sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A pedido do TST, grade curricular de cursos profissionalizantes abordará segurança no trabalho.

Com o objetivo de estimular a prevenção de acidentes na busca por um trabalho seguro, temas como legislação trabalhista e segurança no trabalho deverão fazer parte dos currículos de cursos de formação profissional técnica e de educação ambiental do país.

A inclusão, solicitada pelo Tribunal Superior do Trabalho, foi atendida pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) que compreendeu medidas voltadas à prevenção de acidentes no ambiente de trabalho em duas Resoluções que definem diretrizes curriculares nacionais.

Com a regulamentação da Resolução nº 6/2012, por exemplo, os currículos dos cursos de educação profissional técnica de ensino médio devem proporcionar aos estudantes fundamentos de empreendedorismo, cooperativismo, tecnologia da informação, legislação trabalhista, ética profissional, segurança do trabalho, entre outros.

Já na área de Educação Ambiental, a Resolução nº 2/2012 estipula que as instituições de ensino devem contribuir para a valorização dos conhecimentos referentes à saúde ambiental, inclusive no meio ambiente de trabalho, com ênfase na promoção da saúde para melhoria da qualidade de vida.

Em novembro de 2011, o presidente do TST encaminhou ofício ao CNE solicitando a possibilidade da regulamentação para que questões de segurança, higiene e meio ambiente de trabalho fossem incluídas em todos os níveis de ensino e de treinamento, inclusive naqueles do ensino superior técnico, médico e profissional, com o objetivo de satisfazer as necessidades de treinamento de todos os trabalhadores.

A iniciativa foi tomada após a celebração do Protocolo de Cooperação Técnica entre o Tribunal Superior do Trabalho e Conselho Superior da Justiça do Trabalho com os Ministérios da Saúde, do Trabalho e Emprego, da Previdência Social e com a Advocacia Geral da União.

O objetivo é unir esforços para a implementação de medidas e ações voltadas à prevenção de acidentes de trabalho e ao fortalecimento da Política Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Investigações sobre agrotóxicos

Investigações apuram suposto esquema de liberação de agrotóxicos na Anvisa.

Três investigações paralelas estão em curso para apurar um suposto esquema na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que estaria permitindo a liberação de agrotóxicos no país sem os procedimentos necessários.

O Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a própria Anvisa investigam o caso.

O IAT (Informe de Avaliação Toxicológica) é obrigatório para que um agrotóxico consiga o registro no Ministério da Agricultura e possa ser vendido. A suspeita é que alguns agrotóxicos recebessem o documento sem terem sido avaliados de fato.

O diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, disse nesta quarta-feira (21) que pediu uma autoria em todos os agrotóxicos avaliados pela agência desde 2008.

Em média, passam por análise da Anvisa cerca de 30 a 40 agrotóxicos por ano.

A denúncia de irregularidades partiu do ex-gerente geral de Toxicologia da Anvisa Luiz Carlos Meirelles, que publicou uma carta aberta em redes sociais nesta semana.

Meirelles foi exonerado enquanto fazia as investigações.

A diretoria da Anvisa disse, em nota, que a exoneração de Meirelles "não tem relação direta" com as denúncias do servidor.

PROCURADORIA

O Ministério Público Federal abriu investigação cível, sob comando do procurador Carlos Henrique Martins.

Deverão ser investigados servidores envolvidos no processo de registro de agrotóxicos e empresas suspeitas de envolvimento no caso. A investigação poderá motivar uma ação de improbidade administrativa.

A Procuradoria também analisa eventual abertura de inquérito criminal por suspeita de fraude. Isso porque, de acordo com Meirelles, houve falsificação de assinaturas para liberação de agrotóxicos.

Nesta semana, a Polícia Federal entrou no caso, acionada pela própria Anvisa.

EMPRESAS

A Folha revelou nesta quarta-feira (21) que dois produtos que não passaram pela avaliação da Anvisa receberam o IAT e o posterior registro no Ministério da Agricultura, que lhes permitiu chegar ao mercado.

Após Meirelles iniciar investigação interna na Anvisa e comunicar o Ministério da Agricultura, as vendas desses agrotóxicos foram suspensas.

Um deles, o Diamante BR, é da empresa Ourofino --a mesma que, no ano passado, deu carona em um jatinho ao então ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), o que acabou acelerando sua saída do governo.

Em nota, a Ourofino afirmou que "cumpre rigorosamente todos os procedimentos exigidos pela legislação". "O princípio ativo desse produto é genérico e comercializado há mais de 15 anos no Brasil", afirmou.

O outro produto que teria se beneficiado do suposto esquema, o fungicida para lavouras de soja Locker, é da FMC Química do Brasil. A empresa negou irregularidades.

"Fiscalizações e reavaliações dos processos são rotina nos órgãos federais", afirmou, em nota.

"A FMC se sente lesada no momento e entende que não só ela, mas também os produtores de soja [estão lesados], pois eles perdem o acesso temporário a uma solução eficaz para o combate das doenças da soja."
Fonte: FOLHA DE SAO PAULO

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Campanha mostra avanços do S.O.S Emergências

O Ministério da Saúde tem investido na melhoria do atendimento de urgência e emergência à população no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). E, para comemorar o primeiro ano de implantação da estratégia, está sendo veiculada uma campanha publicitária que destaca as principais ações dentro dos 12 hospitais que integram o S.O.S Emergências. A peça será veiculada nas principais emissoras de TV do país, durante uma semana, a partir desta quinta-feira.

Em um ano, da implantação do S.O.S. Emergências, o Ministério da Saúde disponibilizou 1.155 leitos, esta medida contribuiu para diminuição de pacientes em macas nos corredores das emergências e na redução da taxa de ocupação das unidades. A iniciativa, que integra a Rede Saúde Toda Hora, vai alcançar, até 2014, os 40 maiores prontos-socorros brasileiros, abrangendo todos os 26 estados e o Distrito Federal. A estratégia tem como objetivoatuar de forma mais organizada e efetiva sobre a oferta da assistência nas grandes emergências do País.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha já visitou os 12 hospitais que integram o S.O.S. Emergências, uma iniciativa do governo federal, em parceria com estados e municípios e os gestores hospitalares para promover o enfrentamento dos principais problemas desses hospitais, qualificar a gestão, ampliar o acesso aos usuários em situações de urgência e garantir atendimento ágil, humanizado nos hospitais que atendem pelo SUS.

"Estamos, aos poucos, reorganizando o atendimento para desafogar essas emergências e satisfeito com os resultados já obtidos. Os desafios são muitos e estamos trabalhando para que a assistência seja garantida de forma adequada aos pacientes que dependem do SUS", afirma Padilha.

Até o momento, 12 hospitais de grande porte fazem parte do S.O.S. Emergências e estão nas seguintes localidades: Goiânia (GO) Ananindeua (PA), Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Brasília (DF), São Paulo (SP), Belo Horizonte (BH), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Todos os hospitais selecionados são referências regionais, possuem pronto-socorro e realizam grande número de internações e atendimentos ambulatoriais.

Medidas

Os recursos investidos totalizam R$ 116 milhões e deve saltar para R$ 470 milhões, até 2014. Desde a instalação do S.O.S. Emergências, cada um dos 12 hospitais recebe R$ 3,6 milhões/ano de custeio e R$ 3 milhões para reforma eou compra de equipamentos, além do pagamento diferenciado dos leitos de retaguarda.

O S.O.S. Emergências prevê capacitar os profissionais da saúde para melhorar e agilizar os serviços prestados à população, aumentar o número de novos leitos de retaguarda nessas unidades ou em hospitais parceiros e qualificar leitos de retaguarda já existentes, visando diminuir a superlotação da emergência.

O Ministério da Saúde também desenvolve outras ações nesses hospitais como: qualificação dos profissionais que atuam nessas unidades, além da implantação do sistema de informatização da emergência e o de vídeo monitoramento para acompanhar o desempenho da unidade e o fluxo de pacientes na entrada da emergência de cada hospital.

Iniciativa

O S.O.S. Emergências é uma ação para melhorar o atendimento nos serviços de urgência. As medidas adotadas como o acolhimento e classificação de risco dos pacientes, gestão de leitos, monitoramento contínuo dos resultados possibilitam avançar no alcance dos objetivos do programa. Logo ao entrar no hospital, o paciente é acolhido por uma equipe que definirá o seu nível de gravidade e o encaminhará ao atendimento específico de que necessita.

A gestão interna de leitos avalia os motivos da permanência prolongada no pronto socorro e encaminha as providências necessárias, reordenando os fluxos de internação. A implantação de protocolos clínico-assistenciais e administrativos possibilitam a oferta adequada do tratamento ao paciente. Estão sendo tomadas, ainda, medidas para proporcionar a adequação da estrutura e do ambiente hospitalar.

A iniciativa funciona de forma articulada com os demais serviços de urgência e emergência que compõem a Rede Saúde Toda Hora como o SAMU, UPAS 24 horas, Salas de Estabilização, serviços da Atenção Básica e Melhor em Casa.
Fonte: Ministério da Saúde

terça-feira, 27 de novembro de 2012

27 de novembro : Dia de lembrar do profissional prevencionista.

Os trabalhadores contam com dois aliados na linha de frente na luta pela promoção e execução da proteção ao trabalho. Tanto os engenheiros de Segurança do Trabalho quanto os técnicos de Segurança do Trabalho caminham juntos em busca dos mesmos objetivos, que são o de assegurar condições mais dignas de saúde e segurança aos trabalhadores.

Para fortalecer a dedicação e o empenho destes dois profissionais, o dia 27 de novembro foi adotado como o dia do técnico e do engenheiro de segurança. A data celebra o dia em que ambas as profissões foram regularizadas pelo Ministério do Trabalho por meio da Lei nº 7.410, de 27 de novembro de 1985.

No entanto, os dois já desempenhavam suas funções muito antes dessa data, uma vez que os prevencionistas, como são chamados os profissionais de SST, sempre se preocuparam com o bem-estar no ambiente de trabalho.

Além de atuarem na prevenção de acidentes de trabalho, o técnico em Segurança do Trabalho e o engenheiro de Segurança do Trabalho, único profissional com pós-graduação reconhecida por lei, também zelam pela integridade física e mental do trabalhador.

Desta forma, auxiliam o empregador, a fim de criar um ambiente laboral que se adeque às normas de SST, mais conhecidas como Normas Regulamentadoras, responsáveis por estabelecer a obrigatoriedade de serviços e programas relacionados à saúde e segurança no ambiente de trabalho.

FUNÇÕES

Entre as atividades desenvolvidas pelo técnico em Segurança do Trabalho estão o dever de informar tanto o empregador, por meio de parecer técnico, quanto os trabalhadores sobre os riscos, orientando-os quanto às medidas para eliminá-los. Para isto, eles precisam analisar os processos de trabalho e identificar os fatores de riscos de acidentes e doenças do trabalho.

Também cabe ao técnico executar medidas de segurança e programas de prevenção com a participação dos trabalhadores, avaliar os resultados destas ações, promover a capacitação do trabalhador e orientar terceiros quanto à SST.

O engenheiro, por sua vez, estuda as condições de segurança dos locais de trabalho, das instalações e das máquinas e equipamentos, identificando seus pontos de risco e projetando dispositivos de segurança; planeja e desenvolve a implantação de técnicas relativas a gerenciamento e controle de riscos, vistoria, avalia e indica medidas de controle sobre o grau de exposição a agentes agressivos de riscos físicos, químicos e biológicos. Também analisa riscos, acidentes e falhas, investigando causas e propondo medidas preventivas e corretivas, entre outras competências.

Apesar de cumprirem e exercerem funções distintas, o engenheiro e o técnico de Segurança possuem atividades que se complementam no dia a dia da prevenção de acidentes e no bem-estar dos trabalhadores. Para lembrar a importância destes dois profissionais, serão realizadas diversas atividades pelo país em alusão a data. Abaixo, você confere algumas programações:

Amazonas

O SINTEST-AM promove seu evento alusivo à data, dia 27 de novembro, no Auditório do Taj Mahal Continental Hotel, em Manaus. Mais informações pelos telefones (92) 9116-8247/ 3304-4158 ou pelo e-mail: sintest@sintestam.org.br.

Ceará

O Instituto CENTEC/ EEEP Ícaro de Sousa Moreira promove a IV Sipat do Ensino Médio Integrado 2012, com diversas programações, de 26 a 30 de novembro, em Fortaleza. Mais informações (85) 9601-1169 / 8649-0514 ou pelo e-mail: julioedemia@hotmail.com.

Paraíba

O SINTEST-PB realizará, em João Pessoa, o III Encontro Estadual dos Técnicos de Segurança do Trabalho. Ocorrerá nos dias 26 e 27 de novembro, no SESI e SRTE-PB, respectivamente. Mais informações (83) 8895-0450/8880-2736 ou pelo e-mail: sintest.pb@oi.com.br ou nivaldobtecnico@hotmail.com.

Pernambuco

A FUNDACENTRO realiza nos dias 26 e 27 de novembro o II Seminário sobre Saúde e Segurança do Trabalhador do Vale do São Francisco, no Auditório do Senai, em Petrolina. Mais informações pelos fones (87) 3862-2417 / 8868-6530 ou pelo e-mail: asseapetrolina@gmail.com.

Rio de Janeiro

O SINTSERJ realiza seu evento no dia 27 de novembro no Auditório do Teatro Municipal João Caetano, em Itaboraí. Informações e inscrições pelos telefones (21) 2481-5912 / 3639-0163 ou pelos e-mails: sintserj@ig.com.br / secretaria@sintserj.org.br ou sintserj@sintserj.org.br.

A SOBES realizará diversos eventos referentes à data. No dia 27 de novembro realiza o Seminário Internacional de Manotecnologia, no dia 28 a eleição da diretoria e metade do conselho da SOBES e SOBES-RIO, dia 29 o "Dia Estadual de Redução de Desastres", em parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC) e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro - CBMERJ e dia 30 de novembro o 3º Congresso de Engenharia de Segurança do trabalho. Mais informações no site www.sobes.org.br.

A ABPA- Associação Brasileira para Prevenção de Acidente realiza no dia 27 de novembro evento em seu auditório, onde serão ministradas palestras com o tema "A importância dos profissionais de segurança do trabalho nas empresas". Mais informações pelo telefone (21) 2233-9033 ou pelo - email treinamentorj@abpa.org.br.

Rio Grande do Sul

A Associação Regional dos Técnicos em Segurança do Trabalho - ARTEST realiza no 24 de novembro um evento em comemoração ao dia do TST em Nova Prata. Também no dia 24 o SINDITEST-RS realiza o 4º Encontro dos Técnicos em Segurança do Trabalho da Região Central do Estado, em Santa Maria. E no dia 27 de novembro ocorre o tradicional jantar de confraternização em Porto Alegre. Mais informações (51) 3347-8604 ou pelo e-mail: nilson.laucksen@fiergs.org.br.

No dia 27 de novembro a ARES - Associação Sulriograndense de Engenharia de Segurança do Trabalho realizará um jantar em comemoração à data que coincidirá com a posse da nova diretoria.

Santa Catarina

A Bergo Treinamentos estará realizando um café em homenagem aos profissionais de Segurança do Trabalho no dia 30/11 em sua sede, em Jaraguá do Sul. Na ocasião também será comemorado o 18º aniversário da empresa que ocorre dia 1º de dezembro. Mais informações (47) 9132-4466 / 3274-4303 ou pelo e-mail: consultorcarlos@bergo.com.br.

São Paulo

O SINTESP realiza evento em comemoração ao dia nacional do Técnico de Segurança do Trabalho e aos 30 anos de representação dos técnicos de Segurança do Trabalho, que ocorre dia 27 de novembro, na Câmara Municipal de São Paulo. O evento é gratuito com inscrições limitadas. Mais informações pelo fone (11) 3362-1104 ou pelo e-mail: eventos@sintesp.org.br.

Também ocorre no dia 23 de novembro o II Encontro de Técnicos de Segurança do Trabalho de Campinas e Região, no Senai Amoreiras, em Campinas. Informações e inscrições pelo e-mail: pradocorrea@bol.com.br.

Sergipe

Nos dias 27, 28 e 29 de novembro, o SINTEST/SE realizará o I Encontro Integrado de Profissionais de Segurança do Trabalho do Estado de Sergipe, no Auditório Padre Melo, na Universidade Tiradentes, em Aracaju. Mais informações pelo e-mail: waltermonteiro30@hotmail.com.
Fonte: Redação Revista Proteção

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Juiz determina reintegração de empregado dispensado após surto psicótico.

Ao empregado doente deve ser resguardado o direito ao tratamento durante o contrato de trabalho até que se restabeleça. Assim se manifestou o juiz Antônio Carlos Rodrigues Filho, titular da Vara do Trabalho de Santa Luzia, ao julgar recentemente o caso de um empregado dispensado pouco depois de ter tido um surto psicótico na empresa.

Entendendo que o empregador não poderia dispensá-lo nessas condições, o magistrado decidiu declarar nulo o ato e restaurou a relação de emprego, suspendendo-a por falta de condições do reclamante para o trabalho, por razões médicas.

Segundo a empregadora, "o mal que aflige o empregado" não tem relação com suas atividades desenvolvidas na empresa. Por isso, ela entendia que ele poderia ser dispensado. Mesmo porque, conforme lembrou, o trabalhador não recebeu auxílio-doença acidentário. Mas para o juiz as coisas não se resolvem de forma tão simples assim.

É que uma perícia médica constatou que o trabalhador é portador de sofrimento mental com sintomas que apontam para psicose. De acordo com o perito, o reclamante adoeceu quando ainda trabalhava na empresa. No dia do exame inclusive ele não apresentava qualquer condição para o trabalho.

"Aos olhos da lei, o empregado que se encontra acometido de moléstia, ainda que de natureza não ocupacional, tem o legítimo direito de ver guarnecido e incólume o seu contrato de trabalho contra atos decorrentes do poder potestativo do empregador", registrou o julgador na sentença. Ele esclareceu que somente após o restabelecimento do trabalhador o empregador poderá avaliar sua capacidade para trabalhar. Isso só pode ser feito com a saúde perfeita.

Para o juiz, as regras de higiene, segurança e saúde do trabalhador se aplicam perfeitamente ao caso do processo. Ele considera que a aplicação do direito deve ser ágil e rápida, sob pena de não alcançar sua finalidade.

E mais importante que eventuais valores monetários em discussão é a própria vital necessidade de o empregado exercer suas atividades enquanto apto para tanto. Se a saúde do empregado está comprometida, a obrigação do empregador é encaminhá-lo para tratamento. Caso contrário, estará desprestigiando a figura do trabalhador, que tanto contribui ao empreendimento empresarial, ponderou o juiz.

No entender do magistrado, o ato da reclamada violou o princípio da dignidade da pessoa humana, adotado pela Constituição da República tanto como fundamento da República Federativa do Brasil (artigo 1º, inciso III) como fim da ordem econômica (artigo 170 caput), "constituindo, enquanto princípio, ao lado do direito à vida, o núcleo essencial dos direitos humanos", frisou.A dispensa de empregado doente também contrariou outro fundamento do Estado de Direito, que é a valorização do trabalho (artigo 1º, inciso IV), conforme destacou o julgador:

"Valorização do trabalho humano e reconhecimento do ′valor social do trabalho′ consubstanciam cláusulas principiológicas que, a par de afirmarem a compatibilização conciliação e composição (entre capital e trabalho), portam em si evidentes potencialidades transformadoras. Em sua interação com os demais princípios contemplados no texto constitucional, expressam prevalência dos valores do trabalho na conformação da ordem econômica prevalência que José Afonso da Silva reporta como prioridade sobre os demais valores da economia de mercado. Poderão, contudo, e aí o temor de Raul Machado Horta se tanto induzido pela força do regime político, reproduzir atos, efetivos, suas potencialidades transformadoras".

Nesse contexto, o juiz sentenciante declarou nula a dispensa e determinou a reintegração do reclamante ao trabalho, mantendo a integridade do contrato de trabalho para todos os fins. A empregadora foi condenada a pagar salários vencidos e vincendos, 13º salário, férias acrescidas de um terço e FGTS, este na conta vinculada sem autorização para levantamento. A tomadora dos serviços foi responsabilizada subsidiariamente.
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho 3ª Região Minas Gerais

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Redes sociais ajudam ou atrapalham na hora de arrumar emprego?

Por: Marcelo Tas

A geração que chega agora ao mercado de trabalho já nasceu dentro das redes sociais. Mas aposto que a maioria desses garotos e garotas na faixa dos vinte e poucos anos nunca pensou que o que escreveram no passado no Twitter, G+ ou Facebook teria relação com o futuro emprego deles.
Imagem: Babble


Hoje, para surpresa de muitos, a atuação nas redes é avaliada ao lado de curriculum, “experiência anterior” e etc… na hora da temida entrevista para um posto de trabalho. Vejam bem, isto não é uma ameaça. É um fato!

Estudo da CareerBuilder, empresa que atua em soluções de RH em mais de 20 países, indica que metade das empresas britânicas já usa redes como Facebook, Linkedin e Twitter para recrutamento de pessoal. E mais: a maioria dos gerentes de contratação disseram analisar o perfil do candidato através do comportamento dele na rede para concluir se ele se encaixa na empresa.

Não estou aqui procurando intimidar você a se comportar na rede. Longe de mim tal modelito. Apenas ofereço informações que confirmam aquilo que já tinha ouvido informalmente de alguns colegas que trabalham em grandes corporações. Atualmente, na hora da contratação, o que o candidato faz nas redes sociais tem o mesmo peso, ou até mais, que aquilo ele traz no Currilum Vitae.

Reportagem no The Wall Street Journal (em português) interpreta o estudo da CareerBuilder como um “perigo” trazido pelas redes sociais para quem quer ser aceito numa empresa. Eu deixo aqui este outro lado e visão da questão. Na minha própria experiência já comprovei exatamente o contrário. As redes sociais podem ajudar na admissão de um candidato. Já ouvi até testemunho de recrutador qualificado numa multinacional dizendo o seguinte: é comum o candidato fazer o tipo “certinho” no curriculum e entrevista; e ser o oposto nas redes sociais. O que é importante notar é que, algumas vezes, os recrutadores detectam qualidades que o candidato escondeu no curriculum na atuação dele no Facebook, por exemplo, como ousadia, capacidade de comunicação e criatividade. Quando questionado se foi ele mesmo quem produziu aquele conteúdo publicado nas redes, o candidato se surpreende ao ser admitido para o posto de trabalho por uma ousadia que ele acreditava que não cabia revelar.

Então, fica aqui o meu recado: na hora da contratação as empresas vão botar o olho no que você faz na rede. Isto pode atrapalhar mas pode também ajudar. Depende exclusivamente de você ser fiel a você mesmo e ter consciência de que tudo que já publicou já virou parte do seu legado virtual. Inclusive aquilo que você eventualmente se arrependeu e apagou depois. Boa sorte!
Fonte: Blog do Tas

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Uso de redes sociais repercute no ambiente de trabalho.

Em tempos de blogs e redes sociais, ações que envolvem direito à liberdade de expressão e demissões por ofensa à honra do empregador revelam um novo cenário nas relações trabalhistas mediadas pelas novas tecnologias. São características do chamado Direito Digital, em que a testemunha é uma máquina e a prova é eletrônica.



Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, por Ricardo Reis e Carmem Feijó.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Corpo de Bombeiros de São Paulo abre concurso para 800 vagas

Seleção é para guarda-vidas por tempo determinado.
Candidatos devem ter nível fundamental.

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo divulgou edital de processo seletivo para 800 vagas de guarda-vidas por tempo determinado (GVTD). O salário não foi divulgado.

Para participar da seleção, é preciso ter no mínimo 18 anos e ter concluído o nível fundamental. Podem se inscrever candidatos do sexo feminino e masculino.

Os candidatos podem se inscrever no período de 21 a 30 de novembro pelo site www.ccb.policiamilitar.sp.gov.br. Não há cobrança de taxa de inscrição.

Também é possível fazer a inscrição pessoalmente nas unidades do Corpo de Bombeiros das cidades de Guarujá, Santos, São Vicente, Bertioga, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaem, Peruíbe, Ilha Comprida, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba. Os endereços dos postos podem ser consultados no edital.

Os locais de prova serão informados no ato da inscrição.

As provas de habilidades técnicas serão aplicadas em 3 de dezembro, a partir das 12h. Para realizar o exame, o candidato terá que apresentar atestado médico expedido por órgãos ou entidades integrantes do Sistema Único de Saúde, no qual conste estar apto para prática de atividades físicas.

A prova terá atividades de salvamento aquático, compreendendo práticas natatórias, flutuabilidade, apneia dinâmica, e corrida de 1000 metros.

Os aprovados na prova de habilidades técnicas farão o estágio de treinamento, que começa no dia 6 de dezembro e terá 96 horas-aula. O local do curso será determinado pela corporação.

O processo seletivo terá validade até 31 de março de 2013.
Fonte: G1

terça-feira, 20 de novembro de 2012

São Paulo terá usina solar ligada a rede elétrica

A Secretaria de Energia assinará nesta semana uma ordem de serviço de R$ 13,3 milhões para a construção da primeira usina solar ligada à rede elétrica de São Paulo.O projeto, desenvolvido pela USP e pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp), será implantado no Parque Villa Lobos e pretende testar a capacidade de geração de energia fotovoltaica da capital.

Em uma área de 10 mil metros quadrados que será anexada ao Parque, serão instalados 2.500 painéis solares fixos para a criação da miniusina. O empreendimento, com capacidade de 500 quilowatts, ajudará os pesquisadores a formar uma base de dados mais apurada sobre o potencial de irradiação e a produção deste tipo de energia na cidade.

“A ideia é que estas informações fiquem à disposição de pesquisadores que fazem estudos neste área. Além disso, será possível avaliar com mais precisão como a energia solar se integra à rede normal de energia elétrica”, afirma o engenheiro Rafael Herrero Alonso, do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI).

Responsável pela formatação do projeto, que terá duração de três anos, Alonso afirma que, com a usina, será possível ampliar o conhecimento já existente a partir do Atlas Solarimétrico do Brasil, divulgado em 2000. A usina estará interligada à rede pelo sistema Smart Grid, operado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que faz uma compensação automatizada de energia conforme a demanda.

Os painéis no Parques Villa Lobos fazem parte das 18 propostas de empresas do setor elétrico aprovadas no ano passado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com o objetivo de tornar a energia solar economicamente viável no País, em investimentos que chegam a quase R$ 400 milhões. A intenção é de reduzir a um terço o custo de R$ 300 por megawatt/hora atuais da energia de origem fotovoltaica – a R$ 100, estaria no mesmo patamar da energia eólica.

Visibilidade

Além da miniusina, que será construída em uma terreno desativado anexo, o projeto prevê uma microrrede de geração de energia solar para o próprio parque, com captadores visíveis ao público. Utilizando uma tecnologia desenvolvida por Alonso, seis postes serão espalhados para o fornecimento de internet Wi-Fi a partir de eletricidade solar. Outros painéis solares fixos serão instalados no pórtico principal do parque e no prédio da administração.

A experiência com nove painéis do tipo seguidor solar, no entanto, terão maior impacto visual. Segundo os idealizadores, a ideia de instalar estas placas de 5×2 metros, com capacidade de 50 quilowatts, em meio ao espaço de circulação é também aproximar o público dos mecanismos de energia renovável.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Trabalhador obtém rescisão indireta por falta de condições adequadas no trabalho

Um trabalhador conseguiu junto à Justiça do Trabalho a rescisão indireta de seu contrato de trabalho devido às condições inadequadas de moradia, alimentação e higiene pessoal oferecidas pela empresa na qual era empregado. A decisão, dada pela juíza da Vara do Trabalho de Pontes e Lacerda, Rafaela Barros Pantarotto, também condenou a empresa ao pagamento de indenização por dano moral.

Com base em provas testemunhais e fotográficas a juíza verificou o descumprimento da Norma Regulamentadora 18 do Ministério do Trabalho e Emprego, que dispõe sobre as condições e o meio ambiente de trabalho, expondo o empregado “a perigo manifesto de mal considerável”. Neste sentido, a magistrada acolheu o pedido feito pelo trabalhador de reconhecimento da rescisão indireta, por culpa da empresa.

Atuante no ramo de engenharia, empreendimentos e construções e dedicada particularmente ao atendimento de grandes projetos de infra-estrutura de transmissão de energia no país, em especial na região Amazônica, a empresa realiza projetos em meio rural, deslocando trabalhadores e equipamentos para zonas de mato, onde permanecem por vários dias.

Conforme a sentença, os sanitários oferecidos aos empregados eram na forma de tendas, sendo verificada até mesmo a ausência de chuveiros para realização dos banhos. Soma-se a isso o local disponibilizado para refeições, as quais eram realizadas em cadeirinhas levadas ao campo, sendo que essas não eram, inclusive, suficientes para todos os empregados, que se viam obrigados a alimentar-se “sentados no chão”.

De mesmo modo, as condições de higienização dos dormitórios utilizados por mais de 100 empregados homens eram também inadequadas, destacou a juíza, sujeitando o trabalhador a viver em condições que violavam sua dignidade humana. Conforme comprovado no processo, a limpeza dos locais de repouso era realizada apenas duas vezes por semana.

Dano Moral

Diante das irregularidades verificadas, a magistrada acolheu o pedido de indenização por danos morais realizado pelo trabalhador, condenado a empresa ao pagamento de R$ 40 mil. “Ter, como regra, a submissão a tais situações, seja durante o labor propriamente dito, seja durante os períodos de descanso, por certo viola frontalmente o princípio da dignidade da pessoa humana”, escreveu.

A magistrada salientou também que a disponibilização de locais adequados de alimentação, moradia e higienização pessoal em conformidade com as exigências trazidas pela legislação trabalhista “em nada tendem ao luxo ou ao exagero, pois limitam-se à garantia de condições de trabalho minimamente adequadas à dignidade, saúde e segurança do trabalhador”.

Além da indenização, a empresa foi condenada ainda ao pagamento dos direitos trabalhistas decorrentes da rescisão do contrato, como férias, 13º, multa de 40% sobre o FGTS, entre outros.

Outros pedidos

O trabalhador pedia também a condenação da empresa por ser obrigado a carregar peças com peso médio de 200kg com o auxílio de apenas mais um colega de serviço, contrariando a norma prevista no artigo 198 da CLT. Segundo a magistrada, todavia, a declaração foi contrariada pelo próprio autor da ação em depoimento prestado. Além disso, a empresa comprovou que respeitava a legislação.

Também foi refutado o argumento apresentado pelo ex-empregado de que as condições de transportes dos trabalhadores eram precárias.
Fonte: Âmbiro Jurídico

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Livro aponta as 10 profissões com maior incidência de psicopatas

Será que existe algum psicopata trabalhando neste momento ao seu lado? Um livro lançado nos Estado Unidos tenta jogar luz sobre esse tema e aponta, entre outras coisas, as profissões com maiores índices de psicopatia.

O psicólogo Kevin Dutton, autor do livro "The wisdom of psychopaths: lessons in life from saints, spies and serial killers" (A sabedoria dos psicopatas: lições em vida de santos, espiões e serial killers) afirma que a carreira com mais psicopatas é a de CEO. Advogados e comunicadores sociais completam o pódio. Mas a lista de dez mais tem ainda cirurgiões, policiais até os sacerdotes religiosos.

O livro aponta também a lista das profissões com menos psicopatas. Entre elas estão os agentes de saúde, enfermeiros, terapeutas e artistas em geral.





Veja abaixo as listas:

As profissões com mais psicopatas:

■CEO

■Advogado

■Comunicação Social (profissionais de Rádio e TV)

■Comerciante

■Cirurgião

■Jornalista

■Policial

■Sacerdote religioso

■Chef de Cozinha

■Burocratas

As profissões com menos psicopatas:

■Agente de saúde

■Enfermeiro

■Terapeuta

■Artesão

■Esteticista e Cabeleireiro

■Assistente social

■Professor

■Artista

■Clínico

■Contador

Fonte: www.administradores.com

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Doenças Ocupacionais - Mais exploração, mais doenças mentais

Desânimo, apreensão e angústia. Esses eram os sentimentos que tomavam conta de João* diariamente quando saía de casa para ir ao trabalho. "Cada dia que ia trabalhar era uma tortura, me sentia muito mal quando entrava na empresa", conta o supervisor de uma central de telemarketing em São Paulo. O que, para ele, parecia apenas uma insatisfação com a função exercida e as pressões do trabalho, acabou se intensificando e, ao procurar ajuda médica, foi diagnosticado como depressão.

O caso de João não é isolado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão será a segunda causa da incapacidade para o trabalho até 2020. Atualmente, segundo dados do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), os transtornos mentais e de comportamento ocupam o terceiro lugar em número de benefícios concedidos. "Os transtornos mentais, como as depressões, têm sido uma das principais causas de afastamento do trabalho no Brasil", relata Myrian Matsuo, psicóloga e pesquisadora da Coordenação da Saúde no Trabalho da Fundacentro, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Em 2011, a Previdência Social concedeu mais de 15 mil aposentadorias por invalidez a trabalhadores vítimas de adoecimento mental. Já os auxílios-doença concedidos por causa de quadros depressivos chegaram a 82 mil em todo o país. "Fiquei alguns dias afastado, tomei remédios e fi z sessões de terapia, o que amenizou um pouco os sintomas da depressão", conta João. Segundo ele, um fator determinante para sua melhora foi à mudança nas relações em seu ambiente de trabalho. "Minha chefe não nos via como ser humano e, sim, como número para atingir as metas a qualquer custo. Isso mudou quando ela foi substituída por alguém mais compreensível, mais humano", descreve.

Péssimas condições de trabalho, jornada de trabalho prolongada, pressão por metas e produtividade, falta de tempo para a realização das tarefas laborais, ausência de pausas para descanso, pouca valorização do trabalhador, participação insatisfatória destes nas decisões das empresas e o medo do desemprego são fatores que contribuem para o aumento da incidência de distúrbios psíquicos entre os trabalhadores, segundo Myrian.

Assujeitamento

A psicóloga explica que os transtornos mentais relacionados ao ambiente de trabalho atingem funcionários de todos os níveis de hierarquia de empresas públicas e privadas.

Isto porque, conforme analisa o pesquisador do Centro de Tecnologia e Informação, Renato Archer, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, a atividade profissional ocupa uma posição central na construção da identidade do indivíduo e o fato de as instituições serem importantes espaços de socialização, sobretudo nas grandes cidades. "Hoje passamos mais tempo nas empresas do que em casa. Portanto, a forma como o trabalho está organizado e, principalmente, a qualidade das relações humanas impactam fortemente os estados mentais e emocionais das pessoas", pondera.

Outro aspecto que contribui para o adoecimento mental dos trabalhadores é a ideia de que o indivíduo deve doarse completamente à atividade profissional. "As empresas e boa parte da mídia têm se empenhado para mostrar que cada vez mais há menos interesses conflitantes entre trabalhadores e empresas, o que dificulta o estabelecimento do limite subjetivo do trabalhador", afirma a médica do trabalho e pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno. Essa condição faz com que as contradições existentes no trabalho sejam sentidas pelos trabalhadores como "uma traição" à empresa, gerando neles a culpa por não conseguirem doar mais de si mesmos e, consequentemente, surge o sofrimento psicológico e emocional. "Os `fracassos’ são individualizados e os próprios trabalhadores se culpam por não corresponder às expectativas. A individualização e a culpabilização pela impossibilidade de `dar conta’ [do trabalho] são aspectos altamente adoecedores", descreve a médica do trabalho.

Dessa forma, conforme explica a psicóloga Renata Paparelli, os fatores que levam ao desgaste mental estão relacionados com o grau de assujeitamento ao qual o trabalhador é submetido no processo de trabalho. "Quanto menos controle houver sobre o trabalho, quanto menos possível for adaptá-lo às características de quem o realiza, mais penoso ele será, já que será mais difícil o respeito ao limite subjetivo de cada um", relativiza.

Mudanças

A psicóloga defende a necessidade de se colocar limites à exploração da força de trabalho, para que se impeça a precariedade no ambiente laboral e seja permitido ao trabalhador transformar a atividade profi ssional de modo a respeitar o seu limite pessoal. "Essa possibilidade implica, muitas vezes, em diminuição da produtividade. Daí a importância de estimular políticas que coloquem a saúde dos trabalhadores como fator de competitividade entre as empresas, de modo a transformar os contextos de trabalho adoecedores", defende Renata.

De acordo com Myrian, "o empresariado deve repensar o modelo de gestão nas empresas, que visa apenas a produtividade e o lucro em detrimento da vida dos trabalhadores". Para isto, Silveira afi rma que é preciso que se transcenda a contradição inerente aos modelos econômico e empresarial vigentes que, há séculos, têm levado ao conflito capital-trabalho. "[Deve-se] migrar da visão engessada da `mais valia absoluta’, que enxerga o trabalhador como `mão de obra’, para a situação da `mais valia relativa’, onde a qualidade do trabalho e os conhecimentos do trabalhador são considerados", defende.

Pressões resultam adoecimento físico e mental

A organização do trabalho atual, em nome de uma maior produtividade, exige que os trabalhadores tenham atribuições flexíveis e consigam trabalhar em várias frentes concomitantes, devendo ter individualmente um empenho considerado satisfatório. O desempenho de cada um é medido através do cumprimento de metas impostas pelas empresas, muitas vezes consideradas abusivas pelo esforço e dedicação que requerem dos empregados.

Para especialistas, as dificuldades de se atingir o padrão estabelecido por este tipo de organização laboral contribuem para o adoecimento físico e mental dos trabalhadores. "As metas pressionam na direção de um ritmo acelerado de trabalho, colocando o sujeito sempre no lugar de quem está devendo, de quem pode ser rebaixado", explica a psicóloga Renata Paparelli.

Foi o que aconteceu com Regina* durante os 24 anos em que trabalhou como caixa em um banco. "Além de dar conta do meu serviço, tinha que cumprir as metas de vendas de produtos que eram impostas. Mas eu não era boa vendedora, eu era caixa", conta a bancária, que afirma ter sofrido diversos tipos de pressão em relação ao cumprimento das metas. "Para pressionar, eles colocam sua vaga de emprego em dúvida, fazem reuniões antes do expediente com a desculpa de dar dicas, quando, na verdade, só querem fazer pressão sobre você", relata.

Reorganização

Para Plínio Pavão, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), o problema da organização do trabalho é que ela não é feita a partir da percepção do trabalhador sobre a atividade a ser realizada. "Não se pode pensar a execução do trabalho sem levar em conta a opinião de quem vai executá-lo", defende o sindicalista, para o qual, "os métodos de pressão por cumprimento de metas são absolutamente cruéis e influenciam diretamente a vida pessoal dos trabalhadores".

Além disso, o pesquisador do Centro de Tecnologia e Informação Renato Archer (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, alerta para o fato de que o estado mental e emocional dos trabalhadores impacta diretamente em sua capacidade de aprendizagem e de trabalho em equipe. "Portanto, afeta diretamente a sua capacidade de implantar melhorias e inovações, condições fundamentais para a inserção competitiva das empresas nos dinâmicos mercados atuais", analisa.

Invisibilidade

A concessão de auxílios-doença por causa de transtornos mentais e comportamentais em 2011 foi 20% maior do que em 2010, conforme dados da Previdência Social. No entanto, segundo especialistas, as notificações deste tipo de adoecimento ainda estão aquém do número real de casos. "é bastante difícil estabelecer a relação entre o transtorno mental (efeito) e as condições de trabalho (causa)", analisa Silveira. O pesquisador do CTIMCTI afi rma também que o adoecimento mental de trabalhadores ainda é um assunto tabu dentro das empresas, cercado de preconceitos, medos e desconhecimento. "Ao perguntar se na empresa há problemas de transtornos mentais, a resposta padrão é não. No desenvolvimento da conversa, contudo, fica claro que o problema obviamente existe", relata.

Dessa forma, grande parte dos casos de adoecimento mental não são tidos como acidente de trabalho e a maioria dos empregados acaba se afastando sem essa caracterização. Consequentemente, estes trabalhadores são privados do benefício previdenciário devido.

Mesmo nos casos em que há a notificação ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Pavão relata que os trabalhadores têm o tratamento médico adequado negligenciado. No momento do afastamento, os pacientes já recebem um prognóstico do tratamento, com o tempo para o retorno ao trabalho estabelecido. No entanto, Pavão salienta que quando se trata de problema mental não dá para se fazer um prognóstico. "É uma situação dramática para o trabalhador, que adoece por causa da atividade profissional, tem uma grande difi culdade de caracterizar o caso como doença do trabalho, recebe um benefício de 120 dias no máximo e sabe que depois desse período vai ter que voltar nas mesmas condições", pondera. (MA).

* Os nomes dos trabalhadores foram substituídos para preservar suas identidades.

Sintomas do adoecimento mental por trabalho

Fadiga crônica, tristeza, irritabilidade, falta de motivação, insônia, isolamento, dificuldade de concentração, déficit de atenção, ansiedade e a sensação de que o fim de semana não é suficiente para descansar.

Caso os sintomas sejam verificados, procure ajuda médica. Uma opção são os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, equipamentos públicos especializados em atender pessoas com problemas de saúde relacionados ao trabalho.

As profissões mais estressantes

Bancários; docentes; teleoperadores; condutores de ônibus; profissionais da área da saúde, da extração de minério de ferro, de confecções de roupas íntimas e do comércio em geral.
Fonte: Previdência Social

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aprovada UTI móvel em eventos esportivos

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na manhã desta quarta-feira (31/10), uma alteração no Estatuto da Defesa do Torcedor, para determinar a obrigatoriedade de disponibilização de Unidades de Tratamento Intensivo Móvel (UTIs) em competições esportivas com mais de 10 mil pessoas. A proposta conta no Projeto de Lei do Senado nº 640/2011, de iniciativa do senador Humberto Costa (PT-PE). Para entrar a vigor, a matéria ainda precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados e da sanção presidencial.

Atualmente, a legislação do torcedor já exige que as entidades organizadoras de eventos esportivos garantam a presença de profissionais, médicos e enfermeiros, para atendimentos a emergências, além de uma ambulância para cada grupo dez mil torcedores presentes no local do evento. No entanto, Humberto Costa, ao tomar conhecimento de diversos episódios de morte súbita em jogos por falta de equipamento e pessoal adequado, entendeu que seria necessário garantir um atendimento mais rápido e eficiente. "Com uma UTI móvel e médico intensivista poderíamos ter evitado algumas dessas tragédias. Existem casos de parada cardiorrespiratória, que o equipamento adequado poderia ter ajudado a salvar vidas", afirmou o parlamentar.

A mesma opinião foi partilhada pelo senador Wellington Dias (PT-PI), na elaboração do relatório sobre o projeto - lido pelo senador Eduardo Amorim (PSC-SE). Para Dias, a disponibilização de pelo menos uma UTI móvel nos eventos esportivos "constitui importante proteção para torcedores e atletas e faz com que a proposta do senador Humberto Costa mereça o aplauso dos colegas".

A importância do atendimento médico local em estádios e outras plataformas esportivas se tornou ainda mais premente, após a imprensa começar a pulular notas sobre a eficácia deste tipo de serviço. Este é o caso do Luizão, um torcedor do Botafogo que ficou conhecido, após sofrer um ataque epilético, antes de uma partida entre o Alvinegro e o Grêmio, em julho deste ano, e que se recuperou rapidamente por conta do rápido atendimento da equipe médica do estádio do Engenhão, sede da partida.

Assim como já prevê o Estatuto do Torcedor, Humberto defende que os custos relativos ao atendimento médico emergencial sejam de responsabilidade dos organizadores das competições. "Essas federações são suficientemente poderosas para garantir um atendimento desse tipo", afirmou o senador.
Fonte: PT no Senado

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Empresário brasileiro paga 14º salário a colaboradores que lerem um livro por mês

Em entrevista ao Administradores.com, o empresário Francis Maris Cruz, presidente do Grupo Cometa, conta os detalhes de sua gestão diferenciada voltada à educação - que conta ainda com MBA dentro da própria empresa e até biblioteca em cada uma de suas lojas.

Por: Fábio Bandeira de Mello
 
Ele começou aos 12 anos vendendo coxinha de porta em porta. Hoje, Francis Maris Cruz é o presidente de uma das maiores redes de revendas de automóveis e motos do país. O Grupo Cometa, só em 2011, alcançou a venda de mais de 40 mil motocicletas.

No entanto, o que realmente chama atenção no executivo não é a sua ascensão na carreira, mas sim, os diferentes ingredientes que trouxe para a administração da empresa e ajudaram a se consolidar no mercado. Todos os 1.200 funcionários, por exemplo, que leem um livro por mês – e entregam uma resenha – recebem o 14° salário no fim do ano.

Além disso, implementou um projeto audacioso chamado de Universidade Cometa. Nele, oferece um MBA em Gestão de Concessionárias aos seus funcionários. Há também bibliotecas em todas as lojas do Grupo e diversos projetos sociais que vão desde o plantio de árvores frutíferas na casa das famílias carentes, alfabetização de adultos a sessões de filmes para crianças moradoras de cidades em que o cinema mais próximo ultrapassa mil quilômetros.

"A ideia não é dar o peixe, mas sim, ensinar a pescar. Esse é o nosso lema", ressalta Francis, que também foi eleito o próximo prefeito da cidade de Cáceres (MT). O Administradores.com conversou com o executivo para entender melhor todo esse modelo de gestão diferenciado do Grupo Cometa. Leia, abaixo, a entrevista.

Sua história começou aos 12 anos vendendo coxinha. Como foi essa trajetória até chegar ao presidente do Grupo Cometa?

Meu pai era motorista de caminhão, mas chegou uma época em que o dono do caminhão vendeu o transporte e ele ficou desempregado. Então, minha mãe começou a fazer coxinhas e salgadinhos para meus irmãos e eu vendermos na rua. Nessa época, começou nosso trabalho como vendedor de porta em porta. Com isso, as coisas foram melhorando e a família acabou comprando um bar.

Em 1970 mudamos para outra cidade. Quando chegamos lá, o carro quebrou e faltavam peças. Acabou surgindo a ideia de abrir uma autopeças. Então, sem experiência nenhuma, a família embarcou com a cara, a coragem e a loucura. No início não vendia nada, foi difícil e acabamos vendendo roupas nessa época também para ir sobrevivendo.

Até que a autopeças foi melhorando e 1984 conseguimos ter 10 lojas nesse setor. Na época, a gente tinha um consórcio para um fusca e eu acabei trocando ele por uma moto. Minha mãe tinha achando um absurdo. "Como você troca um carro 0 km por uma moto? Você que é visto como um cara que saber fazer negócios". Isso de alguma forma despertou o meu interesse e acabei mandando uma correspondência para a Honda, para abrirmos uma concessionária aqui na cidade. No primeiro momento não deu certo, só depois de muito tempo conseguimos abrir a primeira loja. O negócio foi dando certo, fomos crescendo e consolidando o negócio na região. Hoje, temos 11 revendas Honda, três Volkswagen e duas revendas Hyundai, além de propriedades rurais.

Você tem uma iniciativa com livros bastante peculiar com seus funcionários, que envolve um 14º salário. Você pode nos explicar como funciona e como surgiu essa ideia?

Toda vez que você tem uma deficiência, você procura suprir de uma maneira. Em nosso caso, tínhamos uma deficiência em achar pessoas com nível superior, pessoas já formadas. Diante disso, precisávamos capacitar nossos funcionários. Então, além deles participarem de todos os cursos, treinamentos, congressos, nós fizemos esse projeto dos livros. Instituímos que todo o colaborador deveria ler um livro por mês e entregar um resumo.

Então, a loja atingindo as metas, o funcionário recebe o 14º salário e até o 15º salário. O detalhe é que para o funcionário receber, ele tem que ter ler os 12 livros e entregar os resumos. Isso é uma maneira de incentivá-los para que leiam e estejam sempre se atualizando. É uma formação pessoal e profissional muito boa que tem dado ótimos resultados. Isso ajudou os nossos colaboradores a crescerem muito. Só para você ter uma ideia, 99% dos nossos gerentes começaram de baixo, são prata da casa, e foram desenvolvendo suas habilidades.

É uma iniciativa direcionada para todos os funcionários?

Sim. Para todos. Cada loja tem uma biblioteca de 200 a 300 livros disponíveis para uso comum, o que torna uma oportunidade intelectual para o crescimento de cada um.

Qual é a média de adesão dos funcionários com essa iniciativa?

A média de leitura é muito alta, aproximadamente 95% dos funcionários. Enfim, temos uma confraternização, onde celebramos os aniversariantes do mês. E nesses momentos, fazemos o sorteio de 10 colaboradores para comentarem sobre o seu livro e dizer o que acharam. Inclusive, há muitos colaboradores que, mesmo não sendo sorteados, pedem para falar sobre o livro que leram.

Outra ação que chamou bastante atenção foi a Universidade Cometa. Vocês fizeram um MBA em Gestão para seus funcionários?

A cada trimestre eles têm uma matéria e aí os funcionários vão recebendo um suporte daquilo que vem no dia a dia do trabalho. É um MBA de formação de administradores de concessionárias. Eu fui dar uma palestra recente em Curitiba e todo mundo reclamando que não encontra funcionário capacitado no mercado e que não acha para contratar. E me perguntaram como fazemos isso já que estamos sempre abrindo novas lojas em expansão. E a resposta é: nós formamos. Nós investimos pesado na formação deles, e é o que nos tem dado tranquilidade, pois às vezes o funcionário recebe propostas até maiores do que pagamos, mas ele prefere permanecer.

Fora isso, há também projetos socioambientais como o incentivo a plantar árvores e cinema. Você pode nos contar mais detalhes sobre esses projetos que fazem?

Temos o projeto Cometa Educação, aonde o professor vai à casa do aluno e dá aula. É uma parceria com a UNEC e os alunos de Pedagogia. Tem o Cometa Fortificar, que é um projeto ecológico de plantio de árvores, onde plantamos árvores frutíferas na casa das famílias carentes.

Tem ainda o Cine Cometa, onde levamos os alunos de escolas municipais e estaduais para assistir filmes em nossos auditórios. Depois da sessão, eles fazer um trabalho em grupo sobre as mensagens principais do filme para que ampliem sua percepção. É servido até pipoca, refrigerante, enfim, para que aconteça o aspecto lúdico do cinema.

Temos o Cometa Solidariedade que é de doação de motocicletas para entidades. Enfim, temos vários projetos, como a Inclusão Digital, o Cometa Redação que, de alguma maneira, vem colaborando para o crescimento da comunidade. A ideia não é dar o peixe, mas sim, ensinar a pescar. Esse é o nosso lema.

Notamos que existe uma preocupação muito grande com os colaboradores. Poderíamos dizer que essa é o segredo de sucesso de grandes empresas, pelo menos o seu? Dar uma grande atenção aos funcionários...

Sem sombra de dúvida. Você não consegue desenvolver um sonho sozinho. É preciso que você tenha pessoas, que estejam ao seu lado e que acreditem. Aquelas que estejam dispostas a lutar junto com você. É isso o que faz o sucesso do Projeto Cometa. O tripé colaboradores, ética e clientes bem atendidos está permitindo abrirmos novas lojas e crescermos.

Você conhece bem como administrar uma empresa privada e acabou de ser eleito prefeito na cidade de Cáceres. O que você acredita que dá para extrair da administração privada para aplicar na administração publica?

Eu pretendo levar esse sistema de gestão e valorização que nós temos para administração pública. A ideia é que eles se motivem e trabalhem com afinco, para que também sejam reconhecidos pela sociedade como bons prestadores de serviço. É acabar com aquela imagem que todo funcionário público que é vagabundo e não trabalha. Nós precisamos mudar essa imagem. É isso que vou propor na prefeitura: que os servidores trabalhem com empenho no atendimento da população para que tenhamos um resultado satisfatório e consigamos fazer uma boa administração.
Fonte: www.administradores.com

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Água pode ser um problema para 55% dos municípios do país

Mais da metade dos municípios brasileiros pode ter problemas com o abastecimento de água ou dificuldade para receber água de boa qualidade nos próximos anos. A afirmação é do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, que participou nesta quarta-feira do EXAME Fórum de Sustentabilidade 2012.

Responsável pela agência que regula o uso dos recursos hídricos brasileiros, Andreu afirma que a discussão hoje deve se concentrar na qualidade da água a que os brasileiros têm acesso.

“Inclusive no semiárido brasileiro, a gente imagina que (o problema) é a quantidade, mas o grande problema é a qualidade dos açudes, que apresentam grande nível de comprometimento”, disse o presidente da ANA.

Mas as dificuldades futuras não estão apenas no semiárido.

Embora o Brasil seja reconhecido com um dos países mais beneficiados em recursos hídricos, a distribuição é extremamente desigual em todo o território.

Na região Amazônica, que não concentra nem um décimo da população brasileira, está 70% da água doce do país. Para piorar, a água brasileira é de boa qualidade – 81% é classificada como boa ou ótima – mas os mananciais de avaliação ruim ou péssima estão concentrados na populosa faixa litorânea do sul e sudeste, informou o presidente da ANA.
Fonte: Exame.com

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Empregada do supermercado Extra receberá despesas com lavagem do uniforme.

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Companhia Brasileira de Distribuição (Supermercados Extra) ao ressarcimento das despesas feitas por uma empregada com a lavagem de seus uniformes. A decisão reformou entendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (MS) que havia julgado improcedente o pedido.

A empregada afirmou que era responsável pela limpeza dos corredores, piso e exterior de toda a loja, além do estacionamento do Extra e, que, durante o trabalho, era obrigada a usar uniforme, o qual deveria ser mantido em perfeitas condições de higiene.

A empresa determinava que ela levasse os uniformes para casa e os lavasse, tarefa na qual dispendia diariamente cerca de uma hora, o que a privava do convívio familiar, além de aumentar o gasto com a compra de materiais de limpeza utilizados na higienização das roupas.

O pedido formulado pela servente foi o de R$100 mensais para repor os gastos com sabão e amaciante, além de dano moral estipulado em R$5mil porque ficava ocupada com a lavagem da roupa, sem poder desfrutar de momentos íntimos com seus entes familiares.

Ao analisar o pleito, tanto o juiz da 1ª Vara do Trabalho de Campo Grande (MS), quanto os desembargadores sul mato-grossenses decidiram pela improcedência do pedido.

Para o juiz de primeira instância, como a autora afirmou que as despesas mensais da família com compras somavam R$400, "o suposto valor utilizado para asseio e manutenção de uniforme é fantasioso e contrário à realidade".

Contudo, no recurso analisado nesta Corte Superior, o relator dos autos, ministro Vieira de Mello Filho, aplicou a jurisprudência da Casa, que tem entendido que, nos casos em que haja obrigatoriedade do uso de uniforme fornecido pela empresa, as despesas decorrentes da higienização com a vestimenta são ônus do empregador.

Com a decisão unânime da Quarta Turma, a servente receberá indenização no valor de R$ 100 por mês, durante todo o período contratual.
Fonte: Tribunal Superior do Trabalho

terça-feira, 6 de novembro de 2012

América Latina deve intensificar medidas contra desastres

O custo estimado dos impactos de desastres naturais na América Latina e Caribe é superior a dois bilhões de dólares por ano, afirmou em artigo o especialista em gestão de desastres naturais do Banco Mundial, Joaquin Toro. Para ele, a América Latina está localizada em uma das áreas mais propensas a desastres naturais, e não tomou medidas suficientes de prevenção. Nove dos 20 países mais expostos ao impacto econômico de um desastre estão localizados na região.

Entretanto, isso não significa que nenhum progresso tenha sido feito, escreveu Toro. A redução do risco de desastres está cada vez mais presente na agenda dos governos na América Latina.

Toro chamou atenção para um dos eventos mais importantes do mundo sobre a avaliação de risco: Compreensão de Risco Brasil (URBR), uma espécie de maratona de ideias para compartilhar experiências e inovações na área de avaliação de risco. Ocorrendo de 12 a 14 de novembro em Belo Horizonte, será a primeira versão do evento a ser realizada no Brasil.

Toro também dá exemplos de ações que deram certo em outras partes do mundo e chama os governos a atuar mais efetivamente para obtenção de resultados positivos.

Entre as iniciativas citadas, estão: o CAPRA (avaliação probabilística do risco), que há dois anos era apenas um protótipo e já é usado em vários países da América Latina e no sul da Ásia; Iniciativa Arquivos Abertos, que começou timidamente após o terremoto no Haiti e agora permite ver vários projetos na África, com a ferramenta Open Street Map; o Modelo Global de Terremoto (GEM por sua sigla em Inglês); e, finalmente, avanços na aplicação de estratégias financeiras, baseados no conhecimento do risco de vários países.
Foto: ONU BR

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Siderúrgica multada por poluição no Rio

Rio multa siderúrgica em R$ 10,5 milhões por poluição.

A Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro anunciou nesta quinta-feira (1º) que aplicou multa de R$ 10,5 milhões à CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico) por mais uma ocorrência de chuva de prata, em Santa Cruz, zona oeste da capital, na última segunda-feira (29). A chuva de prata é formada por partículas liberadas na produção de ferro.

É a terceira vez que a empresa é autuada pelo mesmo crime ambiental. “A minha paciência com a CSA acabou”, disse o secretário Carlos Minc ao anunciar dados da fiscalização e o valor da autuação. “Não é a primeira vez que eles fazem esta lambança. Acenderam o segundo cartão amarelo. O próximo é suspensão”, completou o secretário, sinalizando que “pode embargar a companhia”.

Análises feitas pela secretaria comprovaram que, por falta de umidificação, ventos associados ao tempo seco espalharam pelos ares resíduos de escória – subprotudo da produção de ferro usado em pavimentação. Isso provocou a chamada nuvem de prata, que atingiu as localidades de Alvorada e São Fernando, onde vivem cerca de 4.000 pessoas.

Os resíduos provocam o agravamento de problemas respiratórios, dermatológicos e alérgicos, explicou a presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Marilene Ramos. “É um pó fino que se deposita, entra na casa das pessoas, traz sujeira e as pessoas relatam problemas de pele e de respiração. É grave,”

Procurados, representantes da companhia não responderam às ligações da reportagem. Mas, em nota divulgada nesta quarta-feira (31), após vistoria dos técnicos do Inea, a CSA explicou que, com o tempo seco e as rajadas de vento do dia, o sistema que deixa o grafite úmido “não foi suficiente para impedir a suspensão das partículas”.

A CSA foi multada em R$ 4,6 milhões por poluir o entorno da siderúrgica com pó de prata por três vezes, por várias causas. A primeira multa foi aplicada em agosto de 2010 e a segunda, em janeiro de 2011. A companhia também foi obrigada a pagar um compensação de R$ 14 milhões. De acordo com Minc, o dinheiro de compensações é investido na construção de postos de saúde, controle de inundação e compensação de pescadores do entorno.

Em abril de 2012, a companhia assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com a pasta estadual e o Inea comprometendo-se a modernizar o processo de produção para evitar novos danos ao meio ambiente na região.
Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Aumenta o número de comitês de RH nas empresas.

Por: Carolina Cortês

Em meio à acirrada disputa por talentos no mercado de trabalho, manter um profissional engajado e constantemente motivado tem sido uma tarefa cada vez mais difícil. Para garantir a fidelidade de funcionários estratégicos - e a distância dos concorrentes - cada vez mais empresas estão investindo na criação de um órgão especializado no desenvolvimento de políticas de retenção, o comitê de gestão de pessoas.

Ligado diretamente ao conselho de administração, o órgão atua para alinhar as estratégias de negócios de longo prazo à gestão dos seus funcionários mais indispensáveis na concretização desse plano. Os nomes para o órgão variam entre comitê de remuneração, de seleção, de RH ou de pessoas. O objetivo, contudo, é um só: facilitar o desenvolvimento de políticas de engajamento e motivação de talentos para elevar a competitividade da companhia.

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o número de comitês de pessoas cresceu 70% nos últimos dois anos. Atualmente, 87 organizações possuem essa estrutura, em um universo de mais de 400 empresas de capital aberto.

A iniciativa ainda é incipiente, mas tem ganhado relevância dentro das corporações. De acordo com Josmar Bignotto, coordenador do comitê de RH do IBGC e professor do curso de formação de conselheiros do instituto, o papel do grupo é tornar a comunicação entre o departamento de RH e o conselho administrativo mais assertiva. "As empresas sabem que não é apenas remuneração que garante engajamento. Nesse sentido, é fundamental qualificar as discussões em torno da gestão de talentos, levando ao conselho ideias e informações extraídas de todos os níveis hierárquicos da corporação", afirma.

A demanda parte tanto do departamento de RH quanto do conselho de administração, cabendo ao comitê a função de apurar cada problema, investigar suas causas e levantar possíveis soluções. A deliberação das ações, entretanto, ainda é função exclusiva do conselho. "As políticas de desenvolvimento de pessoas e retenção de talentos ficam mais sólidas com a intervenção do comitê", afirma Bignotto.

Segundo ele, não é apenas em quantidade que esses grupos estão crescendo no mundo corporativo, mas também em importância. Hoje, o foco transcende temas como sucessão de liderança e remuneração de conselheiros e do alto escalão, a tradicional missão do órgão até dois anos atrás. "O nível de competitividade das empresas subiu muito por conta da recessão global e expandiu a estratégia de gestão de talentos. Hoje esse tema precisa envolver toda a companhia, e não apenas os principais executivos", explica.

A frequência das reuniões do comitê também foi reforçada nos últimos anos, passando em média de um encontro por ano para uma reunião no mínimo a cada três meses. "Dessa forma, qualquer disfunção como elevação do ′turnover′ ou queda no desempenho dos profissionais pode ser avaliada rapidamente e uma estratégia será desenvolvida a tempo", diz.

Na Renova Energia, as reuniões ocorrem a cada dois meses - ou menos. "Recorro ao comitê para tomar decisões com muita frequência. Marquei uma reunião de emergência recentemente, por exemplo, para bater o martelo na contratação de um novo diretor da companhia. Entrevistei três candidatos e quero a opinião do grupo para definir o nome que levarei ao conselho", afirma o diretor-presidente da empresa, Mathias Becker.

Segundo o executivo, o objetivo de criar o comitê de RH, nascido em janeiro deste ano, foi o de elevar a discussão da gestão de pessoas ao mesmo nível dos assuntos de cunho financeiro debatidos no conselho de administração. "Queremos aproximar nossos acionistas da estratégia de gestão do capital humano da corporação, pois ela é imprescindível para que os resultados desejados sejam atingidos", complementa Becker.

O comitê de RH da Renova é responsável por atividades que vão do desenvolvimento de sistemas de avaliação de desempenho à análise constante da movimentação de funcionários nos quadros da companhia. O acompanhamento não foca apenas os cargos de gestão, mas também os de nível operacional. "Com o comitê, não é apenas o departamento de RH o encarregado pelas políticas de retenção, engajamento ou remuneração. As discussões ficam mais robustas, pois contam com o apoio de consultores especializados", afirma.

Na Renova, o comitê de RH é composto por quatro conselheiros, entre eles, Ana Silvia Matte, diretora de recursos humanos da Light, que tem cerca de 40 anos de experiência no setor. Até o final de outubro, o órgão ganhará mais um membro, desta vez, um conselheiro independente. "A empresa, que nasceu em 2001 com 20 funcionários, hoje possui 200 colaboradores diretos. O comitê, portanto, tem contribuído muito para a profissionalização das práticas de RH nessa nova fase de crescimento da companhia", diz o executivo.

A contribuição na condução de programas de remuneração e desenvolvimento de pessoas também tem sido relevante para empresas com mais tempo de mercado. A MRV Engenharia, nascida há 33 anos, implantou um comitê de RH em 2007, quando abriu capital no Novo Mercado da BM&F Bovespa. "O grupo recolhe as demandas do conselho administrativo e dos departamentos internos da empresa para contribuir com o desenvolvimento de políticas que alinhem as metas de longo prazo às estratégias de desenvolvimento e retenção de talentos", explica Ricardo Paixão, diretor do centro de serviços compartilhados da MRV, área responsável pelo desenvolvimento organizacional.

Segundo o executivo, por ter uma ligação direta com o RH e com o conselho, o comitê consegue analisar e discutir os problemas da área com mais propriedade, levando aos representantes dos acionistas questões mais pertinentes com a realidade e os interesses da corporação. "Não precisa ser um gestor para ter voz na companhia. O comitê é acessível a todos, de analistas a diretores", complementa Paixão.

Na Ecorodovias, o comitê de gestão de pessoas, criado em 2006, foi imprescindível para a tomada de decisão em diversas políticas de seleção e retenção de talentos, entre elas, o aprimoramento do programa de trainee, do plano de carreira e também de sucessão. "Ele trouxe mais segurança na hora de definir essas estratégias. Os resultados são visíveis e muito positivos", diz Amir Hage, assessor de desenvolvimento organizacional da companhia.

O comitê possui três conselheiros, dos quais um independente. "O ideal é ter um equilíbrio para evitar possíveis conflitos de interesse. Nesse sentido, cada vez mais empresas estão percebendo a relevância estratégia dos comitês e procurando o aperfeiçoamento dos órgãos já criados", diz Bignotto, do IBGC.
Fonte: Valor Econômico