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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Bancos dizem ignorar adoecimento de trabalhadores

Os bancos recusaram as principais reivindicações sobre saúde e condições de trabalho apresentadas pelos bancários no dia 5 de setembro em rodada de negociação. As instituições negam que as metas propostas aos funcionários sejam causadoras do adoecimento e que o setor apresente números significativos do problema. Frases como "humilhação tem a ver com a postura de alguém, não da empresa" foram recebidas com indignação pelo Comando Nacional da categoria.

O Comando Nacional dos Bancários apresentou aos representantes do setor patronal as condições precárias de trabalho a que os trabalhadores do setor financeiro vêm sendo submetidos e também problemas consequentes do assédio moral e da cobrança abusiva pelo cumprimento de metas de produtividade e vendas. O relatório foi baseado em levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre janeiro e junho de 2009, cerca de 6,8 mil bancários do país foram afastados por doenças, dos quais pouco mais de 2 mil por Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) e 1,6 mil por transtornos mentais. Pesquisa da Universidade de Brasília revelou que houve 181 suicídios de bancários entre 1996 e 2005 - média de 18 ocorrências por ano.

Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, o Comando sugeriu que fosse realizada uma pesquisa conjunta sobre estes dados, diante da intransigência da Federação dos Bancos (Fenaban). "Conhecemos a realidade dos bancários e, seja qual for o método utilizado para apurar, a situação que se apresenta é grave, e é isso que queremos resolver. A Fenaban, no entanto, não trata o assunto com a devida seriedade", condenou.

Para Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a postura dos bancos foi de "absoluto desdém" em relação à saúde dos trabalhadores e às condições de trabalho. "Eles estão sendo irresponsáveis com o sofrimento dos bancários dentro dos locais de trabalho", criticou.

A respeito da questão do assédio moral, ambas as partes concordaram em retomar imediatamente a comissão de acompanhamento da cláusula de prevenção de assédio, para a conclusão do balanço dos primeiros seis meses de vigência do programa. No dia 6 de setembro, os representantes se reuniram novamente para discutir sobre segurança bancária. A rodada de negociação sobre a remuneração foi marcada para o dia 12.

As negociações seguiram no dia 6, com debates sobre segurança. Os bancários exigem instalação de mais equipamentos de prevenção contra assaltos e sequestros, melhoria da assistência médica e psicológica às vítimas da violência e insegurança nos bancos, bem como a proibição do porte das chaves de cofres e do transporte de valores por bancários. As cláusulas econômicas - reajuste salarial, PLR e demais - serão o tema das conversas entre as partes no dia 12.
Foto: Acervo do AHSBPOA

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