quinta-feira, 10 de março de 2011

‘Cochilo’ melhora a capacidade produtiva.

Você acorda superdisposto. É mais um dia de trabalho começando. Cumpre várias tarefas na empresa até que chega a tão esperada hora do almoço.Depois de fazer uma bela refeição vem aquele cansaço. Parece que toda a disposição do início do dia simplesmente acabou, dando lugar à sensação de sono.

Quem já não passou por essa situação várias vezes? Se você acha que isso é pura preguiça ou resultado de uma noite mal dormida está enganado.

De acordo com o médico do trabalho Juvanyr de Melo Feitosa, existe uma explicação científica para esta reação do corpo humano.

Feitosa esclarece que, quando comemos, o organismo precisa processar a digestão e neste processo ocorre uma concentração maior de sangue no aparelho digestivo. Durante a digestão, o corpo produz substância s que induzem o sono e por isso acontece uma diminuição da disposição.

Uma pesquisa realizada pela Nasa, a agência espacial norte-americana, revelou que 40 minutos de sono depois de uma refeição, no meio de uma jornada de trabalho, aumentam em 34% a capacidade produtiva.

Entretanto, o estudo também observa que esse tempo de sono não pode ser superior a uma hora para não perturbar o sono noturno e deve ocorrer preferencialmente entre às 13 e 17 horas.

O que é ideal, de acordo com a pesquisa, infelizmente é privilégio de poucos. Nem todos os trabalhadores podem tirar esse tempo para descansar, devido à própria política da empresa e à função que desempenham.

Porém, algumas organizações corporativas brasileiras estimulam a sesta depois do almoço. É o caso da Viapar - Rodovias Integradas do Paraná , em Maringá, que criou salas de descanso para os funcionários.

O médico do trabalho Juvanyr Melo Feitosa, que atende a empresa, explica que, quando a Viapar pensou em criar a sala de descanso, o objetivo era apenas promover o bem-estar dos colaboradores. "Ainda não fizemos nenhum trabalho de estatística para medir o aproveitamento dos trabalhadores, mas percebemos que eles desfrutam bastante desse benefício".

Raphaela Ferreira Leal, auxiliar administrativa da empresa, descansa todos os dias por cerca de 15 minutos depois do almoço. Ela conta que o cochilo é renovador.

"Parece que dormi muito mais e acordo superdisposta. Os dias em que não descanso, sinto bastante a diferença. A falta de disposição é nítida".

A Viapar possui duas salas para descanso. Uma com puffs e uma TV, para quem quer conversar e apenas sentar um pouco, e uma outra sala com puffs e alguns colchonetes.

"Nesta sala é proibido conversar. É um local específico para quem quer dormir. Os puffs são uma delícia. São daqueles que parece te abraçar", diz a auxiliar.

Sesta

A soneca após o almoço é denominado em alguns países de sesta. A prática, que pode parecer estranha para os brasileiros, é saudável e pode ser uma forma eficiente de recarregar as baterias. Em países como Espanha e Itália nada funciona neste período.

Para o especialista em sono e responsável pelo serviço de Medicina do Sono do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, Maurício Bagnato, a sesta não é um capricho, mas sim uma necessidade fisiológica.

"O cochilo depois do almoço é muito bom para o corpo porque a temperatura abaixa após o sono.

Ele precisa ter duração máxima de meia hora e dá uma boa restaurada. Isso faz parte do ser humano. O corpo pede esse descanso", afirma o especialista.

O otorrinolaringologista e diretor da Associação Brasileira do Sono, Michel Cahali, acrescenta que o cochilo após o almoço faz parte do ciclo normal de sonolência do ser humano. Contudo, os homens, ao longo da história, passaram a dar cada vez menos importância a essa relevante característica fisiológica.

"É algo muito positivo pelo ciclo de vigília e sono das pessoas. Após o almoço, a gente tem um pico de sonolência, e uma soneca de meia hora é reparadora", diz.

Produção

34% de aumento da capacidade produtiva. É o que rende 40 minutos de sono depois de uma refeição, segundo a Nasa.
Fonte: odiario.com

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