sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Quer mudar? Desequilibre-se!

Tenho a convicção, e já a expressei diversas vezes em meus textos, que mudanças estão sempre ocorrendo, seja no nosso corpo, no ambiente do lar, do trabalho, etc.

Contudo, muito do não mudar está diretamente relacionado aos nossos modelos mentais.

Fredy Kofman afirma que nossos modelos mentais possuem um mecanismo interno de autopreservação. Da mesma forma que o corpo possuem sistemas que conservam a temperatura corpórea ou o pH (equilíbrio entre acidez e alcalinidade), nossa mente possui dispositivos que mantem nossas crenças, opiniões e condutas.

É este “sistema imunológico” o responsável para que as mudanças não ocorram. E isto é feito como uma tentativa de conservar, por todos os meios, este equilíbrio. Como se fosse um termostato que liga a calefação ou o ar condicionado, de forma automática, quando a temperatura ambiental se desequilibra, o ser humano também age de forma automática (ou inconsciente) para manter certas constantes em sua vida.

Talvez por isso existam pessoas que se estressam apenas ao ouvir um “você precisa mudar”. Consciente ou inconscientemente, sua mente gera “forças antagônicas” (mudar/não mudar) que tendem a manter a coisa em equilíbrio.

Robert Kegan & Lisa L. Lahey, em seu livro How the way we talk can change the way we work. Seven languages for transformations Afirmam: “se quisermos entender o desenvolvimento da mudança, devemos prestar mais atenção às nossas poderosas inclinações para NÃO mudar. Essa atenção nos ajuda a descobrir dentro de nós mesmos a força e a baleza de um sistema imunológico oculto, o processo dinâmico por meio do qual tendemos a impedir a mudança, por meio do qual fabricamos continuamente os antígenos da mudança. Se conseguirmos destravar este sistema, liberaremos novas energias para apoiar as novas formas de ver e de ser.”

Estamos no mês de fevereiro de 2013. Tenho dois netos que, no período de dois meses, completam um ano de idade. Nesta altura da vida deles, estão descobrindo como se manter em pé e dar os primeiros passos, até então se apoiando em cadeiras, mesas, paredes, etc.

Eles irão, como nós, aprender a andar sem apoios, apenas mantendo o equilíbrio. Irão mudar, embora de forma inconsciente, a sair do engatinhar para o andar.

Mas nós, agora adultos, podemos conscientemente entender que o andar exige uma mudança do sentido de equilíbrio.

Faça a seguinte experiência: abra ligeiramente as pernas e distribua seu peso sobre os dois pés de forma equitativa. O que acontece? Você percebe que é impossível dar um passo à frente, atrás ou para os lados.

Se você quiser se movimentar e avançar em qualquer direção você precisa se “desequilibrar”, isto é, sair daquela, posição estável, colocar todo o seu peso sobre um de seus pés para “destravar” o outro pé, ou seja, tirá-lo do chão para que o movimento se inicie. A Física chama isso de sair da inércia e colocar-se em movimento.

Em resumo: para que eu me movimente, necessito abandonar o equilíbrio, sair daquela “zona de segurança” que me mantem “travado”.

Para mim, o exemplo acima reflete bem a ideia do porquê qualquer mudança é difícil na vida das pessoas.

Talvez isto faça com que entendamos que não basta apenas ter vontade de mudar. Talvez seja muito mais importante procurarmos, primeiro, as razões pelas quais não mudamos e, a partir daí, busquemos o “botão” do desequilíbrio que nos fará mudar.

Como tenho por hábito caminhar, procuro aplicar sempre este tipo exemplo quando necessito mudar algo, seja em mim ou nas minhas atividades.

Não queira negar o fato que as mudanças estão ocorrendo continuamente e que elas fazem parte constante do nosso viver. Aliás, Darwin, o famoso naturalista britânico, afirmava: “não é a espécie mais forte que sobrevive, nem a mais inteligente, mas aquela que melhor corresponde às mudanças.”

O mundo muda com tanta rapidez que o mundo em que nascemos não é o mundo em que vivemos e não será o mesmo quando morrermos.
Fonte: Fava Consulting

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