônia”, do Greenpeace, uma organização não governamental (ONG) voltada à defesa do meio ambiente.

“A gente esperava que o veto presidencial viria para equilibrar o texto, e ele acabou se tornando a pá de cal do Código Florestal”, lamentou Márcio Santilli, coordenador do programa de política e direito socioambiental de outra ONG, o Instituto Socioambiental (ISA). “É a morte da legislação florestal brasileira”, comparou.

Plantas ‘exóticas’ – O ponto mais criticado diz respeito aos incentivos ao reflorestamento nas Áreas de Proteção Permanente (APP’s). Pelo texto, essas áreas poderão ser reflorestadas com quaisquer tipos de árvore, e não apenas com as espécies nativas de cada região.

“Isso é grave do ponto de vista ecológico”, afirmou Kenzo Jucá Ferreira, especialista em políticas públicas da ONG WWF/Brasil “APP é frágil, cumpre função ecológica e é preciso manter a mata nativa”, completou.

“Ninguém mais é obrigado a preservar as florestas. O que ele pode é ser obrigado a plantar de novo”, interpretou Márcio Santilli, do ISA.

Santilli apontou uma ameaça específica, o eucalipto, uma planta “exótica” – como são chamadas as plantas que não são nativas – bastante usada em reflorestamentos. “Se você tiver um eucalipto no meio da floresta, isso não é problema. O problema é tirar a floresta para plantar eucalipto”, explicou.

Segundo ele, o eucalipto consome mais água do que a média, e pode se tornar um problema ambiental se for plantado perto de nascentes, por exemplo. Além disso, a plantação de uma espécie única em substituição à mata original reduz a biodiversidade do ecossistema.

“A gente não é contra os incentivos ao reflorestamento, eles só não podem ser feitos de qualquer forma e a qualquer custo”, resumiu Márcio Astrini, do Greenpeace.

Outro problema do texto, na visão dos ambientalistas, é a adoção do módulo fiscal – uma medida de tamanho da propriedade rural que varia de acordo com o município – como critério para determinar a quantidade de floresta que precisa ser mantida. Teoricamente, as propriedades maiores ficariam obrigadas a preservar mais.

“O módulo fiscal não caracteriza o tipo de propriedade”, indicou Kenzo Jucá Ferreira, para quem o tipo de uso do solo é mais importante do que a área ocupada para determinar a proteção do local. Para ele, deveria haver diferenciação entre monoculturas e cultivos familiares.

Márcio Astrini, do Greenpeace, afirmou ainda que os grandes proprietários podem driblar a lei, possuindo diversas pequenas áreas para desmatar mais. “Quem vai se beneficiar disso é quem tem má fé”, previu. Fonte: Globo Natureza

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Metalúrgico morre em acidente de trabalho na CSN.

O metalúrgico Rubem Nei da Silva Ribeiro, de 50 anos, morreu neste sábado, vítima de acidente de trabalho na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda. Em nota, a empresa não esclarece o modo como o trabalhador morreu, apenas que o acidente foi no setor de Laminador de Tiras a Frio 3 (LTF-3). Rubem era líder de turno mecânico e, segundo a nota, chegou a ser levado para o Hospital Vita, mas não resistiu aos ferimentos.

A empresa informou ainda que está prestando toda assistência à família da vítima, e que as causas do acidente já estão sendo apuradas pela Gerência de Segurança do Trabalho. Segundo o delegado adjunto da 93ª DP (Volta Redonda), Márcio Leandro Figueiroa, será instaurado um inquérito por crime de homicídio culposo (sem intenção de matar).

O policial aguardava representantes da CSN para depor na delegacia. Até o fim da tarde, o único registro que tinha sido feito na 93ª DP foi o da remoção do corpo de Rubem para o Instituto Médico Legal de Volta Redonda O delegado está aguardando o depoimento das partes envolvidas para dar continuidade na investigação. Este foi o segundo acidente com morte na usina nos últimos seis meses. Em novembro de 2011, Tadeu Andrade Silva, de 31 anos, morreu em consequência de um acidente de trabalho na Laminação de Tiras a Frio 2 (LTF-2). Ele, que trabalhava na empresa havia quatro anos e era da GMT I (Gerência de Materiais), foi atingido por uma empilhadeira que carrega bobinas. O trabalhador foi socorrido em estado muito grave e levado para o hospital, onde sofreu duas paradas cardíacas. No início de março deste ano, um vazamento de gás de coqueira intoxicou 12 trabalhadores da usina (nove metalúrgicos e três bombeiros da siderúrgica).

Em nota, a CSN confirmou que o vazamento ocorreu durante a manutenção na área que abastece os altos-fornos e sinterizações. Veja a íntegra da nota da CSN sobre o acidente deste sábado "A CSN lamenta informar a morte do empregado Rubem Nei da Silva Ribeiro, 50 anos, líder de turno mecânico, na manhã deste sábado, dia 26.

Rubem sofreu um acidente enquanto trabalhava no Laminador de Tiras a Frio 3 (LTF-3), na Usina Presidente Vargas. Ele foi socorrido imediatamente e levado para o Hospital Vita, mas não resistiu. A CSN está prestando toda a assistência à família de Rubem. A Gerência de Segurança no Trabalho já começou a apurar as causas do acidente".

Fonte: Diário do Vale

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Eu fracassei" não pode se transformar em "eu sou um fracasso"



Tim Harford é dos mais originais autores de uma nova geração de economistas que foca suas atenções no comportamento humano. Autor de "O economista clandestino" e "A lógica da vida", lançou recentemente "Adapt: why success always starts with failure" (FSG, 2011 - ainda sem previsão de lançamento no Brasil), no qual faz uma verdadeira ode ao erro.

Sua justificativa para tal é simples: o erro é componente irrevogável do processo de tentativa e erro, consagrada fórmula do método científico, cujos resultados inequívocos impulsionam a ciência. Enquanto isso, a Administração nega seus valores, apostando na claudicante e sempre incompleta expertise de gestores bem-intencionados, porém míopes.

Nesta ilustrativa entrevista, concedida ao nosso colunista Rodolfo Araújo, Harford explica por que é tão difícil livrar-se de velhos conceitos, como é possível aprender através do erro e por que é tão difícil entregar-se a ele.

Algumas das ideias testadas são contraintuitivas, mesmo depois de comprovadas. Como podemos superar nossa tendência de manter o status quo e duvidar de conceitos radicalmente novos?

Não é fácil. Só quando eu estava terminando os últimos rascunhos de Adapt foi que percebi que cada capítulo tinha um herói – alguém que lutou bravamente para testar algo novo. A tarefa deles não era fácil: do engenheiro que foi executado pela polícia secreta de Stalin, ao Coronel americano que, depois de desafiar os dogmas de Donald Rumsfeld na Guerra do Iraque, era repetidamente preterido nas promoções. Eles foram heróis porque é preciso um certo grau de heroísmo para desafiar ideias e poderes arraigados.

Por que atualmente prestamos mais atenção nestas ideias – por mais contraintuitivas que pareçam – do que fazíamos no passado? Por que a Economia Comportamental demorou tanto tempo para aparecer e questionar os princípios da Economia Tradicional?

A Economia Comportamental já existe há algum tempo. Aprendi as ideias de Daniel Kahneman no meu curso de graduação em Oxford, em 1993. Kahneman ganhou o Prêmio Nobel de Economia há quase uma década. E Richard Thaler, autor de Nudge, escreve uma coluna sobre a disciplina numa das mais importantes publicações de economia desde 1980, se não estou enganado. Creio que seja uma questão de percepção popular, acentuada mais pelo fato de a crise financeira ter arranhado a reputação da Economia Tradicional, do que pela forma como a Economia Comportamental procura explica-la.

Quando escolhemos uma teoria para testar, corremos o risco de sermos enganados pela falácia da explicação única – segundo a qual deixamos de ver outras causas para uma mesma consequência. Esta teoria da seleção natural não pode nos confundir na identificação de uma falsa relação de causa e efeito, baseada em simples coincidências?

Sim, é verdade: uma das partes mais difíceis do processo de tentativa e erro reside em descobrir o que realmente está errado. Esta é uma das razões pelas quais dediquei uma boa parte do livro em descrever o que conta como evidência, nos campos onde as evidências são consideradas de forma séria – como a Medicina – e a importância dos testes controlados quando fazemos tais experiências.

Em Prevenindo colapsos financeiros, ou: Dissociando, você usa a Teoria dos Sistemas Complexos e a analogia do queijo suíço*. Max Bazerman escreveu um livro inteiro sobre Surpresas Previsíveis (Predictable Surprises, Harvard Business School Press, 2008) e em Blink (Little Brown, 2005), Malcolm Gladwell diz que ao menos seis erros são necessários para ocorrer um acidente aéreo. Se todos os sinais da iminência de um desastre estão diantes de nós, por que ainda somos incapazes de preveni-los?

Em parte isso se deve à forma como as informações estão organizadas dentro de um sistema. Eu menciono um acidente terrível numa plataforma de petróleo, Pipper Alpha, no qual faltava uma informação crítica a respeito de uma bomba hidráulica desmontada. Ainda não se tem certeza sobre o motivo disso. Também cito a arquitetura da informação em Three Mile Island (usina nuclear americana que derreteu parcialmente em 1979), onde os engenheiros observavam 700 indicadores luminosos e mais de 100 alarmes, com a tarefa de descobrir o que estava acontecendo. Problemas semelhantes ocorreram durante a crise financeira – enquanto o Lehman Brothers se equilibrava à beira de um colapso, os reguladores simplesmente não sabiam quais eram as conexões entre o banco e os outros players, então não conseguiam enxergar o real impacto de uma quebradeira. O que precisamos é de sistemas de informações melhores.

Uma questão parecida é "o que acontece nas organizações quando as pessoas enxergam problemas"? Elas se manifestam ou permanecem em silêncio? Frequentemente, mesmo em acidentes graves – financeiros ou industriais – alguém viu o problema e ou não disse nada, ou soou o alarme e foi ignorado ou mesmo perseguido. Precisamos melhorar neste aspecto.

Quando você discute a questão ambiental, perguntando se a pessoa deve usar o transporte público ou não (já que o ônibus faz o seu trajeto independentemente de você estar nele ou não), você chega perto do Paradoxo de Sorites**. Isto justificaria muitas ações que poderiam resultar num desastre. Como os indivíduos – e a sociedade – devem se comportar ao se deparar com tais dilemas?

Cedo ou tarde a pessoa perceberá o que realmente faz a diferença e dispara a necessidade de outro ônibus precisar circular. O custo marginal de uma pessoa é gigantesco. O custo marginal de uma segunda pessoa é praticamente zero. A saída para o Paradoxo de Sorites é tirar a média dos dois: digamos que o custo de uma pessoa é $100 e o custo marginal de outras 99 é zero; então o custo marginal médio é $1. Isso é lógico do ponto de vista econômico, mas também satisfaz o bom senso. É um desses casos nos quais a teoria abstrata só atrapalha.

A Teoria dos Jogos diz que quando você muda as regras de um jogo, os participantes adaptam suas estratégias para se agarrar ao status quo. Como os reguladores podem prever melhor as consequências de suas (boas) intenções? É um problema de incentivos mal desenhados?

Penso ser praticamente impossível prever tais consequências. É melhor ser flexível e ficar atento, tentando se ajustar aos problemas conforme eles forem surgindo. Exceto em sistemas com estruturas muito rígidas, como nos casos dos bancos e usinas nucleares, como discutido anteriormente.

No começo do livro você diz que as pessoas devem experimentar para testar suas ideias – especialmente na medicina. Mas depois aconselha para que reduzamos as emissões de carbono, apesar de não haver evidências claras dos benefícios que isto pode trazer. Isto não é contraditório?

Há muitas questões para as quais um experimento não pode fornecer uma resposta, como Archie Cochrane, um dos herois do livro, entendeu muito bem. Realizamos experimentos em áreas onde isto é possível e usamos outras evidências nas outras onde não é. Eu ainda não estou 100% convencido a respeito das evidências de que as alterações climáticas provocadas pelo homem terão consequências severas, mas há evidências suficientes para justificar algumas atitudes.

Sua ideia de um imposto sobre o carbono é interessante, mas levanta algumas questões práticas: para onde iria o dinheiro? Como você poderia impor tal carga aos países pobres? Como você fiscalizaria o pagamento, se os gases não respeitam fronteiras políticas e alguns países simplesmente não pagariam?

Não acho que seja um problema tão grave quanto você imagina. Os países precisariam acordar o valor dos impostos em relação às taxas de câmbio e ajustá-las conforme necessário. O dinheiro seria cobrado localmente e a receita ficaria com os próprios governos. Isto não seria um fardo para os países pobres – poderia substituir outros impostos. E esta taxação deveria ser cobrada da mesma maneira que outros acordos internacionais: os países aderem voluntariamente assim como fizeram na Organização Mundial do Comércio. Não estou dizendo que seja fácil, mas já tivemos outros consensos ainda mais complicados. O problema é que muitos eleitores não acreditam que as mudanças climáticas sejam um problema, de fato.

"Aceitar tentativa e erro implica em aceitar o erro". Esta frase está em perfeita sintonia com o conceito de mindset de Carol Dweck, segundo o qual as pessoas com uma mentalidade fixa não conseguem lidar com fracassos, porque eles mostram suas falhas. Logo, precisamos nos sentir confortáveis com nossas próprias fraquezas. O quão longe estamos disso e por quê?

Sou fã do trabalho da Dra. Dweck. Precisamos entender que não devemos encarar os fracassos de maneira tão pessoal. "Eu fracassei" não pode se transformar em "Eu sou um fracasso" – isto não é a forma correta de se pensar. Imagino que, naturalmente, nós lutamos contra isso, mas podemos melhorar com a prática. Descobri isso escrevendo o livro: um erro não parece tão trágico quando você começa a se perguntar o que aprendeu. Sei que isso parece cliché – falar sobre erros como experiência de aprendizado – mas é verdade. E pode ser um cliché porque é repetido muitas vezes e repetimos tantas vezes porque é uma lição difícil de ser aprendida.

* Compara os buracos de um queijo suíço às falhas de um sistema. No queijo, os buracos estão distribuídos de maneira aleatória, de forma que você não pode, por exemplo, enxergar através dele. Mas se, de algum modo, todos eles se alinharem, você conseguirá ver o outro lado. Um sistema complexo, por sua vez, pode apresentar falhas individuais que, quando ocorrem separadamente, não comprometem o conjunto. Mas quando estas falhas acontecem de forma simultânea – como o alinhamento dos buracos – pode pôr tudo a perder.

** Onde come um, comem dois. Onde comem dois, comem três. Onde comem três, comem quatro etc.
Fonte: administradores.com.br

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Trabalhador que teve perna amputada recebe pensão vitalícia.

A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve decisão que deferiu indenização no valor de R$ 80 mil, por danos morais e estéticos, a um trabalhador de 19 anos que teve a perna direita amputada em acidente de trabalho, o que reduziu a capacidade para o desempenho de suas atividades. Conservou, também, o pagamento de pensão vitalícia ao empregado.

A Empresa Fischer S.A. Comércio, Indústria e Agricultura recorreu ao TST, a fim de reformar a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina), no sentido de diminuir o valor da indenização, bem como cessar o pagamento da pensão quando o empregado completasse 65 anos de idade.

O Regional reconheceu culpa grave da empresa no acidente que levou à amputação da perna do trabalhador, visto que a empresa não observou as normas de segurança do trabalho. Também destacou que as consequências do acidente sofrido podem trazer "danos devastadores" ao empregado ao longo de sua vida. Diante dos prejuízos experimentados, os magistrados da 12ª Região concluíram pela obrigação da empresa de indenizar o trabalhador.

A Quinta Turma do TST confirmou a decisão do TRT de Santa Catarina. O relator do recurso, ministro João Batista Brito Pereira, avaliou que, além da indenização, o trabalhador acidentado tem direito a pensão mensal vitalícia pela redução na sua capacidade para o trabalho, com base no que dispõe o artigo 950 do Código Civil, o qual determina que na indenização incluem-se o pagamento das despesas do tratamento e lucro cessantes até o fim da convalescença, além de pensão.

Diante da gravidade do acidente sofrido, o relator negou provimento ao recurso da empresa para cessar o pagamento da pensão quando o trabalhador completasse 65 anos de idade, sustentando que "a pensão mensal devida ao empregado acidentado pela redução da sua capacidade para o trabalho é vitalícia, não devendo ser limitada ao seu tempo provável de vida ou de trabalho". O voto do relator foi seguido por unanimidade.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Morte anunciada: Apenas 16 fiscais de segurança no trabalho atuam em MT

Com registros de 109 mortes por acidentes de trabalho ao ano, Mato Grosso conta com apenas 16 auditores fiscais de segurança e saúde no trabalho. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que o número ideal é de 70 para atender à demanda do Estado. Quase 80% das mortes são no ramo da construção civil. Para cada 100 mil habitantes são registradas 20 mortes. A chefe do Núcleo de Segurança e Saúde no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, Aline Roberto Amoras conta que são realizadas três viagens por mês ao interior para averiguar denúncias de irregularidade nas condições de segurança no trabalho. Devido às longas distâncias, cada viagem dura em média 12 dias em equipes de três ou quatro fiscais. “Não damos conta da demanda. Recebemos cinco processos por dia para investigar denúncias espalhadas por todo o Estado”, diz. Para se ter uma ideia do tamanho do déficit na fiscalização, a região de Cuiabá e Várzea Grande tem 2.743 empresas no ramo da construção civil registradas. Para que elas sejam fiscalizadas seria preciso que os 16 fiscais se dedicassem a essas empresas durante o ano todo deixando de averiguar a situação nos outros 139 municípios de Mato Grosso. “O resultado disso é que só conseguimos ir atrás dos casos mais graves”, fala a coordenadora. As consequências do número reduzido de auditores fiscais é o aumento de 35% no número de acidentes de trabalho com morte. Se os índices continuarem crescendo, em 2014 serão 200 mortes por ano.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Cuiabá (Sintraicccm), Joaquim Dias Santana conta que uma das maiores dificuldades é que para denunciar o trabalhador precisa saber que a situação está irregular e ele não tem o olhar clínico de um técnico. Para isso, as empresas devem formar uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), composta por técnicos em segurança do trabalho.

“A maioria não tem Cipa e não respeita o acordo coletivo com o sindicato que prevê visitas orientativas”, conta Joaquim Santana que ainda esclarece que “os trabalhadores sofrem as pressões das empresas devido aos prazos de entrega das obras, e isso leva aos descuidos e acidentes”. Reincidência Estão em andamento no Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso aproximadamente 465 procedimentos contra empresas devido a irregularidades no ambiente de trabalho. O procurador-chefe do MPT-MT, Thiago Gurjão Alves Ribeiro conta que outra dificuldade diz respeito às reincidências. “As empresas autuadas têm de responder a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas muitas vezes não mudam as condições de trabalho que levaram àquela ação do Ministério Público”, fala o procurador-chefe.

Como foi o caso dos três trabalhadores que morreram após o desabamento de uma estrutura montada para erguer uma torre de transmissão de energia no interior de Mato Grosso no último dia (8/5) em Pontes e Lacerda. De acordo com o procurador-chefe do MPT-MT, a empresa já havia sido autuada em novembro do ano passado por irregularidades relacionadas à segurança do trabalho em outro canteiro de obras próximo ao local do acidente. “Acontece que as multas não têm sido o suficiente, pois estão bem longe de ter o efeito pedagógico de consertar as falhas e evitar riscos para a vida dos trabalhadores”, explica Gurjão. Orientação não falta Em relação aos donos das empresas, o vice-presidente de relações trabalhistas do Sindicato da Indústria da Construção de Mato Grosso (Sinduscon-MT) Cláudio Ottaiano, conta que a instituição viabiliza palestras educativas, cursos de capacitação e treinamentos voltados para a melhoria nas condições e segurança do trabalhador.

O treinamento da Cipa tem o objetivo de ajudar na prevenção de acidentes e melhorar o ambiente de trabalho.

O Sinduscon/MT apoia a elaboração e implantação de políticas e programas eficazes de segurança e saúde no trabalho. Trabalhador carregava 8 toneladas por dia As denúncias, por parte dos trabalhadores, podem ser feitas junto ao próprio Sintraicccm que conta com um setor jurídico que vai auxiliar este trabalhador quanto às medidas cabíveis. Foi o que aconteceu com Odair Neves, 19 anos, que após uma lesão devido às condições de trabalho foi demitido. Durante as obras, Odair chegava a carregar 8 toneladas de material por dia. Agora, desempregado, não consegue recursos para realizar os exames. A lesão foi em março e Odair ainda trabalhou mais um mês, quando foi demitido por não dar conta de levantar peso. “Já não sei o que fazer. Se pra conseguir chegar ao sindicato pra pedir orientação foi complicado, por causa das dores, o jeito é esperar”, conta.






Fonte: Circuito Mato Grosso



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Meio Ambiente do Trabalho - As Cores no Ambiente de Trabalho

Mostrar um ambiente de trabalho agradável, arrumado, disciplinado, limpo, seguro e tranqüilo, enfatizando o uso das cores no comportamento dos colaboradores e sua influência na qualidade de vida organizacional. Relatar a qualidade no ambiente de trabalho com cores em relação à temperatura, iluminação, utilização e segurança.

1) Com relação à temperatura: Quentes: estimula o interesse, a atenção e a motivação no trabalho. Ex.: Verde-Escuro Vermelho Laranja Amarelo Frias: usadas em locais de climas quentes. Ex.: Cinza Verde-Claro Azul Branco;

2) Com relação à iluminação: Nos locais de trabalho, recomenda-se cores que possuam um grau de reflexão acima de 50%;

3) Com relação à utilização: Evitadas no local de trabalho: Ex.: CINZA: desperta o medo e a tristeza, diminui a capacidade de iniciativa das pessoas e produz depressão. MARRON: induz as pessoas a ficarem em seus particulares. VIOLETA: leva a depressão, a tristeza e prejudica o inter-relacionamento. Representam um cuidado especial: BRANCA: deve ser utilizada em conjunto com outras cores, principalmente em tetos, devido a sua qualidade de reflexão. VERMELHA: dá vitalidade, alegria, dinamismo no ambiente. AMARELO: fomenta a energia, mas provoca a aceleração do sistema nervoso, provocando a irritação. Mais recomendadas: VERDE: sensação de liberdade, motivação. AZUL: reflete a paz, melhora a convivência, disputa a criatividade e estimula a pesquisa. Ex.: hospitais BEGE: torna o ambiente agradável, clima amistoso e coletividade;

4) Com relação à segurança: AMARELO: chama atenção, cuidado, indicado para pilastras, postes, placas de sinalização vertical, cavaletes. BRANCA: utilizada para indicar o sentido do fluxo de pessoas em áreas de grande circulação (refeitórios, bebedouros, serviços médico). LARANJA: para chamar atenção em áreas perigosas de máquinas e equipamentos (cabos, eixos, engrenagem, equipamentos elétricos, cargas inflamáveis). PRETO: locais de resíduos, canalização de inflamáveis e combustíveis de alta viscosidade. VERMELHO: indica perigo, materiais de combate a incêndio (caixas de alarme, hidrantes, extintores, portas de saída de emergência, que deve abrir para fora). VERDE: indica áreas materiais e equipamentos de segurança e primeiro socorros.

O ambiente de trabalho deve ser sempre harmonioso, ter um clima construtivo e participativo com os seus colaboradores.

Fonte: Administradores

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os Vingadores: o que eles têm a nos ensinar?

Quando temos um grupo de pessoas com características variadas, temos também um grupo de pessoas com objetivos diferentes e que se motivam de maneiras diferentes.


Qualquer um que tenha acompanhado minimamente o grande sucesso "The Avengers", percebe claramente a formação de uma equipe que tem todas as qualidades para obter sucesso, mas que, como grande parte das equipes, caminha em direção contrária a ele. Isso porque normalmente - e até naturalmente - quando temos um grupo de pessoas com características variadas, temos também um grupo de pessoas com objetivos diferentes e que se motivam de maneiras diferentes.

No grupo em questão temos pessoas com excelentes níveis de instrução e treinamento e algumas que vão bem além disso, com super poderes de precisão sobre-humana.

Como essa discussão se baseia em uma ficção, pensemos apenas no que podemos absorver de "real" de cada personagem.

Inicialmente temos no Gavião Arqueiro e na Viúva Negra a face mais humana desta equipe extraordinária. Mesmo sem nenhum super poder eles fazem de suas habilidades grandes armas. Temos neles, entre outros, a persuasão, a sagacidade, a precisão e a eficiência, algumas inerentes destas pessoas, mas todas, por serem competências humanas, possíveis de serem aprendidas e melhoradas. São a prova de que todos são importantes e são também a prova de que o indivíduo deve se fazer importante, buscando compensar suas fragilidades com o aperfeiçoamento de seus talentos.

O Hulk é a representação de algo muito comum. Indivíduos que aparentemente são de difícil convivência ou de natureza arredia, com a motivação certa podem se revelar a grande força de resultado. Bem orientados, eles trazem para dentro do projeto todo seu conhecimentos e disposição e tornam palpáveis o cumprimento de várias etapas do trabalho.

O Homem de Ferro é a motivação. É aquele que faz as coisas andarem. Claro que o planejamento é necessário, mas às vezes gastamos tanto tempo no projeto que quando vamos implantá-lo ele já está ultrapassado. Um pouco de impetuosidade dá energia e ela se faz necessária para que a equipe não se acovarde diante do novo. Isso também exercita o raciocínio e faz com que o grupo tenha respostas mais rápidas diante dos desafios. Como nas maratonas, alguém precisa determinar o ritmo.

Thor, o semideus, em suas próprias palavras se declara intocável. É comum encontrarmos alguém assim nos grupos. Porém, distoando do habitual, Thor não é deslumbrado. Ele sabe de seu poder e exatamente por isso sabe que não precisa subjugar os mais frágeis. Sendo o "intocável", ele demosntra humildade pois sabe ouvir, sabe lutar ao lado dos demais e sabe compartilhar.

E enfim o Capitão América. O líder nato. Uma grande representação de liderança. Mesmo em uma equipe repleta de poderosos e gênios, a liderança que poderia ser disputada, foi naturalmente concedida a ele e reconhecida pelos demais. Eles confiam na estratégia do Capitão América pois sabem que ele foi treinado para isso e o capitão corresponde transmitindo segurança nos momentos de maior turbulência. Ele pode não ter o maior conhecimento e algumas vezes pode parecer antiquado mas o tempo todo ele mantém o otimismo e a confiança em sua equipe e assim consegue extrair o melhor de cada um. E ser líder nada mais é que isso: fazer sua equipe acreditar.

E assim, quando cada um reconhece a qualidade do outro, automaticamente percebe que a equipe só poderá funcionar se as individualidades forem deixadas em segundo plano. Mesmo que a motivação seja - e sempre será - diferente para cada um, o objetivo deve ser comum. Alguns vilões, a exemplo de Loki, podem ser mais difíceis de ser derrotados, pois eles pertubam nosso emocional e nos levam ao extremo de nossas possibilidades. Mas se houver sinergia dificilmente haverão metas inatingíveis e as características individuais, que a princípio parecem elementos que não combinam, se tornam peças chave de uma equipe completa e de sucesso.
Fonte: Portal Administradores

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Jovens trabalhadores sofrem com assédio moral e dupla jornada, mostram pesquisas

Enfrentar o cotidiano de trabalho e estudos e sofrer assédio moral são problemas que afetam os trabalhadores desde a juventude, indicam duas pesquisas realizadas por alunas de mestrado da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP).

Em um dos estudos, a psicóloga Samantha Lemos Turte procurou identificar se trabalhadores jovens sabem reconhecer violência psicológica no cotidiano de trabalho. No decorrer das entrevistas com 40 adolescentes com idade inferior a 18 anos, residentes na zona sul da capital paulista, a especialista detectou situações que podem ser entendidas como violência psicológica.

A pesquisa foi feita em 2009 e 2010. Entre os abusos relatados pelos adolescentes estavam desde constrangimentos provocados por outros funcionários da empresa até a atuação em funções para as quais não foram contratados. Também chamou atenção a banalização das más condições de trabalho a que jovens e adultos estão submetidos. Segundo ela, é comum ouvir que trabalhar é ruim e difícil. Essa mentalidade faz perder a noção de que a promoção da saúde mental deve ser estendida ao ambiente profissional.

“Naturalizamos problemas do trabalho e irradiamos na nossa vida pessoal”, afirmou a pesquisadora. Inicialmente os jovens não sabiam reconhecer se haviam sido vítimas de violência psicológica. Mas, ao serem informados da definição do termo, compararam a situação ao bullying, prática de agressão comum entre crianças na idade escolar.

Jovens com noção sobre o que é assédio moral demonstraram ter mais segurança em defender-se da prática e reclamar por seus direitos. Peso duplo a influência da dupla jornada na vida dos jovens trabalhadores foi tema da pesquisa da psicóloga Andréa Aparecida da Luz, também da FSP/USP.

A pesquisadora entrevistou 40 adolescentes entre 14 e 20 anos, da zona sul da capital paulista, inscritos em uma ONG que prepara jovens para atuar em empresas parceiras. O estudo realizado entre 2008 e 2010 identificou alterações na vida e na saúde de adolescentes aprendizes, como perda ou ganho excessivo de peso, sonolência e, principalmente, diminuição da capacidade de manter a atenção e queda no desempenho escolar.

Todos os jovens trabalhavam há pelo menos seis meses, no turno diurno, e eram expostos a uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, além da dedicação aos estudos no período noturno. Durante as entrevistas, Andrea ouviu relatos de abusos no trabalho, como cumprir as mesmas metas e cotas de funcionários com capacitação técnica, ou substituir cargos de chefia na ausência de supervisores.

Dos 40 jovens que participaram da pesquisa, apenas um descreveu ter recebido treinamento específico para a função que exercia. Apesar das dificuldades, a maior parte dos adolescentes não pensava em deixar o emprego, principalmente por desejarem custear um curso universitário. Alguns adolescentes eram responsáveis por 65% da renda familiar. Ela também percebeu motivações dos jovens trabalhadores relacionadas ao ganho de status e poder de consumo. Mas questiona: “a que preço?”

Fonte: Rede Brasil Atual

quarta-feira, 16 de maio de 2012

MPT interdita construção de 8 prédios em Campinas/SP

O Ministério Público do Trabalho (MPT) interditou oito torres de um condomínio empresarial em Campinas (SP) por falta de segurança e saúde do trabalho. No canteiro de obras foram flagrados andaimes irregulares, sem proteções laterais contra quedas e assoalhos em desacordo com a norma, banheiros sem condições de uso, refeitório improvisado, instalações elétricas em situação precárias, aumentando o risco de choque elétrico, e trabalhadores terceirizados sem registro em carteira. De acordo com o procurador do MPT Ronaldo Lira, as irregularidades encontradas expõem os trabalhadores a risco de morte. A interdição foi feita na tarde de sexta-feira (12).

Segundo o MPT, a empresa contratada pela construtora Lógica Engenharia, responsável pelo empreendimento, para prestar serviços na instalação de vidros, a Alquali, havia delegado a um de seus trabalhadores a função de trazer informalmente outros operários para finalizar os trabalhos de instalação, e este o fez sem efetuar o registro em carteira dos empregados. Segundo a Procuradoria, a Lógica deve exigir da Alquali o registro dos contratos de trabalho dos cinco trabalhadores encontrados em situação irregular, e deve se responsabilizar de forma solidária pelo cumprimento dessa obrigação.

No mesmo dia da interdição a Lógica Engenharia se comprometeu em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a regularizar áreas de vivência de trabalhadores, andaimes e instalações elétricas, além de pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 20 mil, que será revertida para instituições beneficentes.

No acordo a construtora se compromete, ainda, a manter refeitórios e sanitários conforme previsão da norma trabalhista. Todos os equipamentos de proteção individual deverão ser fornecidos gratuitamente e em perfeito estado de conservação e os andaimes e fiações elétricas deverão seguir os parâmetros estabelecidos pela lei. O TAC também prevê a instalação de proteções nas aberturas de paredes e pisos.

Pelos danos causados morais à coletividade, a empresa se comprometeu a doar R$ 10 mil (seja em dinheiro, bens ou equipamentos) ao Núcleo Mãe Maria, e outros R$ 10 mil à Creche Casa das Crianças Caminho Feliz. Caso descumpra a interdição, a empresa pagará multa de R$ 50 mil por constatação.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil acompanhou a diligência e ficou responsável pela verificação do cumprimento do acordo. Após o cumprimento das obrigações, o MPT será informado para liberar as obras. Até a tarde desta segunda-feira (14), o empreendimento continuava interditado.
Fonte: G1 Campinas e Região

terça-feira, 15 de maio de 2012

População e consumismo ameaçam o planeta, alerta estudo do WWF

Quanto maior a pegada ecológica, maior é consumo de recursos naturais.
Ranking aponta o Qatar com a maior pegada; ONG aponta Brasil como 56º.

A crescente população mundial e o consumismo ameaçam a saúde do planeta, alerta a organização ambientalista Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que divulgou relatório sobre a saúde da Terra nesta terça-feira (15).

A demanda por recursos naturais se tornou insustentável e exerce uma pressão "tremenda" sobre a biodiversidade do planeta, destaca a organização. A pesquisa citou o Qatar como o país com a maior pegada ecológica, seguido dos vizinhos Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos.

A pegada ecológica é um instrumento de medição do uso de recursos naturais. Quanto menor é a pegada ecológica de uma nação, melhor é o uso que ela faz de seus recursos naturais.

Dinamarca e Estados Unidos completam o ranking dos cinco primeiros, segundo cálculo com base na comparação de fontes renováveis consumidas contra a capacidade de regeneração do planeta. Foram levados em consideração nesta pontuação a área construída (urbanizada), a pesca, o uso das florestas, pecuária, emissões e área de cultivo.

O Brasil, segundo o ranking do WWF, está na 56º posição, com uma pegada ecológica de 2,9 hectares globais por habitante, bem próxima à média mundial, que é 2,7 hectares globais por habitante.
 
Impacto

De acordo com o estudo, "se todos vivessem como um morador típico dos EUA, seriam necessários quatro planetas Terra para regenerar a demanda anual da humanidade imposta à natureza". O WWF afirma ainda que "se a humanidade vivesse como um habitante comum da Indonésia (com uma pegada aproximada de 1 hectare global por habitante), apenas 2/3 da biocapacidade do planeta seriam consumidos.

O relatório "Planeta Vivo" revelou que países de alta renda têm uma pegada ecológica em média cinco vezes maior do que a de países de baixa renda. Segundo a pesquisa, a pegada ecológica dobrou de tamanho em todo o planeta desde 1966.

"Estamos vivendo como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição", disse Jim Leape, diretor-geral do WWF Internacional. "Estamos usando 50% mais recursos do que a Terra pode produzir de forma sustentável e a menos que mudemos o curso, este número crescerá rápido. Em 2030, mesmo dois planetas não serão suficientes", acrescentou.

Biodiversidade em queda

A pesquisa, compilada a cada dois anos, reportou uma redução média de 30% na biodiversidade desde 1970, chegando a 60% nas regiões tropicais, duramente afetadas. O declínio foi mais rápido em países de baixa renda, "demonstrando como os países mais pobres e vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos", destacou o WWF.

Em todo o mundo, cerca de 13 milhões de hectares de florestas foram perdidos por ano entre 2000 e 2010. "Uma demanda sempre ascendente por recursos de parte de uma população crescente põe uma enorme pressão sobre a biodiversidade do nosso planeta e ameaça nossa segurança, saúde e bem estar futuros", informou o organismo.

O relatório é publicado às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a quarto maior cúpula sobre o tema realizada desde 1972, e que será celebrada em junho no Rio de Janeiro.

Segundo a ONU, cerca de cem líderes mundiais estarão presentes no Brasil, com o objetivo de determinar o caminho rumo a uma economia que possa equilibrar crescimento econômico, erradicação da pobreza e proteção ao meio ambiente.

Cobrança

O WWF quer ver sistemas de produção mais eficientes que possam reduzir a demanda humana por terra, água e energia e uma mudança na política governamental que medisse o sucesso de um país para além do Produto Interno Bruto (PIB).

Mas o enfoque imediato precisa estar na redução drástica da pegada ecológica dos países de alta renda, particularmente sua pegada de carbono, destacou o WWF. "A Rio+20 pode e deve ser o momento de os governos estabelecerem um novo curso rumo à sustentabilidade", disse Leape.

"Este relatório é como um check-up planetário e os resultados indicam que temos um planeta muito doente", alertou Jonathan Baillie, diretor do programa de conservação da Sociedade Zoológica de Londres, que co-produziu o relatório, em conjunto com a organização Global Footprint Network, que elabora a pegada ecológica.
Fonte: G1

Economistas sugerem formas mais baratas de salvar o mundo

Economistas proeminentes enumeraram as formas mais adequadas e de melhor relação custo-benefício para solucionar muitos dos problemas aparentemente insuperáveis do mundo, revelou um “think-tank” (centro de estudos) dinamarquês na segunda-feira, pedindo uma mudança nas prioridades globais.

“Pode não soar atraente, mas solucionar problemas como diarreia, vermes e desnutrição terá melhores efeitos para a maioria dos pobres do mundo do que outras intervenções mais imponentes”, disse em um comunicado Bjoern Lomborg, que preside o Centro do Consenso de Copenhague.

Seu “think-tank” apresentou nesta segunda-feira os resultados de seu terceiro Consenso de Copenhague global, no qual pediu que economistas proeminentes que trabalham com os 10 principais problemas temáticos do mundo a fim propusessem os melhores investimentos para solucionar estes problemas.

Um painel de especialistas, que incluiu quatro ganhadores do prêmio Nobel, analisou as propostas e classificou aquelas que acreditam que teriam o maior impacto e “onde podemos obter o melhor retorno do nosso dinheiro”, disse Lomborg à AFP.

Pediu-se aos economistas do Consenso de Copenhague para sugerir como o mundo deveria gastar melhor US$ 75 bilhões em um período de quatro anos, quantia que Lomborg disse ser apenas 15% superior ao que se gasta hoje no mundo com ajuda global.

A desnutrição ocupou o topo das 10 propostas e o painel de especialistas sugeriu um gasto anual de US$ 3 bilhões para solucionar o problema que afeta mais de 100 milhões de crianças no mundo todo, reforçando que “cada dólar gasto na redução da desnutrição crônica tem mais de US$ 30 de retorno”.

Isto se deve a que uma melhor nutrição melhora as funções cognitivas e também a educação do indivíduo e os prospectos de renda, afirmaram.

Os economistas também propuseram investir US$ 1 bilhão ao ano em sistemas de alerta remotos para desastres naturais, que Lomborg disse ser uma forma muito melhor de se gastar o dinheiro do que destinar mais recursos na limpeza subsequente à catástrofe.

Bjoern Lomborg, que ficou famoso com o livro “O Ambientalista Cético”, de 2001, argumentou que a lista é necessária uma vez que tomadores de decisão e organizações humanitárias costumam permitir que emoções irracionais determinem quanto dinheiro vão gastar para enfrentar a pobreza, a redução da biodiversidade ou desastres naturais.

Ele afirmou que o foco na criação de reservas naturais e em fazer grandes áreas de florestas em contraponto ao desenvolvimento era “uma boa ideia, mas o problema é que nem sempre ocorre”.

Ao invés disso, os economistas do Conselho de Copenhague propuseram investir pesado em pesquisa e desenvolvimento agrícola para tornar a produção de alimentos mais eficiente, o que segundo eles reduziria a fome no mundo e também protegeria a biodiversidade “ao reduzir a necessidade de que áreas de florestas virem terras agricultáveis”.

Lomborg, que refuta duramente o rótulo de negacionista das mudanças climáticas, às vezes atribuído a ele, também criticou o forte enfoque no controle das emissões de dióxido de carbono na luta conta o aquecimento global.

“Há formas mais inteligentes de enfrentá-las, como por exemplo, investindo em pesquisa e desenvolvimento sobre energia verde ou estudando a geoengenharia”, afirmou,

“Trata-se, realmente, em focar naquilo que funciona ao invés de se concentrar naquilo que faz com que nos sintamos bem”, resumiu, acrescentando que especialmente à luz da crise econômica, “ficou muito claro que nós precisamos gastar nosso dinheiro da melhor forma possível”.
Fonte: Portal iG

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Construtora pode pagar até R$ 10 milhões

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra a empresa Construtora Segura Ltda, pedindo que a mesma pague uma multa de R$ 10 milhões pelo acidente que resultou em nove operários mortos, ocorrido em agosto do ano passado.

O órgão garante que possui vários documentos que comprovam a responsabilidade da empresa que causou o maior desastre na área da construção civil da Bahia.

As provas apontam que o acidente aconteceu devido às falhas na manutenção do elevador que, ao subir o equivalente a 90 metros de altura, despencou com os nove operários que morreram na hora. Outras irregularidades estão relacionadas ao acidente, como o não cumprimento das normas de segurança.

A quebra do eixo que movia o carretel e o não funcionamento do freio de emergência são apontados como as principais causas da tragédia.

O laudo indica que o eixo se partiu pelo ‘fenômeno de fadiga’, termo técnico utilizado para designar a ruptura progressiva de materiais expostos a ciclos repetidos de tensão ou deformação. A ação ainda pede que a construtora seja obrigada a atender uma lista de normas de segurança em todas as suas obras.

Em nota publicada no site da Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região, as procuradoras Cleonice Moreira e Séfora Char afirmam que a empresa não demonstrou interesse em resolver a questão de forma extrajudicial e por isso a Justiça do Trabalho foi acionada.

A medida seria uma forma de obter uma reparação dos danos provocados pelo acidente e para que a construtora assuma o compromisso de respeitar as normas de segurança do trabalho, informou o MPT. Uma das procuradoras ainda destacou que o acidente foi um dos mais graves da história e por este motivo deve ser tratado de forma exemplar pelo Judiciário.

O acidente aconteceu no dia 9 de agosto e as vítimas foram: Antônio Reis do Carmo, Antônio Elias da Silva, Antonio Luis Alves Santos, Hélio Sampaio, José Roque dos Santos, Jairo Almeida Correia, Lourival Ferreira, Martinho Fernandes dos Santos e Manoel Bispo Pereira. Todos trabalhavam na obra do edifício empresarial Comercial 2, da Construtora Segura, localizado na Rua Saturnino, região do Iguatemi.
Fonte: Tribuna da Bahia

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Trabalho e saúde. O “casamento perfeito”?

Por: Dr. Luiz Roberto Fava *

A globalização, fenômeno irreversível a partir de meados dos anos 80, trouxe, e vem trazendo, mudanças significativas para os negócios e para as empresas e, consequentemente, para as pessoas.

Alguns fatos a ela relacionados são:

◦a noção de espaço (fronteiras geográficas) deixou de existir.

◦Com o emprego da tecnologia podemos estar em qualquer lugar e nos comunicar com qualquer pessoa, onde quer que ela esteja.

◦a noção de tempo também deixou de existir.

Pessoas conectadas se falam a qualquer momento, não importando se é de madrugada, tarde ou noite no local de origem.

◦a noção de produtividade (fazer mais com menos recursos e em menor espaço de tempo) se exacerbou no ambiente corporativo, tornando-o mais dinâmico.

◦É óbvio que a tecnologia foi (e tem sido) o grande fator que tornou tudo isso possível. Internet, computadores portáteis, smartphones, tem facilitado a comunicação e os negócios. E, se alguém quiser, ela também permite que as pessoas trabalhem todas as horas do dia, seja na empresa, no parque, em casa, na cafeteria, etc.

Muitas empresas tem o hábito de obrigar seus colaboradores a ficarem continuamente conectados para serem encontrados, não importando onde e a que horas. O paradoxo é que muitos profissionais QUEREM ser encontrados porque tem receio de que, se não o forem, começarão a ser mal vistos pelo chefe e colegas de trabalho. E este receio, este medo, faz com que as pessoas acabem trabalhando mais horas.

Para mostrar o impacto da tecnologia no aumento do número de horas trabalhadas, a ASAP, consultoria de recrutamento de executivos, ouviu 1090 pessoas com renda mensal entre 5 e 15 mil reais. Os resultados foram publicados no jornal Folha de São Paulo. Foram eles:

◦68,5% afirmaram que sua carga horária aumentou nos últimos cinco anos,
◦56,1% não tiveram aumento de remuneração satisfatório que compensasse o maior número de horas trabalhadas,
◦77,8% afirmaram que são acionados fora do expediente, via celular, e-mail ou outros meios;
◦52,1% afirmaram que respondem e-mails durante as férias, e,
◦67% estão se sentindo mais cansados e estressados.

Em uma outra pesquisa, publicada no jornal O Estado de São Paulo, o IPEA ouviu 3796 pessoas residentes em áreas urbanas das cinco regiões do país, a respeito de se manter ligado ou não ao trabalho, mesmo após o expediente.

Os números mostraram que 45,4% não se desligam totalmente do trabalho e destes, 4,2% exercem outro trabalho remunerado, 7,2% procuram aprender coisas sobre o trabalho, 8% planejam ou desenvolvem atividades referentes ao trabalho via internet/celular, 26% ficam de prontidão pois podem ser acionados para alguma atividade extra.

Como a tecnologia transformou o trabalho em muito mais intelectual do que braçal na maior parte das atividades, é normal que as empresas cobrem muito pelos resultados finais, não importando se o colaborador está trabalhando em casa, no hotel, no metrô, no avião, no ônibus, etc.

Entretanto, esta sensação de cansaço e estresse também pode existir nas jornadas normais com menor número de horas mas onde a intensidade do trabalho atinge ritmos alucinantes.

Se este procedimento é incorporado à vida profissional do corpo diretivo da empresa, este exemplo também passará a ser seguido pelos profissionais dos escalões inferiores e, em pouco tempo, TODOS estarão trabalhando muito mais horas. O pensamento dominante será: se o meu diretor trabalha mais horas, é isto que vou fazer para atingir posições mais elevadas.

Mas, trabalhar muitas horas por dia, embora possa parecer algo bom no primeiro instante, tem feito com que as pessoas acabem pagando um preço muito alto por estarem conectadas e trabalhando em qualquer hora e em qualquer lugar. E isto inclui os finais de semana e período de férias, fazendo com que a casa do colaborador e os locais aprazíveis das férias acabem se tornando a extensão do escritório da empresa.

Isto pode fazer com que os colaboradores tenham percepções diferentes sobre seu trabalho.

O mesmo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) verificou que apenas 41,3% dos empregados formais escolheram seu trabalho por interesses profissionais. O restante (58,7%) foi assim distribuído: 26,6% estão na atual atividade porque dependem dela para sobreviver e dificilmente encontrariam outro serviço, 18,4% percebem seu emprego atual como uma atividade transitória,até conseguirem algo melhor, 5,9% exercem essa tarefa por ser uma tradição ou negócio familiar, 4,7% desempenham uma atividade por engajamento político e 3,1% estão no serviço para ocupar o tempo livre. Estes dados foram publicados na revista Você RH.

Outro fator importante ocorre na faixa onde se encontram os profissionais mais qualificados.

Peter Kuhn (Universidade da Califórnia) e Fernando Lozano (Promona College, Califórnia) verificaram a porcentagem daqueles profissionais que terminaram a faculdade e que trabalham 50 horas ou mais por semana. Tal porcentagem subiu de 22% para 29% entre os anos de 1980 e 2004. Para aqueles que não terminaram o segundo grau, esta porcentagem caiu de 11% para 9%.

Em resumo,como afirma o Prof. Lozano, “a competição está entre os que ganham mais, e isto faz com que trabalhem mais”.

O fenômeno da globalização faz com que as empresas sejam mais exigidas e, em consequencia, exijam mais dos seus funcionários, afirma Helio Zylbersztajn.

O lado ruim de tudo isso diz respeito ao comprometimento da saúde das pessoas. O custo de uma piora na qualidade de vida dos colaboradores é muito alto, visto que seus limites físicos e mentais estão sendo ultrapassados, o que se traduz pelo aparecimento de uma série de distúrbios, tais como:

◦impaciência;
◦agressividade;
◦mau humor;
◦ansiedade;
◦angústia;
◦depressão;
◦pânico;
◦crises de choro;
◦irritabilidade;
◦uso abusivo de drogas e álcool;
◦agravamento de doenças crônicas, principalmente as cardiovasculares;
◦inconstância nos horários da alimentação;
◦gastrite;
◦digestão lenta;
◦perda de peso;
◦maiores índices de absenteísmo e presenteísmo;
◦aumento do número de faltas e atrasos;
◦dores musculares;
◦dores de cabeça;
◦baixa imunidade e aparecimento de infecções e cancer;
◦distúrbios do sono;
◦cansaço constante;
◦diminuição do poder de concentração;
◦menor capacidade de raciocínio;
◦menor criatividade;
◦menor produtividade;
◦menor capacidade de memorização;
◦maior desinteresse em praticar atividades física e de lazer;
◦piora nos relacionamentos afetivos interpessoais (família,amigos).
◦O grande paradoxo do excesso de trabalho é que, ao final, como consequencia da piora da saúde física e mental dos colaboradores, a produtividade será menor e os resultados ficarão sempre bem abaixo dos esperados.

E aquele Ser Humano, único, indivisível,acaba se “despersonalizando”,como afirma a psicóloga Silvania Brigido.

◦E o mais triste: o suicídio ou o óbito podem ser o desfecho final para este tipo de vida.

Aliás, já em 1930, Maurice Halbwachs, citava que as razões relacionadas ao trabalho que levavam ao suicídio eram o desemprego, falências das corporações e a existência de um sentimento obscuro de opressão que recaía sobre os funcionários, como relatam Venco & Barreto em O sentido social do suicídio no trabalho (2010).

Outras causas, relatadas por vários estudiosos, incluem as reestruturações (downsizings), as condições do trabalho, falta de vínculo empregatício (trabalho temporário), estágio, degradação da condição salarial, ambientes caracterizados pela dominação e submissão e estresse excessivo.

No Japão, o estresse decorrente do excesso de trabalho, e que pode levar a pessoa a óbito, chama-se karoshi. Com a aceleração da economia mundial, muitos executivos japoneses passaram a trabalhar em um ritmo mais alucinante, o que não evitou que fossem demitidos pelas reestruturações das companhias,levando-os ao suicídio,o que deu origem a um novo tipo de karoshi, o karojiatsu, ou seja, o suicídio causado pelo excesso de trabalho.

São de Ferreira (2008) as seguintes palavras:

Diferentemente de consultorias que que transformam o desgaste dos trabalhadores em “stress business” e lucram com atividades do tipo “ofurô corporativo”, é imperioso repensar os caminhos que tem tomado a reestruturação produtiva. Ela opera uma transição de paradigma ancorado, essencialmente, em uma “modernização” gerencial conservadora que combina distintos ingredientes: o aumento da responsabilidade das tarefas, a aceleração do ritmo de trabalho e a racionalização do controle por meio de novas tecnologias. O resultado é uma intensificação insuportável do trabalho. Esse enfoque de gestão parece estar transformando o trabalho no seu avesso: outrora modo de ganhar a vida, hoje, mais do que antes, modo de encontrar a morte. (grifo meu).

Mas existe o lado bom.

Sim, por incrível que possa parecer, o aumento do número de horas trabalhadas é bem vinda naqueles casos onde se deve, por exemplo:

◦atingir objetivos claros e definidos;
◦desenvolver projetos para serem entregues em curtos espaços de tempo;
◦aumentar o número de vendas em determinadas ocasiões, como natal, dia das mães, etc.;
◦reestruturar a organização;
◦realizar fusões, aquisições e vendas de empresas.

O grande mote é não fazer do aumento do número de horas algo contínuo, corriqueiro ou que faça parte da cultura da empresa.

É ótimo saber que muitas empresas já adotam diferentes ações para que o profissional, mesmo tendo que trabalhar algumas horas a mais em situações específicas, tenha sua saúde valorizada e levada em conta através de diferentes programas de melhoria não só da sua saúde física e mental, mas que abranja sua qualidade de vida como um todo.

Trabalho e saúde devem caminhar sempre de mãos dadas. Certamente este é um aspecto que deve fazer parte do DNA das empresas, principalmente daquelas que querem vir a ter o orgulho de receber o título de “uma das melhores empresas para se trabalhar”.

* Dr. Luiz Roberto Fava
luizrfava@gmail.com

Fonte: http://favaconsulting.com.br/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Marília/SP - Cidade registra 12 mortes por acidente de trabalho em 2011.

Levantamento aponta que no estado, por mês, 38 empregados são vítimas fatais deste tipo de ocorrência.

Relatório da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que 12 pessoas morreram no ano passado vítima de acidentes de trabalho em Marília. Em 2010 o número de óbitos por essa causa foi de 17 vítimas, percentual 29,4% maior que no ano passado. Desde 2006, quando iniciou o levantamento obrigatório de acidentes de trabalho, Marília registrou 5.568 ocorrências.

A média mensal em todo estado de São Paulo é de 38 empregados, vítimas desse tipo de ocorrência, o que significa um trabalhador por dia.

Do total de 55,4 mil acidentes de trabalho notificados no estado em 2011, 464 foram fatais. Em todo o estado entre os principais tipos de acidentes estão os graves ou fatais em menores de 18 anos, que respondem por 48% das notificações, seguido das intoxicações por causas externas (25,5%) e dos acidentes provocados por material biológico (20,1%). Câncer relacionado ao trabalho, transtorno mental e perda auditiva induzida por ruído também estão entre os acidentes apontados. Em relação aos óbitos, as principais causas são os acidentes de trânsito, as quedas de edifícios, exposição à corrente elétrica e o impacto causado por objetos lançados, projetados ou em quedas.

“Os acidentes de trabalho podem ser evitados se houver controle dos ambientes e das condições oferecidas ao trabalhador. Por isso, a investigação dos acidentes tem como princípio prevenir outros”, afirma Simone Alves dos Santos, diretora Técnica da Divisão de Saúde do Trabalhador da Vigilância Sanitária Estadual.

Todos os casos de acidentes de trabalho, classificados como de notificação compulsória, devem ser comunicados aos gestores municipais de saúde, por meio de uma ficha de investigação do Sinan.

A notificação também deve ser comunicada à Previdência Social, por meio da abertura de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
Fonte: Diario de Marília

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Transporte de Cargas - Caminhoneiros são os trabalhadores que mais morrem no Brasil.

Em 2010 foram registrados 701.496 acidentes de trabalho, sendo 16.910 só no setor de transporte de cargas. Relatório divulgado nesta semana aponta que motorista do acidente 33 canavieiros dirigiu 14 horas seguidas.

Caminhoneiros são os trabalhadores que mais morrem no Brasil. De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Previdência Social, o setor de transporte rodoviário de cargas ocupa o primeiro lugar em número de acidentes de trabalho fatais. Das 2.712 mortes que ocorreram em 2010, 260 foram no setor. As informações referentes ao ano passado ainda não foram divulgados. No sábado, 28 de abril, celebra-se o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho.

A Organização Internacional do Trabalho aproveita a data para promover também o Dia Mundial da Segurança e Saúde do Trabalho. Nesta sexta-feira, dia 27, os ministérios do Trabalho e Emprego, Previdência Social e Saúde lançaram o Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho. Em relação a acidentes que tem como conseqüência incapacidade permanente, ou seja, seqüelas que impedem a pessoa de voltar ao trabalho, o setor de transporte rodoviário de cargas está em segundo lugar com 412, do total de 14.097.

O primeiro lugar fica para a construção de edifícios, com 454 acidentes que causam incapacidade permanente. Em 2010 foram registrados 701.496 acidentes de trabalho, sendo 16.910 só no setor de transporte de cargas. As atividades econômicas de serviços, que englobam o setor de saúde, somam 48 mil registros de acidentes.

Contudo, os acidentes neste setor são menos graves do que os envolvendo caminhoneiros e trabalhadores da construção civil.

Acidentes no setor de transporte rodoviário em 2010
Mortes 260;
Incapacidade permanente 412;
Total de acidentes 16.910

O acidente que matou 33 trabalhadores canavieiros da Central Energética Vicente e mais três motoristas sem registro da empresa Milton Turismo, em dezembro do ano passado, mostra bem o problema enfrentando pelos trabalhadores do setor de transporte.

As Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego da Bahia (SRTE/BA) e de Pernambuco (SRTE/PE) finalizaram nesta semana o relatório sobre o acidente no início desta semana. Os auditores fiscais que investigaram o caso concluíram que o motorista do caminhão Márcio Clenio, que colidiu com o ônibus que transportava os trabalhadores, dirigiu por 14 horas seguidas, jornada que terminou com o acidente.

Os motoristas do ônibus, em processo de revezamento, trabalharam por mais de 30 horas sem que houvesse real descanso. Excesso de jornada de trabalho De acordo com relatório da SRTE/BA este tipo de jornada que tem sido encontrada com grande freqüência no transporte de carga interestadual "principalmente quando envolve as regiões nordeste e sul-sudeste, como tem sido verificado em diversas fiscalizações do Grupo Especial de Fiscalização do Transporte de Carga, do Ministério do Trabalho e Emprego".

O motorista do caminhão foi internado. Para a fiscalização as causas do acidente estão relacionadas com excesso de jornada de trabalho e falta regulamentação para limite de jornada de trabalho de motoristas de transporte de carga, empregados ou não, e para intervalo mínimo interjornadas para condução de veículos.

A falta de registro legal do vínculo de emprego geralmente contribui para que o motorista trabalhe de modo mais intenso e extenso para garantir seu sustento e dos seus familiares, apontam os auditores fiscais. A viúva de um dos motoristas de ônibus mortos no acidente, disse à Fiscalização do Trabalho que seu marido estava com problemas de saúde, mas que não podia se tratar, uma vez que dependiam daquela renda.

O motorista não tinha Carteira de Trabalho assinada e não pode se afastar das atividades, pois não receberia o auxílio-doença do INSS. Fiscalizações realizadas nas rodovias de Goiás, Mato Grosso e São Paulo pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) constataram jornadas exaustivas, não recebimento de horas extras, desrespeito ao descanso semanal remunerado, pagamento de comissões que incentivam os excessos e uso de medicamentos para inibir o sono.

Segundo Jacquelinne Carrijo, auditora fiscal da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Goiás (SRTE/GO), as longas jornadas de trabalho se destacaram entre as irregularidades verificadas. Ela aponta os contratos de trabalho como estimuladores de excessos: de jornada, de velocidade e de cargas.

"Tudo isso para que haja a entrega do produto em prazos muito curtos. E como esses trabalhadores ganham por produção, quanto mais trabalharem, mais ganharão".

Fonte: Repórter Brasil

terça-feira, 8 de maio de 2012

Cortador de cana exposto ao sol deve receber adicional.

Os médicos japoneses têm um termo para designar a morte por excesso de trabalho: karoshi (de karo, excesso de trabalho, e shi, morte). De acordo com a literatura sócio-médica, o fenômeno é um acometimento fatal por sobre-esforço associado, na maior parte das vezes, a longos períodos de horas trabalhadas. Embora o conceito seja nipônico, pode ser utilizado para descrever a situação predominatne entre os cortadores de cana brasileiros.

A tese é da desembargadora Ana Paula Pellegrina Lockmann, que atua no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas). Ela condenou a LDC Bioenergia S.A. e a Usina Açucareira de Jaboticabal S.A. a concederem adicional de insalubridade de 20% sobre o salário médio a um cortador de cana que trabalhava em um calor de 26 graus. As empregadoras vão indenizar o trabalhador em R$ 60 mil, entre horas extras e adicional de insalubridade.

O entendimento contraria a Orientação Jurisprudencial 173 do próprio Tribunal Superior do Trabalho, que veda a incidência do adicional de insalubridade quando o trabalhador é exposto a raios solares, por falta de previsão legal.

“Estudos demonstram que a exposição demasiada aos raios solares é uma das circunstâncias que contribui expressivamente para o surgimento de câncer de pele, doenças oculares (com risco de se evoluir à cegueira), envelhecimento precoce, queimaduras e eritemas, tonturas, mal-estar, convulsões, desmaios, dentre outros danos”, diz.

Para ela, no caso do trabalhador a céu aberto, “a situação de risco se torna bem mais preocupante, notadamente em se tratando de trabalho rural, cuja jornada laboral se dá por várias horas sob sol escaldante”.

Só no interior paulista, entre 2004 e 2007, foram registradas 21 mortes súbitas de cortadores de cana, conta o pesquisador Francisco Alves, professor do Departamento de Engenharia da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), em artigo sobre o assunto.

De acordo com os dados, fornecidos pelo Serviço Pastoral do Migrante de Guariba (SP), as vítimas eram trabalhadores jovens — na faixa dos 24 aos 50 anos — e oriundas de outras regiões do Brasil, como Minas Gerais, Bahia, Maranhão e Piauí.

No voto, a desembargadora também sustenta tese sobre o pagamento de horas extras no trabalho por produção. “Não há dúvidas de que a remuneração do empregado braçal em lavoura agrícola, na forma de produtividade, destoa das normas que asseguram a higidez física e a dignidade do trabalhador, dentre elas a proteção constitucional que impõe o limite da jornada de trabalho”, anotou em seu voto.

“A situação ainda se agrava pelo fato de o trabalhador rural, remunerado por tarefa, e dado o valor quase ínfimo pago pela produção, se ver na necessidade de produzir cada vez mais e, por consequência, laborar muito além do limite da jornada e de sua capacidade física, a fim de perceber um mínimo de ganho razoável para sua sobrevivência, em detrimento de sua saúde”, diz a julgadora.

Ana Paula lembra que a Portaria 3.214, de 1978, do Ministério do Trabalho do Estado, “disciplina a insalubridade na hipótese de exposição a calor excessivo, sendo que não fez qualquer distinção quanto à origem dos agentes nocivos, de modo que alcançam também os provenientes do Sol”.

Ela lembra também que a Norma Regulamentadora 21 da portaria, que trata do trabalho a céu aberto, “estabeleceu obrigação de serem adotadas medidas especiais que protejam os trabalhadores contra todas as intempéries nela previstas, fazendo expressa menção à insolação excessiva e ao calor”.
Fonte: Revista Consultor Jurídico

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Rio+20: Desperdício de água só vai acabar com punição, diz biólogo

Há pouco mais de dois meses, na ocasião da abertura do Fórum Mundial da Água, em Marselha, na França, o primeiro-ministro Francês François Fillon declarou que chegou o momento do planeta aplicar “velocidade de cruzeiro” para o que chamou de “nova revolução industrial”.

Às vésperas de receber a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, o Rio de Janeiro, bem como diversas outras cidades brasileiras, ainda sofre com o desperdício e a falta de consciência acerca do bem natural indispensável à vida humana. E, de acordo com o biólogo marinho Marcelo Szpilman, autor de diversos livros da área e diretor do Instituto Ecológico Aqualung, além de membro de grupo de trabalho da conferência que ocorrerá em junho na capital fluminense, somente com punições severas é que a ordem coletiva se estabelecerá no País que concentra 12% da água potável do planeta.

“Existe uma verdade: você não vai conseguir que todas as pessoas tenham consciência ecológica. Para você colocar a pessoa nessa trilha, é punição. Desembolsar é punição. Na Alemanha, a água é cara. A pessoa urina e só vai puxar a descarga na terceira ou quarta vez. Para isso, eles têm uma substância que quebra o cheiro desagradável da ureia. Porque é caro. Esse é o caminho”, explica Szpilman, em entrevista exclusiva ao Terra.

“Outro exemplo que eu te dou: se você andar nas ruas dos Estados Unidos, é tudo limpo, ninguém joga lixo na rua. Se jogar o lixo na rua, será multado. Se você entra no cinema, vai ver que é a coisa mais suja do mundo, já que alguém vai limpar aquilo. Eles têm consciência? Não. Eles fazem (manter as ruas limpas) porque são punidos. Não adianta ser romântico. Muita coisa mudou em função de uma série de circunstâncias. Mas o uso racional da água, não”, complementa.

Seguindo a linha do uso indiscriminado da água por parte da população brasileira, outro ponto chama a atenção do biólogo: por que, assim como já é feito com a luz, os prédios domiciliares do País não contam com relógios exclusivos para cada residência? “O Brasil tem tanta água, que e o sistema é meio perverso nesse sentido, pois a menos que você more em casa, a cobrança da água é no condomínio, você não tem a mínima noção de quanto você está gastando. Fica sempre a sensação de que não sai do bolso dele”, pondera.

“Muitos apartamentos no Brasil todo ainda contam com aquela válvula antiga de descarga, que você fica apertando e gasta uma água incrível. Não custa muito se mudar isso. Nos Estados Unidos e Europa, as descargas têm dois botões, um para urina e outro para fezes. Isso já é um uso muito mais racional”, exemplifica novamente.

No último Fórum Mundial da Água, evento prévio do Rio+20 em questões de sustentabilidade, a ONU apontou em relatório que a demanda mundial por água, até 2050, crescerá em torno de 55%. Tendo em vista que a população mundial atual está na ordem dos 7 bilhões de habitantes, e que até o referido ano, pela mesma projeção, terá 2,3 bilhões de pessoas suplementares, estima-se que 40% da população não terá acesso à água se medidas de controle e educação para uso racional não forem colocadas em prática já.

“Você já tem vários países em guerra pela água (principalmente na África e no Oriente Médio). Esse é um problema que só vai se agravar”, conclui Szpilman, lembrando ainda de outro dado alarmante: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), sete pessoas morrem por minuto, em todo mundo, por ingerir água insalubre.
Fonte: Portal Terra