sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Quer mudar? Esqueça a força de vontade

Emagrecer, ganhar mais, ser mais produtivo, poupar e investir. O que todas essas coisas têm em comum? Segundo Fábio Zugman, autor de “Administração para Profissionais Liberais” e “Empreendedores Esquecidos”, esses são alguns dos desejos de melhorias mais comuns que as pessoas têm para suas vidas e carreiras.

Dicas para alcançar objetivos não faltam: Economize no cafezinho, corte gorduras, e assim por aí vai Diante de tantos conselhos Fábio Zugman oferece algo inusitado que não estamos acostumados a ouvir: "Não conte com sua força de vontade.

Segundo o autor, estamos acostumados a ver a mudança como desafio. Se você quer entrar em forma, é pertinente matricular-se em uma academia e sacrificar momentos de lazer ou trabalho enquanto atinge sua meta. Caso queira economizar mais dinheiro, deve abrir mão dos prazeres do consumo.

Segundo Zugman, todos nós temos sistemas, hábitos e movimentos que incorporamos ao nosso dia-a-dia. O segredo para uma mudança, então, não é desafiar esses hábitos com a força de vontade, mas sim criar mecanismos para que os velhos sistemas sejam substituídos, tornando a mudança esperada algo natural.

“Vamos dar o exemplo de uma dieta”, diz o autor. “Se você tem o hábito de almoçar no mesmo restaurante e comer uma sobremesa, pode ser uma tortura continuar frequentando o mesmo local e evitar todo dia aquele bolo que você adora. Uma solução, pode ser evitar o restaurante por completo. Dessa forma você cria um novo hábito em seu almoço”.

“Se você toma muito café durante o trabalho ou se pega checando alguma rede social repetidamente, é de se examinar se está fazendo isso porque precisa ou se na verdade está simplesmente entediado. Nesse caso, a mudança pode ser conquistada levantando e dando uma volta”.

Perceba que quando você estabelece um comportamento novo, está substituindo por completo a velha ação, e não precisa lutar com os velhos hábitos a toda hora. Zugman conta que depender da força de vontade é cansativo, o que explica as recaídas que aparecem em todo o processo de mudança, incluindo reações exageradas. “É o caso de quem passa a semana evitando aquele bolo, mas perde o controle por completo no fim de semana.”

Não só isso, ensina ele. "Depender da força de vontade cansa. Deixar um pacote de biscoitos na gaveta e passar o dia resistindo a ele pode fazer com que seu nível de estresse aumente e a qualidade de suas decisões caia ao longo do dia. Evitando tomar decisões sobre esse tipo de coisa, ironicamente você está aumentando o desempenho em seu trabalho".

Por último, sugere o autor, é preciso tomar cuidado quando se está cansado. Várias tentativas de mudança falham quando, por um motivo ou outro, estamos desgastados. A capacidade de tomar decisões do ser humano é limitada.

“Por isso é importante criar padrões. Muitas decisões desastrosas ocorrem justamente quando a rotina do dia-a-dia está abalada. Discussões, má decisões financeiras, brigas e até traições conjugais ocorrem mais facilmente quando estamos estressados e cansados".

"Gostamos de achar que nossa força de vontade nos fará vencer, mas geralmente nessas ocasiões isso nos deixará em uma situação pior do que quando começamos. Nesse caso a melhor coisa a fazer é dar um tempo, descansar e procurar uma nova rotina para resolver os problemas, sem contar ou depender da famosa força de vontade”, diz Zugman.

Zugman é paulistano e tem 32 anos. Professor universitário, é doutorando em Administração pela FEA-USP e mestre em Administração pela UFPR. É autor dos livros Empreendedores esquecidos (Elsevier, 2011); Administração para profissionais liberais (Elsevier, 2005); Governo eletrônico: saiba tudo sobre essa revolução (Livro pronto, 2006); O mito da criatividade (Elsevier, 2008); e coautor de Dicionário de termos de estratégia empresarial (Atlas, 2009); Criatividade sem segredos (Atlas, 2010). (Por Iara Filardi - contato@iarafilardi.com - São Paulo)
Fonte: Canal Executivo UOL

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