quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Orientação amplia consumo de vegetais entre trabalhadores.

A realização de ações em empresas para incentivar o consumo de frutas, legumes e verduras, aumentaram o consumo desses alimentos entre os trabalhadores. O trabalho do nutricionista Daniel Bandoni, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP , que envolveu cerca de 20 mil trabalhadores em 15 empresas de São Paulo, aponta que os ambientes de trabalho favorecem a realização de intervenções para difundir informações sobre alimentação saudável.

O estudo foi realizado em empresas cadastradas no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho e Emprego, que oferecem refeições aos funcionários. A intervenção começou com enfoque nos gestores dos restaurantes, para demonstrar a importância da inclusão de frutas, legumes e verduras nos cardápios. "Isso inclusive está previsto na legislação do PAT", diz Bandoni. "Os preparadores de alimentos participaram de oficinas culinárias, onde aprenderam receitas e técnicas de apresentação das refeições."

Para os trabalhadores, foi colocado a disposição nos refeitórios um álbum com informações sobre alimentação saudável. "Nas áreas de distribuição das refeições, marcadores indicavam as opções mais saudáveis, como saladas e frutas", conta o nutricionista. "A orientação sobre hábitos alimentares adequados se estendeu ao ambiente da empresa, como os jornais internos, cardápio dos refeitórios e em cartazes espalhados nas dependências das empresas."

A oferta de legumes, verduras e frutas foi analisada nas refeições oferecidas aos empregados. "Os cardápios passaram a oferecer aproximadamente 50 gramas (g) a mais desses alimentos por usuário no almoço", afirma o pesquisador. Também se observou uma maior oferta de fibras nas refeições, decorrente da maior presença de frutas e hortaliças. "Houve ainda uma redução significativa do percentual de gorduras, que não era o objetivo da pesquisa, indicando uma possível extensão dos efeitos benéficos das intervenções a outros componentes da alimentação."

Consumo

Antes da implantação das ações, o consumo médio de frutas, legumes e verduras no almoço era de 104 g por pessoa entre os trabalhadores pesquisados. Depois da intervenção, ele aumentou para 123 g. "O aumento no consumo deste alimentos foi superior a 15%, ficando além do que esperávamos como resultado da intervenção", conta Bandoni. O consumo recomendado é de 400 g por dia.

De acordo com o nutricionista, a pesquisa demonstrou que o espaço do ambiente de trabalho é um bom cenário de incentivo à saúde. "O estudo abordou a questão da alimentação, mas também é possível promover a atividade física, por exemplo", ressalta. "Assim como ações nos locais de trabalho ajudaram no controle do fumo, essa estratégia também pode funcionar com a alimentação saudável, entre outras questões."

Bandoni observa que em algumas empresas, a instalação de máquinas que vendem refrigerantes e salgadinhos se torna um estímulo à alimentação inadequada. "O ideal seria a implantação de um refeitório, para tornar a oferta de alimentos mais adequada", aponta. "A distribuição de vale-refeição também não garante que os funcionários venham a se alimentar de forma correta."

Quanto as políticas públicas, o nutricionista sugere que o governo federal forneça orientação sobre práticas alimentares saudáveis às empresas que se cadastrarem no PAT. A pesquisa teve orientação da professora Patrícia Constante Jaime, da FSP.
Fonte: Revista Proteção

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