quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Satisfação em salvar vidas compensa estresse da profissão

A mestre em enfermagem Francimar Nipo Bezerra afirma que o trabalho no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é um trabalho realizado por amor. A afirmação veio da conclusão de sua dissertação, "Estresse ocupacional nos enfermeiros que atuam no serviço de atendimento móvel de urgência à luz da teoria de Betty Neuman", na qual entrevista 21 enfermeiros, 17 mulheres e quatro homens, a fim de compreender quais as percepções dos profissionais sobre o estresse ocupacional.

Realizada no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com orientação da professora Vânia Pinheiro Ramos e coorientação da professora Telma Marques da Silva, a pesquisa mostra que, para os enfermeiros plantonistas do Samu, a realização e contentamento em salvar vidas compensa o estresse, a baixa remuneração e as más condições de trabalho e equipamento enfrentados todos os dias no trabalho.

Para analisar as falas dos enfermeiros, a pesquisadora utiliza a Teoria da Enfermagem desenvolvida pela enfermeira Betty Neuman, em 1970, que defende o ser humano como um organismo que recebe influências do meio e por isso está sujeito a estressores, que são estímulos entendidos pelo corpo como ameaça e que provocam o estresse. "Após analisar as entrevistas, foram percebidas três categorias recorrentes de acordo com o que foi dito por eles: as características exclusivas do Samu, o estresse ocupacional e a satisfação em atuar salvando vidas", conta Francimar Bezerra.

De acordo com a pesquisa, o estresse ocupacional seria uma reação ao desequilíbrio entre um esforço grande (o trabalho) e uma recompensa pequena (baixo salário, pouca segurança e chance de progresso na carreira, entre outros). Para Francimar, a satisfação dos enfermeiros não é novidade. "Fiz residência no Samu, então entendo como funciona. Quem trabalha no Samu é por amor mesmo", diz a pesquisadora.

O órgão inglês Health Education Authority classificou a enfermagem como a quarta profissão mais estressante no setor público. O Samu tem peculiaridades que podem, muitas vezes, elevar o estresse dos enfermeiros. Por se tratar de um sistema que oferece atendimento em caso de urgência e emergência, e que se dedica a prevenir mortes prematuras antes do contato com a equipe médica hospitalar, a responsabilidade é grande. "O cenário do Samu é muito diverso, os profissionais nunca sabem com o que vão lidar. Sempre o tempo é curto, há muito trânsito, espaço pequeno no transporte e risco eminente de morte", diz Francimar Bezerra.

Ainda segundo a Teoria da Enfermagem de Betty Neuman, quando o ambiente de trabalho exigir mais energia do que o corpo dispõe, a estabilidade desse corpo será enfraquecida e o organismo passará por estresse. Entre as estratégias para lidar com o estresse no trabalho, a pesquisadora sugere algumas medidas, como a arteterapia, a escrita de um diário, a melhoria da comunicação com os colegas de equipe, o planejamento e gerenciamento do salário ou a adoção de uma postura mais firme no trabalho. O importante é que o profissional goste do que faz e se sinta realizado. "A realização no trabalho é um importante fator de proteção ao estresse", conta a mestre em enfermagem.
Fonte: UFPE - Universidade Federal de Pernambuco

Um comentário:

antonio josé disse...

gostei das medidas sugeridas pra compensar o stress.